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Posts Tagged ‘estádios’

PostHeaderIcon Novos Estádios, Velhos Problemas

Acho que todos os leitores do Bola Parada viram a final da Copa do Brasil. E 99,9% devem ter notado o “vazião” na parte central das cadeiras do Mineirão. Eu fiquei revoltado com aquilo. Revoltado com as milhares de cadeiras vazias e muito mais com os mil Reais cobrados pelo ingresso naquele setor. É um absurdo total! Isso vai contra o futebol profissional e a boa gestão.

O que aconteceu nessa final não é inédito. Ano passado o Flamengo fez coisa parecida. E a desculpa (fajuta) é que usariam a renda da final para contratar o meia Elias. (Sabemos onde anda o Elias). E tivemos outros casos semelhantes. Uma hora dizem que o motivo da majoração é o estádio pequeno, em outra que o valor foi estabelecido pela concessionária, que é inauguração, que é festa… E tome “passar” na cara do torcedor. O mesmo torcedor que paga todas as contas e sempre é “convidado” a cobrir o rombo dos nossos clubes. E muitos aceitam, felizes, a inglória missão.

Alguns dias atrás o Palmeiras inaugurou sua arena. E está animado com as possíveis receitas que o estádio poderá gerar. Mas o enrosco com a construtora foi grande. E não sei se terminou. No caso do Grêmio a novela continua. E agora o clube tenta comprar o novo estádio. Mas não é algo simples de resolver. Assim como não está fácil pro Corinthians negociar os naming rights do Itaquerão. Só tenho ouvido (e lido) promessas e desculpas. E o dinheiro continua longe dos cofres do clube. Assim como o Botafogo está longe de chamar o Engenhão de seu. Talvez seja o seu abacaxi.

Existem outros exemplos, como a nova Fonte Nova, a Arena da Baixada, o Independência. Cada qual com seus problemas e peculiaridades. A única semelhança é que os ingressos estão mais caros e as arquibancadas mais vazias. O caso mais gritante ocorre na Fonte Nova; nunca mais lotou como era habitual. Será que a torcida do Bahia encolheu??

* * * * *
novo santiago bernabéu
Desde garoto escuto dizer que um estádio (grande e moderno) é a salvação dos clubes. Falavam da receita com bilheteria, da publicidade, da locação do espaço, das lojas e lanchonetes, do estacionamento, etc… Mas a realidade tem se mostrado bem mais dura. Não tanto por culpa da teoria ou dos estádios. O erro está na gestão dos mesmos. Fazem tudo errado. Querem ganhar muito em cima de poucos; assim como muitas empresas fazem. Acabam afastando os torcedores e perdendo faturamento. E vamos combinar, nenhum empresário vai pagar centenas de milhões pelos naming rights de um estádio que não lota nem na final. Ele não é louco. E louco mesmo é quem paga mil Reais pra ver uma partida de futebol.

Eu poderia citar inúmeros exemplos de clubes (grandes e médios) que administram (bem) e lucram com seus estádios. Faturam com os ingressos, com os sócios, com a venda de centenas de produtos, com patrocínio, com a venda de jogadores… Só aí chegam nas cotas de televisão e nas eventuais premiações de torneios. Aqui fazem o contrário. Talvez por isso estejam sempre quebrados.

Vocês certamente sabem que a população de Portugal é menor que a do Estado do Rio. Ou 1/3 da torcida do Flamengo ou Corinthians. Muito bem, o principal clube de lá é o Benfica. Tem mais de 200 mil sócios pagantes. O estádio da Luz vive lotado. E eles estão sempre contratando promessas da América do Sul, boa parte revendidas com grande lucro. O Anderson Talisca (comprado por 4 milhões de Euros) é o nome mais recente. Mas eu poderia citar o Di Maria, esse vocês conhecem. Assim como conhecem o Hulk e o Falcão Garcia, negociados pelo Porto por dezenas de milhões de Euros.

E antes que eu me esqueça: o Benfica tem menos torcedores que o Botafogo. E o Porto tem menos torcida que o Coritiba.

Sentiram vergonha comparando nossos clubes com os portugueses? Pois é. Eu tenho sentido muita vergonha ultimamente. Vergonha alheia!

Mas vai ficar pior. Tenho que falar daquele clube de Madri. O clube onde jogou o Zidane e onda joga o Cristiano. Bem, eles vão reformar o estádio Santiago Bernabéu. Vai custar mais de 400 milhões de Euros. Ou nada!!

Explico: o Real já vendeu o nome do novo Santiago Bernabéu para uma empresa petrolífera do “mundo árabe”. Serão 425 milhões de Euros, em 20 anos. E isso sem a ajuda do Andrés Sanchez.

O novo Bernabéu vai custar menos que o estádio Nacional de Brasília e só a venda do nome já paga a obra. Pronto, agora vocês podem sentir toda a vergonha que quiserem.

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PostHeaderIcon Marketing no Campo e Sujeira na Quadra

Eu ainda vou falar muito sobre o tema “arquibancadas vazias”. Até encher a paciência. Ou até que os marqueteiros imbecis se afastem do futebol brasileiro. Que sejam afastados, pra ser exato. É impossível que saiam espontaneamente. Ou que mudem sua estratégia estúpida. Não têm dignidade para isso. Preferem insistir na teoria de elitizar para fidelizar. Coisa que não funciona. E que dificilmente irá funcionar.
poltrona bola
Basicamente é isso. Meia dúzia de imbecis (diplomados) resolveu que vai ensinar e praticar administração esportiva. Administração e marquetingue. Falam muito, teorizam, exibem dados, estatística e “pojetos” maravilhosos. Mas nada funciona na prática. Se a gente olhar bem… O grosso do dinheiro dos clubes vem da TV. Parte é originada das fornecedoras de material esportivo. Ainda temos os patrocínios, cada dia mais escassos e com o carimbo oficial. As negociações de jogadores rendem uma grana eventual. A parte dos gestores e marqueteiros fica lá no final da lista. Estão devendo. Os programas de sócio torcedor dependem mais do desempenho do time do que do marketing. Os patrocinadores secundários sumiram quase totalmente. A venda de produtos licenciados não funciona como deveria.

Por outro lado os marqueteiros de araque conseguiram esvaziar as arquibancadas com seus ingressos de ópera. E vamos combinar, nem os ricos mais fanáticos vão à ópera 2 vezes por semana. Mesmo os shows de música pop, são 2 ou 3 por ano. Quem gosta até paga 300 ou 400 Reais. Mas o show de um astro pop é bem diferente de um “empolgante” Bonsucesso X Flamengo, as 22 horas de uma quarta chuvosa. Não vale 200, nem 100, nem 50. Talvez 25,00. Estourando!

É óbvio que muitos outros fatores influenciam a presença de público nos estádios: a importância do jogo, o horário, o local, a segurança, o clima, o preço do cachorro quente… Mas o valor do ingresso é o primeiro. Com o ingresso caríssimo, o sujeito nem pensa nas outras questões. Deixa pra ver pela TV e usa o dinheiro em coisas mais relevantes. Futebol é só um lazer. Ele só é trabalho pra quem vive dele, como os gestores. E estes deveriam refletir sobre a m*** que estão fazendo. Será que conseguem???

* * * * *

Quem também precisa refletir são os gestores do vôlei brasileiro. Passei décadas vendo a mídia esportiva exaltando a competência de 2 ou 3 jênios da CBV. Tanto que foram parar no COB e na Confederação Internacional de Vôlei. Tiveram participação direta na gastança do Pan e na escolha (infeliz) do Rio para sediar a olimpíada. Mas, francamente, eles nunca me convenceram muito.

Nos últimos dias a CBV vem sendo alvo de graves denúncias envolvendo contratos de patrocínio com o Banco do Brasil. Dinheiro carimbado. Denúncias feitas pelo Lúcio de Castro, da ESPN. Denúncias sérias e documentadas. É o dinheiro de uma estatal indo pro bolso de alguns espertalhões. Bem parecido com os últimos escândalos da política nacional, envolvendo os Correios, BB, Petrobras e outras tetas oficiais. Tetas que andam muito, muito generosas com o esporte nacional.

Este caso do vôlei precisa ser muito bem investigado. Talvez punindo alguns peixes pequenos. Os grandes sempre escapam, vide o Mensalão. Mas, se forem investigar pra valer, poderiam ampliar o foco. Tem muita sujeira. Basta ir atrás do dinheiro fácil que a Caixa, BB, Correios, Petrobras e outras estatais andam distribuindo para clubes, federações e confederações. E nem precisa que o Lúcio de Castro investigue e denuncie. O Ministério Público e a CGU já deveriam estar de olho na sujeira.

* * * * *

Agora vou mudar um pouco o foco, vou falar da mídia boleira. Acho que todos já viram algum jornalista dando aula de ética profissional e detonando os colegas que fazem propaganda. Certo?! Tem um no Esporte Interativo, o nome começa com K e ele vive dando furos furados. Ou prevendo obviedades. A última obviedade do sr. K é que Robinho, Ronaldinho Gaúcho e Kaká estão fora da lista do Scolari para a Copa. Sério????

Mas vou ajudar o sr. K e fazer uma “grave denúncia”. Uma “bomba”!!! Parem as máquinas de sorvete! A turma do Esporte Interativo também faz merchans, não só o Miltão das Neves. Já vi o Vitor Sérgio, o Bruno Formiga, o Henrique… Ah, esse já saiu de lá. Até o Mauro Beting, que também saiu, entrou no jabá. Talvez pelo sobrenome, BETing, que lembra o nome desses sites de apostas. Vejam a cena:

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PostHeaderIcon Quarta Gorda e Público Magro

Não consegui ver todo o amistoso do Brasil contra a África do Sul. Fui até o 1º tempo e… Dormi! Sim, dormi de verdade. Depois, em VT, vi o 2º tempo. E já tem muito tempo que pouco me interesso pelo time da CBF. Não me empolga, não me atrai e não me agrada. E ontem, com vários outros jogos para acompanhar… Uma overdose de amistosos internacionais. Cansou a minha feiura.

A seleção, que não vinha tão bem quanto alguns dizem, foi bem burocrática e sem criatividade. Ainda que o placar (5 x 0) passe outra impressão. Mesmo o Neymar, autor de 3 gols, não brilhou como em outras partidas. Especialmente no começo, encostado na ponta esquerda e tentando pedaladas e dribles inúteis. Dos 30 minutos em diante ele foi mais pro meio (e pra frente) e produziu mais. Ele de ponta é um desperdício enorme.

Dos jogadores testados, Rafinha e Fernandinho, não deu pra falar muito. O amistoso não serviu nem pra isso. Apesar do belo gol do Fernandinho. O mesmo vale pro Júlio César e Fred, que precisavam confirmar sua condição física e técnica. Não deu pra ver muito. Saíram como entraram. E o amistoso, num estádio bem vazio, só serviu pra ocupar a seleção e render uma grana pra alguns.

E, apesar de não terem perguntado, respondo a inevitável pergunta sobre a Copa: Não creio no sucesso dos “garotos do Felipão”. Existem seleções melhores. Pela lógica o Brasil não passa das semis.

* * * * *

Se o Brasil não foi animador, as outras seleções favoritas também ficaram devendo nos amistosos do dia 5. A Argentina foi mal, a Alemanha (fantasiada de Flamengo) venceu o Chile, mas acabou o jogo vaiada. Espanha e Itália fizeram um jogo mais equilibrado. Mas sem grandes emoções. A França e Inglaterra jogaram com mais vontade. Mas não figuram na minha lista de favoritas.

O desanimador de verdade foi ver o desempenho das seleções africanas. Não foi patético, mas pífio. E acho que o desempenho na Copa será bem fraquinho. Só a política e a FIFA pra justificar o número de vagas do continente africano. A bola tá pequenininha.

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Nos assuntos caseiros, o destaque (negativo) ficou com o público do jogo do Flamengo, contra o Bonsucesso, em Volta Redonda: 375 pagantes! Isso é público de cinema, não do clube mais popular do país. Mas não venham com respostas fáceis ou zombaria. O público do jogo do Flamengo é um alerta gigante. Tem coisa errada. E não é só no Estadual do Rio. O buraco é mais embaixo. Muito mais! O torcedor está se afastando dos estádios, em todo o país. O país do futebol é o país das arquibancadas vazias.
maracanã vazio
Tão grave quanto saber que o Flamengo levou poucas centenas de torcedores ao Raulino de Oliveira, é ver que os clubes, federações e CBF fingem ignorar o problema. Então tá…

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PostHeaderIcon Caçadores do Centroavante Perdido

A semana passada foi meio surreal no terreno esportivo. Ou muito real, um choque de realidade. Tanto que vou destacar 2 fatos muitos particulares ao nosso “mundinho boleiro”. O primeiro é a busca pelo 9 perdido.

Bastaram 8 minutos em campo e Adriano voltou à pauta. Sim, falo do Adriano Imperador, inativo e aposentado. Ele nada fez na estreia pelo CAP. Mas isso pouco importou para a imprensa boleira. E seu nome já está no rol dos candidatos ao posto de 9 na seleção do Felipão. Só como exemplo: o Jogando Em Casa do dia seguinte passou uns 40 minutos debatendo o fato e apoiando (com 2/3 dos votos) sua presença na Copa.
charge Felipão e Fred
A citação do Adriano é um sintoma grave. A doença se chama abstinência crônica de centroavantes e vem atacando vários clubes brasileiros. Essa abstinência também repercute na imprensa e provoca graves e variadas alucinações nos comentaristas e debatedores. Eles sonham com o Fred em plena forma e resolvendo a parada lá na frente. Mas logo chega o pesadelo das contusões sem fim. Cadê o Damião? Sumido, sumido… E o Jô? Dá pra apostar tudo no Jô? Ou no Diego Tardelli? Será que o Walter abocanha essa vaga aberta? Pato, Luis Fabiano, indagam os mais desesperados!! Hernane Brocador, imploram os flamenguistas. Alan Kardec, bradam os teóricos e palestrinos. E se o He-Man desandar a fazer gols pelo Inter? E o Bill (que não é cigarro), por onda anda o Bill???

O fato concreto e cimentado é que ninguém sabe o que passa pela cabeça do Scolari. Ele deixa pistas: “… Está frioEstá quente…” E os debatedores das mesas redondas e ovais entram em parafuso. Tudo por culpa da abstinência crônica de centroavantes confiáveis e competentes. Um indivíduo competente, foi lá e deixou o dele… Como diria aquele antigo narrador esportivo.

Acho que isso é castigo. Sempre tivemos camisas 9 em quantidade e qualidade. Agora estamos na escassez. Ou entressafra, segundo os especialistas em Roça & Campo. Oh, que saudades de outrora… Mas e agora? Vamos ver nossos vizinhos e rivais? A maioria tem. E a gente sem!

O brasileiro aprendeu a desdenhar dos outros (especialmente no futebol; até pra compensar outras fraquezas). Mas os 9 da Argentina jogariam no nosso escrete canarinho. Falcão Garcia também; até engessado. O Chicharito Hernandez é médio, mas jogaria. O Benzema quebraria o galho; o Giroud é mais difícil. O Ibrahimovic, que vai assistir pela TV, serviria com folga. Van Persie vem, mas também ajudaria. O mesmo se aplica ao Lewandowski e Mandzukic. O Rooney e o Gajo, mesmo sem jogarem como 9 fixos, resolveriam a vida da nossa seleção. Até a Espanha, com 3 opções de 9, está melhor que a gente! Barbaridade, barbaridade… Isso é um tapa na cara do futebol pentacampeão. Ou eu tô errado?

* * * * *

O final de semana também foi bizarro no entorno do campo. Tivemos cachorro em campo. Falta de gente nas arquibancadas – até nos clássicos estaduais. E nova ameaça de problema estrutural numa das arenas da Copa. O Beira-Rio está pronto; mas falta a parte externa. A Arena da Baixada está quase parando, falta dinheiro.

O Beira-Rio deve receber uma verba extra e concluir as obras no entorno. Já em Curitiba, que não é a cidade da presidente, o risco é real e o Paraná pode ficar sem a Copa. Sem a maior copa de todos os tempos, segundo a propaganda governamental. Sem o Fuleco, sem Aldo, sem Blatter e sem o padrão FIFA. (Que sorte!)

Aliás, aquele cachorro em campo (no Pará) está no padrão FIFA? É um cão de raça ou sem pedigree? Estava vacinado? Estava livre de pulgas? Fará parte do legado da Copa? Ou é apenas um retrato do nosso futebol vira-lata?

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PostHeaderIcon E tudo continua igual…

Na última quarta (27/11) um acidente com um guindaste causou duas mortes no estádio do Corinthians, o popular Itaquerão, que deve ser a sede da abertura da Copa de 2014. Com esses óbitos já chegamos a quatro em obras relacionadas à Copa. Muitos usam a palavra “acidente” para se referir a esses acontecimentos. Eu discordo.

No caso específico do Itaquerão fala-se agora numa possível (ainda que improvável) mudança de sede para o jogo de abertura da Copa. Agora que já pegaram o dinheiro público (com os empréstimos com juros “suaves” do BNDES) e construíram o estádio, é fácil falar em mudar de sede; a meu ver isso é, na verdade, mais jogo de cena do que qualquer outra coisa e a abertura, caso as obras sigam ritmo normal, deve ser mesmo na capital paulista. Temos até de lembrar que o Morumbi era o campo indicado para o Mundial, no início do processo de escolhas de sedes para 2014. Só que o São Paulo foi ingênuo ao acreditar que o seu estádio seria sede da Copa por osmose e tomou um chapéu, com conivência de boa parte da mídia brasileira que sempre, em sua maioria, ironizava as recusas da FIFA para os projetos de reforma em nosso estádio. Tudo estava pronto para uma grande obra em SP e o Morumbi era um entrave para muitos lucrarem. Com isso não digo que o SP é santo; se estivesse do lado do poder de ocasião, como o Corinthians está atualmente, provavelmente se beneficiaria da situação, mas como disse acima, foi ingênuo em não prever o que acabou acontecendo. itaquerão bola parada

Em relação às mortes que infelizmente aconteceram. Evidentemente temos de lembrar que em grandes obras muitas vezes tragédias acontecem, mas no Brasil usar a palavra “acidente” nesse tipo de coisa é quase ofender a família das vítimas, pois todos já sabiam que muitas dessas obras seriam feitas de qualquer maneira no país do “jeitinho”. Mas infelizmente para boa parte da mídia e para a FIFA, as mortes dos operários são apenas estatísticas e o que deve ser feito é exaltar a Copa e suas maravilhas. Como já disse em outro texto seria favorável à Copa por aqui, desde que ela fosse feita de acordo com as nossas possibilidades financeiras, sem exageros.

Mas aí entra a “sanha empreendedora” que faz com que as construções de estádios vire algo indispensável para que se tenha Copa em determinados lugares. Não creio que seja por acaso que as últimas e próximas sedes da Copa sejam África do Sul, Brasil, Rússia e Catar, países emergentes e que podem servir muito bem à especulação imobiliária e construção de novas arenas. Inclusive um assunto que sumiu das manchetes é o problema da estrutura do Engenhão, estádio construído para os Jogos Pan-Americanos de 2007 e depois foi usado quase que só para o futebol. Ele foi interditado no meio de 2013 e até agora nada foi dito da realidade do problema e como ele será resolvido. Enquanto isso o Maracanã, depois de sua enésima reforma, foi reaberto com os clubes jogando por lá (isso até a próxima reforma, que provavelmente deve acontecer pós-Copa…). Além disso nada justifica termos Copa do Mundo em Manaus, Cuiabá e mesmo em Brasília, com a construção de estádios grandiosos em lugares sem presença representativa no futebol das principais divisões brasileiras.

Com isso o legado da Copa já foi perdido antes dela mesmo começar. Perdemos uma grande chance de mostrar que a chegada de eventos podem fazer o país mudar sua mentalidade de atraso e levar tudo nas “coxas”. Muito pelo contrário, o estereótipo de deixar tudo para a última hora só foi reforçado. E quem critica isso não pode ser chamado de pessimista, talvez apenas de conformado, pois ao passar do tempo não vemos melhoras na cultura que muitas vezes criticamos. O fato é que seria bom não precisarmos esperar outra Copa para mostrar nossa indignação.

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PostHeaderIcon Novo Maracanã, Problemas Velhos

A minha previsão era de usar a coluna pra falar do título do Flamengo, na Copa do Brasil, e da situação do Jayme e do elenco. Ainda mais que agora, segundo grande parte da imprensa, tudo tá maravilhoso, o elenco é muito bom e o Jayme acerta em todas. Opinião bem diferente da minha. O elenco e o Jayme de Almeida tem muitos méritos. O título também foi merecido. Mas…

Mas não consigo aceitar o Carlos Eduardo ocupando a moitinha. Mesmo que o Fla não tenha um grande jogador na posição. Que escale o Adryan, ou até um cone no lugar. O André Santos de lateral esquerdo também é dose pra mamute. No meio, até pode ser, mas na lateral, vira uma avenida. Outro ponto é o Hernane. Centroavante fraco em fase boa, já vi dezenas. Tudo dá certo pra ele. Como no gol contra o CAP: foi dominar, a bola bateu no “queixo” e voltou pra ele chutar em gol. Não sei até quando vai essa fase “tudo dá certo”. A Libertadores é outro papo.

Acontece que a imagem mais marcante da final da Copa do Brasil foi a arquibancada “branca”. Não estou fazendo demagogia e nem defendendo cotas pra A, B ou C nas arquibancadas. Longe disso. Mas eu já fui em vários jogos no Maracanã e sei como é a torcida do Flamengo. É um time popular, talvez o mais popular do país. É a torcida que transformou o Flamengo num grande, não o oposto. Mas hoje, comandado por administradores e especialistas em quase tudo, o Flamengo está virando as costas pra maior parcela de sua torcida, a de baixa renda. Estão trocando os milhões de torcedores apaixonados por alguns milhares de clientes abastados. Já falei sobre isso, o Flamengo não foge à regra.
final copa do Brasil 2013
No Redação Sportv de hoje, um dos convidados, o Carlos Eduardo Mansur, jornalista do Globo, analisou bem essa questão. Nossos clubes estão dando um tiro no pé. Afastar o torcedor de baixa renda é uma idiotice. O futebol sempre foi o esporte das massas. A classe alta é quem se divide entre o futebol, tênis, automobilismo, golfe, hipismo e outros esportes. O tal povão, é 99% futebol. Os clubes deveriam é segurar esse torcedor. E depois ver como ganhar dinheiro com ele. Mas hoje não pensam assim.

Não dá pra imaginar o cenário do futebol daqui a 10 ou 15 anos. Mas um garoto de 10 anos, hoje, é bombardeado por jogos internacionais e ídolos mundiais. Muitos já desfilam com camisas do Barcelona, Real ou Chelsea. E jogam com esses times em seus videogames. Se estão excluídos dos estádios elitizados, dificilmente terão a mesma paixão que seus pais sentem pelo Flamengo, Corinthians, Galo ou Inter. Mesmo o torcedor do sofá, o da TV, poderá optar por grandes clubes europeus. Se é pra torcer pela TV, tanto faz se é o clube da cidade ou um Bayern da vida.

Ainda resta falar sobre a bagunça ocorrida na primeira final do “novo Maracanã”. Derrubou-se o discurso da “mudernidade”. A carcaça do estádio é realmente nova. Mas os problemas são os mesmos de quando eu tinha 10 anos. Só pra listar:
– Cambistas nos arredores
– Dificuldade pra entrar no estádio, passando pelas catracas
– Confusão nas lanchonetes
– Banheiros imundos e gente urinando pelos cantos
– Superlotação, com torcedores em pé nas escadas
– Festival de gratuidades e carteiradas

Sem esquecer do “feudo” da Suderj, que continua firme e forte, como bem lembrou o Lúcio de Castro no Bate-Bola.

Arenas novas, ingressos triplicados, problemas velhos. Imagina na Copa…

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