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PostHeaderIcon Pressão e Exagero

No mundo do futebol brasileiro é bem comum vermos a dança dos técnicos em todos os campeonatos que são disputados por aqui. Basta lembrarmos do último Brasileirão em que apenas o Corinthians não trocou de treinador durante o torneio. Podemos dizer que isso aconteceu porque a equipe de Tite obteve bons resultados. E aí chegamos no “dilema Tostines” (estou aqui lembrando daquela antiga propaganda de biscoitos). O treinador permanece porque ganha ou consegue ganhar por permanecer mais tempo?

Aqui as coisas estão perto do patamar da loucura. Depois de duas ou três derrotas a pressão já se torna quase que insuportável e faz com que as trocas aconteçam frequentemente. A imprensa tem um papel nisso, ao incitar muitas vezes a torcida, já acostumada com esse panorama. Ou seja, tudo que estou dizendo não é novidade. Mas temos algo novo no horizonte. A pressão intercontinental!

Com a presença cada vez mais forte do futebol internacional no dia a dia dos torcedores e fãs de futebol no Brasil, nos sentimos cada vez mais próximos da rotina das equipes de fora. E com isso chega-se ao ponto de haver, mesmo aqui tão distante, uma pressão incrível por demissão de técnicos de times da Inglaterra, Espanha, Itália entre outros. Basta ver uma transmissão de qualquer dos grandes campeonatos nacionais para nos depararmos com um clima de tensão e de “corda bamba” quase que constante. Os próprios narradores e comentaristas brasileiros (em sua maioria, tirando algumas exceções), fomentam isso por aqui.

Claro que a pressão não nasce do nada. Os clubes grandes da Europa são cada vez mais ricos, muitas vezes por dinheiro de mecenas, que exigem invariavelmente resultados imediatos. A torcida exige também retorno dos grandes investimentos em contratações, então o clima fica fácil para existirem questionamentos. Porém me chama a atenção como o Brasil conseguiu “importar” uma cultura tão negativa quanto essa para o tão decantado futebol europeu. mourinho van gaal bola parada

Em alguns casos a coisa passa por fatores muito específicos. No caso do Chelsea, ainda que não exista nada provado – e, para ser sincero, não gosto desse tipo de especulação, mas é algo muito discutido – o clima entre o já demitido José Mourinho e os jogadores não parecia ser nada bom. No Manchester United que agora passa por esse processo de pressão muito forte, existe um elenco com várias deficiências técnicas (principalmente na defesa e com pouca variação no meio campo), além do fato de Louis Van Gaal não possuir a fama de ser alguém muito amigável.

No Real Madrid então a coisa chega às raias da loucura. Com muito dinheiro para investir, prioriza-se o nome, a “grife” do jogador e não o time em si, sua organização. Com isso foi dispensado o bom Carlo Ancelotti para a contratação de Rafa Benítez, contestado antes mesmo de chegar ao banco madrilenho. Porém, em termos de resultados, o time até que não vai tão mal com Benítez, pois ainda briga com chances de títulos na Champions League e no Espanhol!

O que me parece então é que todos precisam um pouco mais de paciência. Os dirigentes (ou investidores, dependendo do clube), os jogadores, os cronistas (que poderiam parar de querer aumentar maus momentos e crises) e mesmo a torcida, que deveria tentar analisar um trabalho com começo, meio e fim. Não chego ao ponto de usar isso para fazer um pedido (utópico) de ano novo, mas acho que o futebol, tanto para quem assiste quanto para quem trabalha, seria melhor se fosse pensado com um pouco mais de calma.

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