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Posts Tagged ‘mídia esportiva’

PostHeaderIcon Fim de Uma Era

Depois de 22 anos o jornalista José Trajano foi demitido da ESPN Brasil na última semana. Após ser diretor do canal e responsável pela formação da emissora e de vários programas de sucesso e ser comentarista do Linha de Passe, ele saiu sem direito à despedidas e de forma lacônica, por uma alegada “contenção de despesas” da emissora.

A forma da saída de Trajano evidentemente foi contestada, pois a desculpa apresentada beira o ridículo. É impensável que o canal não tenha condição de pagar seu, talvez, nome mais conhecido, por duas participações semanais em um programa de debates da casa. Começaram assim a serem cogitadas “razões políticas” que levaram ao seu desligamento do canal. O Bola Parada não é um blog político e não vamos entrar nesse assunto aqui mais diretamente, mas isso é algo bem possível de acontecer, ainda mais com a mudança de postura do canal em muitos momentos de sua programação. Haja vista a saída, até hoje também muito mal explicada, do jornalista Lucio de Castro.

E aí é o que chama mais a atenção. A ESPN crítica que existia anteriormente deu lugar a uma emissora que basicamente tem um programa (Bate-Bola) que se repete indefinidamente. Programas criativos e com um pouco mais de conteúdo como Pontapé Inicial, Histórias do Esporte e Loucos por Futebol foram saindo aos poucos da grade do canal. Ainda que hoje tenha sido criada uma faixa de “reportagens investigativas” chamada Jogo Limpo, ela fica soterrada no meio de alguns programas em que os participantes que só querem aparecer fazendo piadinhas e gracinhas toscas. trajano espn bola parada

Não que Trajano seja perfeito como jornalista. Muitas vezes se mostra contrário (e irritadiço) com opiniões divergentes, e se mostrava meio contrário à novidades na análise bem feita sobre os jogos; não é muito fã de uso de dados estatísticos, que são importantes num jeito mais moderno de se observar as partidas. Além disso ele também criou o modo da ESPN agir e se portar no esporte, com seus acertos e erros.

Mas justamente por isso ele era (e continua sendo) tão fundamental. Pessoas como ele fazem refletir e causam repercussão crítica, algo tão em falta nos dias de hoje. Vemos cada vez mais uma análise rasa sobre quase tudo, ainda mais no jornalismo esportivo local em que o “campo e bola” puro e simples é regra da maioria. E sendo assim a presença de jornalistas como Trajano se faz muito necessária. Pena que quem comande a “nova ESPN”, que vem despencando a algum tempo, não pense assim…

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PostHeaderIcon Olimpíada, Resultados e a Mídia

A seleção olímpica de futebol acabou se classificando para a segunda fase da competição. Mas, apesar de estar num grupo relativamente fácil, não me convenceu. Nem mesmo na goleada sobre a fraca Dinamarca. É claro que melhorou em relação aos dois primeiros jogos, mas nada de extraordinário. Precisa melhorar taticamente, tecnicamente e jogar de forma menos individual. Ainda mais quando as individualidades não estão funcionando. Outro problema grave é a falta de opções do Micale para mudar a forma do time jogar. Só temos uma fórmula; se não estiver funcionando…

Mas não vou me aprofundar na análise da seleção olímpica. Quero é falar da imprensa esportiva e sua variação de humor diante dos baixos e altos do futebol apresentado. É o mesmo “8 ou 80” que já vimos na Copa de 14 e nas recentes Copas América. E foi isso que aconteceu, principalmente, nas transmissões da Globo. O empate com o Iraque foi o clique que acionou o senso crítico do narrador e dos comentaristas da emissora. A tal ponto que um deles voltou até a Copa de 2006 para mostrar a extensão do problema. Fato que é verdadeiro e notório. Mas que, curiosamente, só é lembrado na hora do desespero. Essa indignação, que aparece após o 7×1 ou um vexame na olimpíada, me parece mais um surto chiliquento que uma crítica séria. É coisa de quem não sabe perder, não de quem deseja uma real recuperação do futebol brasileiro.

seleção olímpica

Eu nunca seria louco ao ponto de culpar diretamente a imprensa pelos resultados e pelo baixo nível do futebol tupiniquim. Sei, e já escrevi aqui, que o problema é muito mais amplo e profundo. Vem de décadas, começa na base, passa pelos clubes, pela gestão, pelos campeonatos e deságua na seleção. O erro da imprensa é ser complacente (ou até conivente) com os problemas e só reclamar dos resultados ruins. Como se as duas coisas não fossem umbilicalmente ligadas. Ora, ora…

* * * * *

Ainda temos mais de uma semana de competições. Mas o resultado, em medalhas, deve ficar bem abaixo da expectativa almejada pelo COB. Por um lado é triste. Mas eu acho ótimo que isso ocorra. É para sepultar com as desculpas e meias verdades que os dirigentes esportivos sempre usam para justificar os maus resultados. Eles tiveram dinheiro e tempo para investir nas modalidades e nos atletas que julgavam melhores para trazer medalhas. Só que a realidade não funciona de forma tão simples. Ainda que um ou outro sucesso possa enganar quem gosta de ser enganado.

O fato real é que estamos buscando o caminho mais fácil; um atalho. Mas a estrada pavimentada é a única que leva ao sucesso. É um caminho longo e trabalhoso. E passa muito longe do jeitinho, do improviso e do amadorismo. Quem sabe, algum dia, num futuro distante, o Brasil aprenda isso.

* * * * *

Alguns slogans fantasiosos também estão sendo sepultados nestes jogos olímpicos. Começando pela emissora do esporte olímpico e sua fraquíssima cobertura nesta edição. Parece que a Record estava cumprindo uma obrigação contratual ao exibir a olimpíada do Rio. E vamos combinar, pra fazer assim, era melhor nem ter feito.

A Band, com uma equipe pequena e remendada, até que tentou. Mas a carapuça caiu quando, num dia com futebol e vôlei ao vivo, ela esqueceu da competição para exibir o reality de cozinheiros. Francamente, o Master Chef estava gravado, poderia esperar 1 dia ou 1 semana. Será que uns pontinhos na audiência justificam tanto descaso?

Mais precavida foi a Globo, que mexeu seus pauzinhos e conseguiu que o horário de jogos importantes não coincidisse com sua faixa de novelas. Ao menos evitou o constrangimento de ignorar um dos esportes coletivos.

* * * * *

mesa tática

Falando na Rede Globo, é inegável seu poderio, estrutura e o número de profissionais que colocou para a cobertura dos jogos. Nem preciso salientar o fato. Mas tivemos erros também. Começando por alguns narradores e comentaristas escalados pela emissora. Nem com muita boa vontade. Assim como está difícil de engolir o sem número de convidados e papagaios de pirata que a emissora coloca no meio das transmissões. Ela já tem dezenas de comentaristas e ex-atletas para a tarefa, não precisa juntar mais cantores, atores, humoristas, modelos e cia.

Não tenho nada contra a tecnologia, muito pelo contrário. Mas penso que os recursos tecnológicos devem ser usados de acordo com sua utilidade e a necessidade da situação. Mas alguns gênios da televisão pensam diferente. E a Globo abusou do besteirol tecnológico, com suas mesas táticas, com os jogadores virtuais e demais aparatos. Não vi utilidade alguma nisso. Não acrescentou bulhufas! Patavinas!! É pior que caçar Pokémons! Muito pior!!

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PostHeaderIcon Pequeno Resumo Olímpico – O Início

Como este texto é sobre o começo da Olimpíada ele pode ter ficado um pouco longo, mas abordo alguns temas distintos.

Além da expectativa, misturada com oba-oba que vemos no futebol masculino, antes de começarem as competições da Olimpíada, outro fenômeno aparece de forma frequente na época desta competição. A mídia brasileira, tão afeita a falar basicamente apenas e tão somente de futebol, passa a ter de comentar mais sobre outros esportes. Uma situação que resvala na hipocrisia e no desconhecimento. rio 2016 bola parada

Claro que a maioria dos analistas esportivos que possuem mais destaque na TV são formados com base no futebol, muitos deles vindo do rádio. Sendo assim a transmissão das provas de outras modalidades são feitas na base do “vai Brasil!” e em um paternalismo que quase sempre resvala na pieguice ao analisar o desempenho dos atletas nacionais.

Vemos o Brasil, país que até teria um potencial de se tornar maior do que é no segmento de medalhas olímpicas, ficar muitas vezes para trás no número de triunfos. É fato que nos últimos 20 anos houve um aumento do investimento governamental no esporte e algumas modalidades tiveram um impulso interessante como ginástica e natação. Mas isso normalmente não se traduz em medalhas olímpicas. E isso pode ter diversas causas.

Mas o fato principal nos leva a pensar: Como um país que não têm uma cultura escolar de base pode exigir resultados quase que automáticos quando os jovens de ontem se tornam atletas hoje? É evidente que existem fenômenos isolados que geram bons resultados e, como foi dito anteriormente, alguns esportes apresentaram melhorias. Mas chega a ser um pouco irrealista esperar mais medalhas de onde elas dificilmente surgirão.

Infelizmente o clima de torcida exagerada toma conta da maioria das transmissões e até o fim dos Jogos do Rio de Janeiro analisaremos aqui também a cobertura midiática feita. Mas fundamentalmente, para que as vitórias apareçam, deveríamos cuidar mais da nossa base, e essa oportunidade, pelo menos para esta Olimpíada – e sem querer ser pessimista, mas já sendo – foi perdida, tanto como legado esportivo, quanto como legado social (e aí a discussão é ainda mais longa).

*****
Sem ir muito longe em esportes que nem possuem grande repercussão durante os outros momentos, pré e pós Olimpíada, um caso de hipocrisia que vemos nas transmissões olímpicas que já começaram é a comparação, a meu ver sem sentido, do futebol masculino com o feminino. Como agora, depois dos escândalos da CBF é bem mais fácil criticar a situação lamentável da Seleção masculina, coloca-se como parâmetro algumas vitórias do time feminino. marta neymar bola parada

Que a torcida, aquela que torce muito mais para quem ganha, cultura tradicional aqui no Brasil, grite por Marta num misto de admiração pela camisa 10 brasileira e revolta pelo péssimo futebol demonstrado por Neymar e companhia, é até compreensível. Mas acho bem oportunista muitos que nem dão bola para jogos femininos fora de períodos olímpicos, reverberarem essa “comparação” bem estapafúrdia.

Ainda que o futebol feminino já tenha um calendário nacional e muitas das jogadoras da Seleção tenham bons contratos em times estrangeiros, não dá para mensurar o abismo de apoio, inclusive do público, entre homens e mulheres. Por fatores que passam desde a simples discriminação e preconceito, até financeiros e de desinteresse, o espaço do futebol das mulheres por aqui ainda continuará bem diminuto; e digo isso mesmo se a tão sonhada medalha de ouro vier agora. E eu diria que ATÉ por isso. Pois aqui pensamos primeiro no topo, na vitória “heroica” ao invés de cuidar do futuro. E também pouco se faz para se mudar, ao menos um pouco, a cultura que tanto segrega e diferencia homens e mulheres em campo.

*****
Sobre os jogos em si, o time feminino mostra qualidade e venceu dois jogos importantes, contra times mais fortes como China e Suécia. Precisa, além de vencer times tão ou mais representativos (EUA e Alemanha principalmente), mostrar tranquilidade para lidar com uma pressão que sempre aparece nesses momentos de maior atenção de público e mídia. E isso muitas vezes não é fácil.

A pressão também existe para o time masculino. Mas neste caso específico (e sem querer ser chato) foi dito AQUI no blog que a competição não seria o passeio que muitos diziam que seria. O Brasil possui potencial, mas nem tanto quanto muitos imaginavam. O time tem qualidade individual, mas mostrou pouca organização, além de muito individualismo. brasil iraque olimpíada 2016 bola parada

As medalhas podem vir para as duas equipes, mas o caminho é muito mais árduo do que o ufanismo de muitos possa imaginar ou sugerir.

*****
Uma palavra rápida sobre a cerimônia de abertura: Sobre as atrações com cara de programa dominical da Globo eu não falo muito. Não é do meu agrado, mas como têm gente que gosta…Penso que ficaram faltando referências maiores à pessoas da nossa cultura, mas como é uma cerimônia patrocinada, muitas limitações aparecem. Mesmo a ausência de Pelé, que foi atribuída à problemas físicos, pode ter passado por aí também, o que é algo que não deixa de ser um pouco lamentável. vanderlei cordeiro pira olímpica bola parada

Não acho que o Vanderlei Cordeiro de Lima seja a figura mais representativa para simbolizar o acendimento da pira olímpica. Mas vendo os comentários de muitas pessoas, passei a entender a sua escolha. O caso acontecido com ele na Olimpíada de Atenas em 2004 ficou na memória das pessoas e o comportamento dele, ao conseguir a medalha de bronze com um sorriso no rosto, fez com que o espírito olímpico ficasse registrado em sua atitude.

Mas o que mais me chamou atenção é, mais uma, hipocrisia. Fica difícil uma cerimônia de abertura pregar sustentabilidade ambiental, com plantio de árvores e vídeo sobre aquecimento global, numa cidade que não conseguiu despoluir a Lagoa Rodrigo de Freitas para as provas de vela. Chega quase a ser um escárnio. Por mais que a mensagem seja para todo o mundo, fica a prova de que muitas vezes é mais fácil falar dos outros do que fazer o certo dentro de sua casa.

A Olimpíada pode correr bem, mas essas falhas poderiam ser evitadas.

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PostHeaderIcon Oba-Oba Olímpico

Estamos perto dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Depois de 7 anos de uma preparação que ocorreu com certas polêmicas devido ao alto custo de várias obras e o não cumprimento de muitas promessas feitas pelos políticos nacionais (uma prática mais do que comum por aqui), começamos a ver a chegada de atletas de todas as modalidades. O nosso blog é mais voltado para o futebol e é sobre ele que abordarei neste texto, mas durante os Jogos poderemos ressaltar alguns aspectos a respeito das competições e dessa situação confusa que permeia a Olimpíada como um todo. Digo de antemão que até acredito que na hora das disputas tudo deve acontecer mais ou menos dentro de uma normalidade, mas o custo para que isso ocorra é muito elevado e o tal “legado” para a cidade ficará escondido por tantos problemas e equívocos. Mas de todo modo voltaremos ao tema, inclusive na análise da cobertura jornalística do evento.

Durante esse tempo de preparação já deixei claro minha posição a respeito do futebol dentro dos Jogos Olímpicos. Como a Copa do Mundo feminina não tem o mesmo peso midiático do que a competição masculina, teremos a maioria das melhores jogadoras atuando normalmente no Rio de Janeiro. Porém entre os homens temos a limitação de idade (até 23 anos, com 3 exceções), que faz com que tenhamos, ainda mais no caso brasileiro, uma seleção hibrida. É uma equipe que nunca jogou junto e que possivelmente nunca mais atuará em conjunto, já que muitos dos convocados para o Rio não deverão voltar ao time principal mais para frente. O mais lógico seria fazer um torneio Sub-20, sem atletas além desta idade, com uma equipe que não atrapalharia tanto o calendário dos times principais e serviria mais para mostrar novos talentos.

Sendo assim o torneio olímpico de futebol masculino não é tão representativo. Mas principalmente depois que o Brasil venceu duas Copas do Mundo (1994 e 2002), após longo jejum de conquistas, criou-se uma obsessão por essa medalha de ouro olímpica, muito além do que realmente vale este torneio. Porém, poucas vezes o time brasileiro foi bem preparado para, de fato, vencer a competição. Desta vez a equipe até teve alguns amistosos, comandados pelo técnico Rogério Micale, mas em nenhum deles fez um futebol de “encher os olhos”. Além disso, com a quase obrigatória entrada de Neymar na equipe, ela terá de mudar um pouco suas características.

E aí que entra o motivo deste texto. Com o destaque que conseguiram em seus clubes, Luan do Grêmio, Gabriel (Gabigol) do Santos e Gabriel Jesus do Palmeiras já chegam na equipe olímpica com muita moral, mas principalmente, cercados de um grande inimigo que quase sempre aparece nas preparações de seleções brasileiras: O oba-oba. Quase que num passe de mágica, o Brasil já se tornou mais favorito do que já é normalmente (pela sua história e tradição que devem ser respeitados). Mesmo sem vermos esse time em campo já vi alguns comentaristas exaltarem de forma empolgada o novo time canarinho. Elogiam os métodos de Micale (que ainda não ficaram bem claros, pelo menos para mim) e até mesmo propõem que o time jogue com os 4 atacantes juntos em campo!

Tenho sérias dúvidas de que a maioria dos comentaristas conheçam os times de Argentina e Alemanha, que certamente serão mais citados como “os únicos” que podem tirar o título do Brasil. Talvez nem saibam bem os destaques dessas seleções, já que nenhuma grande estrela foi convocada nos dois países. Isso sem falar em seleções como Colômbia, Portugal e Nigéria, que são poucos lembradas, mas que possuem potencial histórico para fazer bom papel por aqui. E isso me incomoda muito. Como disse no texto sobre Portugal campeão da Eurocopa, não dá para fazer o futebol apenas com base em estudos e estatísticas. Não adianta também ficar olhando números e confiar cegamente neles. Mas um pouco de cuidado na hora de falar e observar o quadro atual seria interessante. seleção olímpica bola parada

O trabalho de Rogério Micale tem bons sinais, ele parece ser um estudioso do futebol. Mas ainda tem pouca experiência em competições sob intensa pressão. Ele ficar como treinador era a melhor opção, diante da bagunça que a CBF vive a algum tempo (e também porque Tite é técnico da Seleção principal e tem de se preocupar com as Eliminatórias para a Copa do Mundo), mas também não poderia ser tão exaltado como vem sendo, só por dar boas entrevistas coletivas. O conjunto do trabalho dele só vai ser comprovado no campo, assim como o time que ele está montando. E me desagrada muito esse clima de “ninguém segura” o Brasil.”, só pelos bons atacantes que temos. Cheira arrogância e desconhecimento e o resultado dessa combinação não costuma ser positivo.

O Brasil pode vencer o ouro olímpico no futebol masculino e mesmo no feminino, tem qualidade técnica para isso. Mas estes fatos não escondem o trabalho cheio de erros e equívocos no nosso futebol, muito pela incompetência e omissão dos clubes e pelos desmandos orquestrados pela CBF. E no caso específico do futebol entre os homens, apenas o fato de termos alguns (não tantos assim) talentos individuais, não faz o time brasileiro vencedor por antecedência, como alguns já parecem acreditar. Cautela é sempre necessária.

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PostHeaderIcon Rodízio no Caldeirão

Acabamos de completar dois meses do novo ano e já vemos as mesmas reclamações e pressões dentro do mundo do futebol. Jogadores sendo criticados e principalmente técnicos vivendo sob pressão. Não é algo novo e é até comum dentro dos grandes clubes. Mas a sofisticação dentro do desconhecimento em cada crítica chega a assustar.

A mais nova vítima dessa frigideira constante sob a qual vivem os técnicos por aqui é a ideia de “rodar” o elenco, o chamado rodízio. Os que são adeptos dessa postura são muito criticados quando fazem isso e o resultado não vem. Diego Aguirre, por exemplo, no Atlético/MG e mesmo no ano passado no Internacional era muito cobrado por esse estilo. Para mim é algo válido pois faz com que os jogadores se mantenham em atividade e que a competitividade no elenco se faça presente; um titular fica menos acomodado em saber que pode perder a vaga se não estiver tão bem. Além claro da questão física que tem de ser sempre levada em conta para que se escale quem está em melhor forma.

técnico ameaçado bola parada
Mas a crítica à uma cultura que, muitas vezes, é elogiada pelos mesmos “analistas” quando é feita no futebol europeu, é mais um componente de um caldeirão quase insano de pressão sobre a manutenção ou não de treinadores no comando das equipes brasileiras. Já dissemos aqui que a maioria dos profissionais é conivente com a situação; mal saem de um clube já pulam para outro como se nada tivesse acontecido. Mas o que estamos vendo acontecer com Marcelo Oliveira no Palmeiras e mesmo Deivid no Cruzeiro (este último sendo ainda um novato na profissão) é algo quase desumano. Não é fácil para alguém trabalhar sendo ameaçado o tempo todo, mesmo sabendo que um clube de repercussão e grande torcida tem esse lado de questionamento muitas vezes.

Porém o exagero nessa situação de corda bamba, além da pouca análise de jogo propriamente dito nos intermináveis programas televisivos de debate que temos hoje mostra que todo o discurso que a mídia usa, de que o clube tem de dar tempo para o profissional trabalhar, é bem falacioso. Busca-se um culpado das derrotas e um herói nas vitórias, nada mais. Ainda falando de treinadores, Roger Machado no Grêmio, mesmo apenas iniciando na profissão, foi intensamente exaltado no Brasileirão do ano passado, mas depois de alguns maus resultados nesse ano já começa a ser contestado por alguns que o elevaram demais na temporada anterior! E agora depois de duas (!!!) partidas, um empate contra o Corinthians e uma vitórias sobre o Palmeiras, o técnico português da Ferroviária de Araraquara Sérgio Vieira, já está sendo muito elogiado pelo seu estilo “moderno” de jogo…Basicamente depois de dois jogos…Nem precisa dizer que é cedo demais para qualquer análise…

Achar que esse processo de fritura constante vai mudar parece cada vez mais difícil, com uma mídia cada vez mais imediatista e que precisa encher espaços em suas programações de toda e qualquer forma. Mas penso que ao menos respeito ao trabalho do treinador deva haver. A questão de mudanças e testes de jogadores, o chamado rodízio, deveria ser analisado não apenas pelo resultado, mas em termos técnicos e de possibilidade de melhora do desempenho. E que também cada jogo não vire algo de “vida ou morte” para todo o técnico que não venha tendo uma boa fase, algo natural para todos.

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PostHeaderIcon Proposta Real

Aos poucos, com uma notícia aqui e outra ali, ficamos sabendo mais detalhes sobre a proposta da Turner (Esporte Interativo), pelos direitos do Brasileirão em TV fechada, a partir de 2019. Os valores podem alcançar 600 milhões, caso todos os clubes aceitem. E a divisão terá um percentual fixo e outro variável, dependendo do resultado técnico e da audiência; muita mais justa que a feita pela Globo, especialmente no PPV. Além de não exigir jogos no tenebroso horário das “depois da novelas” horas.

O ponto nebuloso é saber quais jogos farão parte deste acordo. Atualmente a TV aberta (Globo), escolhe os jogos de maior audiência nas quartas e domingos. Mas como diferentes jogos são exibidos em várias praças, 2 ou 3 partidas ficam reservadas. E a Band exibe uma destas partidas, quase sempre de um clube paulista. O segundo lote vai pro Pay Per View, uns 6 ou 7 jogos. E o Sportv acaba com a sobra, uns 3 jogos por rodada. É isso que o Esporte Interativo pretende comprar? Ou vai abocanhar mais jogos, tirando alguns do PPV?

Resta saber se todos os clubes vão aceitar a proposta. No momento ela é mais vantajosa pros clubes menores. E é bem provável que a Globo, em negociações individuais, seduza algum grande que estiver reticente, com um aumento na cota. É praticamente impossível que ela perca os direitos em TV fechada passivamente. Pode até ocorrer um racha, com alguns clubes acertando com a Turner e outros com a Globosat.

Minha maior dúvida é sobre este valor oferecido pela Turner (EI). Até 2019 pode ocorrer muita coisa. Começando pela presença do Esporte Interativo em todas as distribuidoras. Mas, hoje, é um valor bem alto e que não teria retorno garantido. Talvez possa ser considerado uma grande campanha de marketing da Turner; algo por volta de 150 milhões de dólares. É muito dinheiro, mas a Turner aguenta pagar a conta.

Mas o principal ponto positivo da proposta é abrir uma discussão sobre os direitos do Brasileirão. Pode não dar em nada, mas a proposta é real.
ei maxx
* * * * *

Aproveitando a pauta… Já escrevi muita coisa sobre o Esporte Interativo, desde os tempos do Tevezona. Critiquei várias coisas que entendia serem erradas. Também critiquei algumas decisões da Turner, logo após comprar o canal. Não retiro nenhuma das críticas.

Mas, agora, vejo que a Turner mudou sua postura. Tanto que fez um acordo com a Claro e a Net, ainda que longe do ideal. Entendo que cada lado tinha interesses opostos. Mas um acordo ruim é melhor que acordo nenhum. Pena que a Turner demorou 1 ano para perceber isso.

Outra mudança perceptível foi na estrutura dos canais Esporte Interativo. Melhorou a estrutura e o conteúdo. Temos menos brincadeiras e mais esporte. Temos menos hashtags e mais repórteres. Menos fotos de musas e mais comentários. E, principalmente, mais jogos. Sei que o canal tá bem longe do ideal. Aliás, todos os canais esportivos estão longe do desejável. Mas acho importante ressaltar o progresso do EI. Criticar não é só apontar o que está ruim, mas também o que está melhorando.

EI, estou de olho!

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