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PostHeaderIcon Oba-Oba Olímpico

Estamos perto dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Depois de 7 anos de uma preparação que ocorreu com certas polêmicas devido ao alto custo de várias obras e o não cumprimento de muitas promessas feitas pelos políticos nacionais (uma prática mais do que comum por aqui), começamos a ver a chegada de atletas de todas as modalidades. O nosso blog é mais voltado para o futebol e é sobre ele que abordarei neste texto, mas durante os Jogos poderemos ressaltar alguns aspectos a respeito das competições e dessa situação confusa que permeia a Olimpíada como um todo. Digo de antemão que até acredito que na hora das disputas tudo deve acontecer mais ou menos dentro de uma normalidade, mas o custo para que isso ocorra é muito elevado e o tal “legado” para a cidade ficará escondido por tantos problemas e equívocos. Mas de todo modo voltaremos ao tema, inclusive na análise da cobertura jornalística do evento.

Durante esse tempo de preparação já deixei claro minha posição a respeito do futebol dentro dos Jogos Olímpicos. Como a Copa do Mundo feminina não tem o mesmo peso midiático do que a competição masculina, teremos a maioria das melhores jogadoras atuando normalmente no Rio de Janeiro. Porém entre os homens temos a limitação de idade (até 23 anos, com 3 exceções), que faz com que tenhamos, ainda mais no caso brasileiro, uma seleção hibrida. É uma equipe que nunca jogou junto e que possivelmente nunca mais atuará em conjunto, já que muitos dos convocados para o Rio não deverão voltar ao time principal mais para frente. O mais lógico seria fazer um torneio Sub-20, sem atletas além desta idade, com uma equipe que não atrapalharia tanto o calendário dos times principais e serviria mais para mostrar novos talentos.

Sendo assim o torneio olímpico de futebol masculino não é tão representativo. Mas principalmente depois que o Brasil venceu duas Copas do Mundo (1994 e 2002), após longo jejum de conquistas, criou-se uma obsessão por essa medalha de ouro olímpica, muito além do que realmente vale este torneio. Porém, poucas vezes o time brasileiro foi bem preparado para, de fato, vencer a competição. Desta vez a equipe até teve alguns amistosos, comandados pelo técnico Rogério Micale, mas em nenhum deles fez um futebol de “encher os olhos”. Além disso, com a quase obrigatória entrada de Neymar na equipe, ela terá de mudar um pouco suas características.

E aí que entra o motivo deste texto. Com o destaque que conseguiram em seus clubes, Luan do Grêmio, Gabriel (Gabigol) do Santos e Gabriel Jesus do Palmeiras já chegam na equipe olímpica com muita moral, mas principalmente, cercados de um grande inimigo que quase sempre aparece nas preparações de seleções brasileiras: O oba-oba. Quase que num passe de mágica, o Brasil já se tornou mais favorito do que já é normalmente (pela sua história e tradição que devem ser respeitados). Mesmo sem vermos esse time em campo já vi alguns comentaristas exaltarem de forma empolgada o novo time canarinho. Elogiam os métodos de Micale (que ainda não ficaram bem claros, pelo menos para mim) e até mesmo propõem que o time jogue com os 4 atacantes juntos em campo!

Tenho sérias dúvidas de que a maioria dos comentaristas conheçam os times de Argentina e Alemanha, que certamente serão mais citados como “os únicos” que podem tirar o título do Brasil. Talvez nem saibam bem os destaques dessas seleções, já que nenhuma grande estrela foi convocada nos dois países. Isso sem falar em seleções como Colômbia, Portugal e Nigéria, que são poucos lembradas, mas que possuem potencial histórico para fazer bom papel por aqui. E isso me incomoda muito. Como disse no texto sobre Portugal campeão da Eurocopa, não dá para fazer o futebol apenas com base em estudos e estatísticas. Não adianta também ficar olhando números e confiar cegamente neles. Mas um pouco de cuidado na hora de falar e observar o quadro atual seria interessante. seleção olímpica bola parada

O trabalho de Rogério Micale tem bons sinais, ele parece ser um estudioso do futebol. Mas ainda tem pouca experiência em competições sob intensa pressão. Ele ficar como treinador era a melhor opção, diante da bagunça que a CBF vive a algum tempo (e também porque Tite é técnico da Seleção principal e tem de se preocupar com as Eliminatórias para a Copa do Mundo), mas também não poderia ser tão exaltado como vem sendo, só por dar boas entrevistas coletivas. O conjunto do trabalho dele só vai ser comprovado no campo, assim como o time que ele está montando. E me desagrada muito esse clima de “ninguém segura” o Brasil.”, só pelos bons atacantes que temos. Cheira arrogância e desconhecimento e o resultado dessa combinação não costuma ser positivo.

O Brasil pode vencer o ouro olímpico no futebol masculino e mesmo no feminino, tem qualidade técnica para isso. Mas estes fatos não escondem o trabalho cheio de erros e equívocos no nosso futebol, muito pela incompetência e omissão dos clubes e pelos desmandos orquestrados pela CBF. E no caso específico do futebol entre os homens, apenas o fato de termos alguns (não tantos assim) talentos individuais, não faz o time brasileiro vencedor por antecedência, como alguns já parecem acreditar. Cautela é sempre necessária.

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PostHeaderIcon O Não Necessário e Outros Temas

Com certo atraso vou “replicar” o texto do Marco sobre a chegada do Tite à Seleção Brasileira. Em termos de nome para o cargo de treinador do time nacional, de fato, não havia muita dúvida de que o ex-técnico do Corinthians era, no momento, a melhor opção. Porém algumas atitudes já deixam claro que mudanças mais profundas dentro da estrutura do futebol nacional não devem ocorrer tão cedo.

Sei que é um pouco demais exigir todas as virtudes do mundo em uma só pessoa e Tite é humano, passível de erros como todos. Mas se você olhasse as matérias e o tom de comentários um pouco antes da chegada dele à Seleção, a impressão que se tinha era que um novo Messias, o Salvador da Pátria estava chegando. Sendo assim a imprensa muitas vezes também ajuda no clima de “salvacionismo de resultados” que impera por aqui. Vemos isso diariamente nos clubes e a Seleção é só o aspecto mais visível disso. Assim como aconteceu em 2001 com a chegada do Felipão, já mostraram que Tite é bom filho, bom pai, uma pessoa “do bem”. E com isso a mudança que verdadeiramente precisaria acontecer no futebol brasileiro, começando pelos clubes, passando pela estrutura geral de treinos e tática, a organização de campeonatos melhores em condições mais adequadas para que os melhores jogadores e jovens fiquem ao menos por mais tempo por aqui (a “disputa” na imprensa por Gabriel Jesus é um assunto que abordarei em outro post), fica mais uma vez adiada, ainda mais se o time brasileiro melhorar seu rendimento, coisa que é bem possível de acontecer, pois agora teremos um treinador de fato dirigindo a equipe. tite del nero bola parada

Porém não tem como não criticar Tite pelo fato de aceitar o cargo de técnico do Brasil tendo, em dezembro último, assinado um manifesto pedido a renúncia e saída (mais do que justificada) do atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero. É evidente que muitos no lugar do treinador possivelmente também relevariam esse “pequeno detalhe” para poder vivenciar o sonho de ter o cargo mais cobiçado do futebol brasileiro e Tite disse que ajudaria mais o futebol brasileiro sendo o técnico da Seleção. Porém uma recusa de Tite poderia mostrar que nem todos são seduzidos por uma proposta a ponto de mudar de opinião sobre determinado assunto, ainda mais algo tão sério como o comando do futebol nacional. E ele teria o apoio da maioria da população que hoje tem certa ojeriza a tudo que a CBF representa de ruim para o esporte. (faço o adendo que o Rogério Ceni também assinou o mesmo manifesto e aceitou trabalhar como “auxiliar pontual” durante a Copa América, ou seja, incoerência idêntica). Além disso o fato dele levar seu filho Matheus Bachi, para ser seu auxiliar mostra que a meritocracia não se aplica a todos na hora de trabalhar em qualquer área por aqui. Ele pode ser competente e já o auxiliava no Corinthians, mas penso que até em nome de uma ética de trabalho numa perspectiva de mudanças, Tite poderia evitar esse ato que não deixa de ser um nepotismo.

Como disse acima, a chance da Seleção Brasileira melhorar de desempenho é grande. Em termos de currículo Tite conquistou todos os títulos possíveis e tem capacidade de organizar o time. Talvez não jogue o futebol “bonito” que muitos ainda idealizam e cobram que a Seleção Brasileira sempre jogue. Mas a eficiência e qualidade que suas equipes costumam mostrar tem de ser valorizada. Porém o futebol brasileiro, ao que tudo indica, fica refém de resultados por mais 2 anos, esperando que mais um título na Copa da Russia apague muitas sujeiras feitas por quem manda e comanda o esporte por aqui. Só que para dar tudo certo como aconteceu em 2002 o Brasil vai precisar de muito mais do que apenas sorte. Competência Tite possui, mas o trabalho será árduo.

*****

A Eurocopa que vem sendo disputada na França tem tido momentos triste com as brigas fora de campo. É uma mostra que o problema da ignorância do ser humano é global e não algo exclusivo dos “selvagens” (para alguns preconceituosos) sul-americanos. Porém não há dúvida que na Europa existe uma vontade maior de se punir os envolvidos em baderna, ainda que não seja fácil e que as confederações envolvidas, que poderiam ter sido eliminadas por causa dos brigões tenham apenas levado uma multa pelos problemas. De todo modo existe uma pré-disposição de punir, mesmo que falhas em segurança existam em todo e qualquer lugar.

A parte boa é a festa das torcida de seleções menos tradicionais como Irlanda, Irlanda do Norte e Islândia que se classificaram para as oitavas de final e mostraram uma alegria incontida nas arquibancadas e fora dos estádios também. Por um lado é legal que essa festa tenha ocorrido e mostra que o futebol tem esse lado lúdico e que ainda faz com parte da população tenha momentos genuínos de emoção. Porém é preciso dizer, no meu modo de ver, que o aumento de 16 para 24 seleções na fase final da Euro, diminui um pouco o nível técnico médio da competição. Alguns jogos foram sonolentos e times precisavam basicamente de uma vitória para se classificar (Portugal com um time limitado mais uma vez, nem precisou ganhar para avançar). Para um torneio regional, 16 seleções estavam de bom tamanho.

Dentro de campo, das surpresas citadas acima, a Islândia mostrou um time surpreendente, com bom toque de bola e maturidade; pode até complicar para a Inglaterra que possui bons valores, mas ainda se mostra incapaz de concluir e “matar” um jogo que domina, além de muitas vezes dar sustos na defesa. Alemanha e França possuem os times mais fortes, mas ainda não jogaram tudo que podem e sabem. Itália e Espanha vão se cruzar logo nas oitavas e é um jogo imprevisível, ainda que o time espanhol seja bem mais técnico. E do outro lado da chave a Bélgica pinta como favorita pelo elenco que possui, mas ainda não jogou tanto quanto a Croácia, que tem um ótimo meio-campo, e nem tem um jogador tão decisivo como Bale é para o Pais de Gales.

E é aquilo, agora que o torneio vai ficar ainda melhor, ele vai acabar mais depressa na fase de mata-mata. É uma pena, mas a política do futebol leva à esse inchaço de seleções em um torneio que poderia ser ainda mais forte.

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Falta ainda uma palavra sobre a final da NBA. O Cleveland Cavaliers, conseguiu virar de forma heroica a série contra o Golden State Warriors e foi campeão pela primeira vez do torneio estadunidense de basquete. O time de Oakland se desgastou demais para vencer a temporada regular batendo o recorde de vitórias do Chicago Bulls de 1996 (73V e 9D) e com isso sentiu demais o cansaço e as contusões na fase de playoffs. O time de Cleveland não contou tanto com “planejamento” para vencer o campeonato; trocou o técnico no meio do caminho e ficou com Tyronn Lue, um ex-jogador que nunca tinha dirigido um time antes como técnico principal. Mas contou com o brilho de suas duas estrelas maiores para vencer o título. kyrie lebron bola parada

Lebron James é um craque indiscutível, mas a mídia em torno dele para transformá-lo em um novo Michael Jordan é meio exageradas às vezes. Pode parecer bobagem o que estou escrevendo, mas nos EUA a condição de termos um “super-herói” para ser o carro-chefe de vendas e destaque da NBA para o mundo me parece ser uma necessidade incrível e que beira a loucura. Quando saiu de Cleveland para jogar no Miami Heat fizeram até um programa especial para mostrar Lebron indo levar os “seus talentos” para o Heat. Um exagero que fez com que ele ficasse marcado como jogador que só conseguiu ser campeão com ajuda de outros craques, como Dwayne Wade e Chris Bosh. Ou seja, pela imagem muito exposta ele pagou um preço alto por isso. Porém é inegável sua qualidade e capacidade para comandar a equipe dentro da quadra, mas sozinho ninguém vence campeonato.

As atuações de Kyrie Irving na final foram sensacionais e a companhia dele junto à Lebron foi fundamental para o título dos Cavs e merece ser MUITO lembrada, até pela cesta da vitória ter sido dele. Sendo assim o título foi merecido pela virada e pela raça demonstrada em quadra, além da qualidade dos seus craques.

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PostHeaderIcon E Agora, Adenor?

Antes de falar sobre o Tite, quero repetir o que sempre pensei sobre a carreira de Dunga como treinador. Nunca entendi! Não sei como e porque ele virou técnico da CBF. Muito menos o motivo de sua volta, após o vexame de 2014. Aliás, depois de 94, a única escolha compreensível foi a do Felipão em 2001/2002. Todos os demais foram um passo para trás, ou pro lado. Involuímos e colecionámos fracassos. Um fato notório e visível, ainda que ignorado por grande parte da mídia e dos torcedores.

Também é sabido que a CBF se comporta como um orgão separado do futebol brasileiro. Ela cuida de si, todo o resto que se dane. É uma posição confortável. Recebe o bônus, mas não carrega o ônus. Basta ver o desprezo da entidade pelos torcedores daqui ao vender seus amistosos para uma empresa árabe. Ou a diferença de tratamento que recebem os clubes brasileiros e os estrangeiros. É algo claro e indiscutível.

Também é indiscutível a rejeição, cada vez maior, que a seleção provoca na torcida. Ainda que, como disse o Alexandre, bons resultados possam reverter parcialmente essa rejeição. Só parcialmente. E se os resultados vierem. Se e quando.

Sigamos… Então, após outro desastre, descobriram que o Dunga não servia. Sério! Levaram 2 anos; e isso na 2ª passagem do Dunga. 2 anos de testes, experiências, desculpas e explicações. 2 anos que levaram a seleção do nada para o lugar nenhum.
técnico Tite
Hoje o Tite deve assinar oficialmente o contrato com a CBF. E o Rogério Micale deve ficar encarregado da seleção olímpica. Ponto!

É inegável que o Tite é muito mais técnico que o Dunga. Assim como não se discute que ele é quase unanimidade entre a mídia, boleiros e torcedores. Foi uma escolha óbvia.

Mas e agora? Certamente os futuros convocados pelo Tite serão em grande parte os mesmos que o Dunga já convocou. Talvez apareçam 3 ou 4 nomes diferentes; mas nenhum que faça uma diferença absurda. O estilo dos times do Tite é amplamente conhecido. Uma defesa sólida, linhas mais próximas, recomposição rápida, laterais acionados com frequência… E, certamente, uma boa relação com o elenco.

É 99% certo que a seleção do Tite será melhor que a do Dunga. Mas é bom avisar que o Adenor não é o salvador da pátria. E muitos estão esperando um salvador, um messias. Mas isso não existe. Quem espera um salvador vai quebrar a cara. E quem espera uma revolução também!

A verdadeira questão é saber o que se deseja. Se vocês acham que o Dunga é o único problema do futebol brasileiro, estamos perto da solução. Se pensam que o problema é mais profundo e necessitamos de uma “nova ordem futebolística”, não devemos esperar isso do Tite. Se precisamos de uma imensa revolução no nosso futebol, ela não virá pelas mãos de uma única pessoa. Não é uma mágica que acontece em minutos. Não peçam isso ao Tite!

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PostHeaderIcon A Nova Rotina

Por mais que o Brasil tenha sido eliminado da disputa da Copa América Centenário por um erro crasso da arbitragem que não viu o toque de mão na bola por parte do jogador Ruidiaz que fez o gol do triunfo peruano, não existe explicação para um treinador, num jogo eliminatório com 3 substituições disponíveis e com o time perdendo, não fazer as trocas. Só por isso o Dunga, caso a CBF fosse séria, já poderia perder o cargo no vestiário. Sem contar a não convocação de Thiago Silva, melhor zagueiro brasileiro, por pura pirraça. Pode parecer um paradoxo mas, como foi muitos lembraram instantaneamente, Dunga já fez (ou não fez, dependendo do ponto de vista) a mesma coisa acontecida ontem em 2010 na eliminação contra a Holanda na Copa do Mundo. Ou seja, não dá para dizer que ele merece crédito, pois já teve uma segunda chance de trabalhar e mostrou não ter evoluído em nada.

Dunga se mostra sendo alguém que até escala o time com alguma lógica (até porque não temos tantas opções para mudanças assim), mas não têm um chamado plano B e fica completamente perdido para mudar a tática da equipe. Uma simples mudança do técnico adversário Ricardo Gareca fez com que eu ficasse até com um pouco de pena dele na beira do campo, completamente perdido e sem saber o que fazer. Algo parecido já tinha acontecido no jogo contra o Equador. Como o Marco já disse várias vezes aqui, ele nem é treinador de fato, a dura realidade é essa. brasil peru copa américa bola parada

Obviamente Dunga nem deveria ter voltado para a Seleção, só que o problema é muito mais amplo. Não adianta acharmos que basta Tite assumir o comando técnico da Seleção o futebol brasileiro vai melhorar. A equipe pode até evoluir e ganhar títulos, mas a mudança que estamos precisando é muito mais estrutural do que qualquer outra. Um país que consegue se confundir até para montar uma seleção olímpica, que tem um técnico que treina a equipe por 2 anos, mas não dirige na época da competição, precisa começar praticamente desde o zero a mudar sua direção, com uma limpeza total na CBF e também nos clubes, que são coniventes com o que está se passando.

Sobre o time em si e voltando ao Tite, é bom lembrar que o estilo dele não é o que se exige da Seleção. Aí podemos dizer que a chamada soberba futebolística nacional, que diz que somos o país da habilidade, do futebol bonito, também está presente nessa definição, mas penso que ele, caso seja confirmado como treinador nacional, também seria criticado pelo seu estilo pragmático e também pelos conceitos quase professorais que coloca em sua coletivas. Além disso ele teria um grupo que precisa mostrar mais personalidade também nas adversidades, coisa que tem faltado ao Brasil a algum tempo. E ele, mesmo sendo talvez o nome mais óbvio que temos no país hoje, teria certa dificuldade para pôr em prática o que pensa.

Na realidade eu preferiria que Guardiola ou o Sampaoli assumissem o cargo e ficassem como condutores de um projeto que contemplasse a base, de forma a permanecer 8 anos pelo menos, pois assim teríamos ao menos uma perspectiva de mudança real e uma ideia de jogo mais próximas das tradições ofensivas brasileiras, aliada ao que se joga hoje em dia no mundo. Com uma mudança de comando da CBF poderíamos ter ideias novas dentro e fora de campo. Mas ao mesmo tempo eu penso; a imprensa por exemplo teria paciência com esse trabalho de longo prazo? As pessoas aceitariam maus resultados em amistosos? O corporativismo dos treinadores locais seria um empecilho?

Acho que tudo deve ser levado em conta e o próprio conceito de futebol por aqui, a estrutura toda, tem de ser repensada de alguma forma. Pode ser algo utópico essa mudança para agora, mas quanto mais ela demorar a acontecer, mais vexames acontecerão.

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PostHeaderIcon A Culpa dos Clubes e a Ausência de Ideias

Ainda sou de uma época em que a Seleção Brasileira era uma verdadeira e indiscutível paixão nacional. Ela era tão reconhecida e respeitada que, mesmo quando um jogador do nosso time era convocado, havia comemoração e respeito pois um reconhecimento importante estava sendo feito. Porém essa situação mudou drasticamente com o passar do tempo. E agora estamos vendo uma situação que beira o absurdo total.

O campeonato Brasileiro não para e é disputado em meio à Copa América Centenário, que está sendo disputada nos Estados Unidos. Com isso jogadores de clubes importantes são cedidos à Seleção e desfalcam as equipes nacionais, causando assim uma ojeriza ao time nacional, que vem sofrendo gradativamente a algum tempo um processo de desgaste junto ao público.

Não que as pessoas não assistam mais aos jogos do Brasil. Ainda existe público, repercussão e vejo que as pessoas querem gostar da Seleção. Mas a coleção de erros, equívocos, convocações (e não convocações estranhas) e más atuações, somadas aos maus resultados recentes, diminui um carinho que era mais geral na população brasileira em relação ao time nacional. Não é incomum ouvirmos pessoas que dizem que não estão nem aí para o “time da CBF”. cartolas bola parada

Porém penso que existe um certo exagero em colocar a culpa de TODO o problema do futebol brasileiro apenas na Confederação sediada no Rio de Janeiro. O poder vigente está de pé ainda porque os CLUBES votam e elegem os atuais (e os passados) mandatários do futebol brasileiro. Inclusive muitos deles nem podem ir aos Estados Unidos com medo de serem presos por crimes diversos. Além disso, não vejo essas mesmas pessoas dizerem que torcem contra seus clubes, sendo que muitos contam com cartolas envolvidos em casos enrolados de corrupção, ou mesmo de pura incompetência.

Essa situação atual de um Campeonato Brasileiro que não para, mesmo mutilado com vários times desfalcados por termos uma competição CONTINENTAL sendo disputada em paralelo à ele, é bizarra demais para ter apenas a CBF como responsável. Os clubes dão diversas provas diárias de insensatez e falta de preocupação em fazer um trabalho planejado.

Um exemplo que, à primeira vista pode não ter tanto a ver, mas que para mim é bem ilustrativo aconteceu nessa última semana. Givanildo Oliveira, após apenas 5 rodadas do Campeonato Brasileiro, foi demitido depois de quase 2 anos no cargo de treinador do América/MG, sendo que nesse período ele conseguiu fazer com que o time mineiro voltasse à Série A do Campeonato Brasileiro e conquistasse um Campeonato Mineiro depois de 15 anos. Mesmo com todas as evidências mostrando que o time mineiro vai brigar na parte de baixo da tabela, os dirigentes preferiram jogar a culpa de tudo num treinador que têm história no clube e simplesmente desprezá-lo e trocá-lo sem cerimônia. Todo o trabalho feito no ano até agora foi jogado no lixo. E certamente veremos mais casos assim brevemente durante o “imparável” Brasileirão.

Portanto, antes de apenas xingar a CBF na hora de criticar por termos o futebol que está aí, lembre-se que os clubes têm grande responsabilidade nisso. Se a situação não muda, deve ser boa para muita gente.

*****

Sobre a Seleção em si dentro de campo depois do primeiro jogo, temos de lembrar que o time do Equador, contra o qual o Brasil empatou em 0x0, evoluiu nos últimos anos e têm qualidade. Além disso Dunga teve alguns desfalques por contusão no seu grupo inicial, algo que atrapalha qualquer treinador. Porém não dá para entender o fato dele ter desprezado o tempo atual que terá para treinar a Seleção PRINCIPAL e deixar seu principal jogador (Neymar) de fora apenas por querer ganhar o ouro olímpico. (Esse é um assunto que voltaremos a falar mais à frente). copa américa 2016 bola parada

O time mostrou alguma evolução técnica com as presenças de Casemiro e Philippe Coutinho, mas se mostra extremamente limitado de ideias. Depois de um primeiro tempo até razoável, a equipe se perdeu em uma atuação medíocre na segunda etapa e Dunga não soube como transformar o sistema tático e as funções dos jogadores em campo. E essa falta de ideias é bem sintomática dentro do atual momento do futebol nacional. Precisamos de novas soluções fora de campo. E também dentro dele e tudo indica que Dunga, na função que lhe cabe, não conseguirá trazê-las.

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PostHeaderIcon Violência e Politicagem

Na última segunda o presidente em exercício da CBF Coronel Nunes, deu uma entrevista em que mostrou com toda a clareza o seu grau de desconhecimento sobre o futebol que ele comanda no momento, afinal está substituindo o licenciado Marco Polo Del Nero. Foi algo meio constrangedor até com o próprio Coronel, que claramente é um “laranja” colocado ali para perpetuação do mesmo poder. Mas não deixa de ser algo revelador, mostrando o estado de podridão do futebol brasileiro, algo de muito tempo até.

No dia anterior tivemos mais uma morte envolvendo outra briga de gangues que usam o futebol como meio para poderem cometer a mais variada gama de atrocidades e conflitos com seus “rivais”. Uma pessoa inocente, que estava passando no local em que baderneiros que usam as cores de Palmeiras e Corinthians, morreu atingida por uma bala perdida, engrossando assim o número já elevadíssimo de mortes relacionadas ao futebol nos últimos anos no Brasil.

Olhando rapidamente pode parecer que uma coisa não tem tanto a ver com a outra. A violência hoje em dia, infelizmente, é uma constante no Brasil e não aparece apenas relacionada ao futebol. Mas como nos casos envolvendo o esporte a repercussão é maior parece que elas são mais localizadas e sabemos que não é o caso. Porém no que é ligado de alguma forma à ação de gangues organizadas, o Estado Brasileiro, contando com a ajuda dos clubes e das federações e também da Confederação Brasileira de Futebol, poderia desenvolver saídas para minimizar o problema de alguma forma. E me chama a atenção como pouco ou quase nada sobre o assunto foi falado nos últimos anos, partindo da entidade que comanda o esporte mais popular do país. Não estou pedindo aqui que a CBF resolva essa questão, mas que ao menos se posicionasse. violência no futebol bola parada

Digo isso porque as soluções acabam sendo isoladas e, na maior parte das vezes, insuficientes. Como já aconteceu por algum tempo no estado de Minas Gerais, a polícia de São Paulo, junto à Federação local, decidiu que os clássicos no estado, pelo menos até o fim do ano, serão disputados com a chamada torcida única, ou seja, apenas o mandante do jogo terá direito de ter a sua torcida no recinto. Uma medida que já se mostrou insuficiente, pois a maioria das brigas nos últimos tempos têm acontecido em locais até razoavelmente distantes dos campos, como em estações de metrô por exemplo.

Além do mais essa situação escancara a incapacidade do Estado como um todo de controlar a violência de forma minimamente tolerável para o cidadão de bem. A inteligência para a precaução de conflitos, que muitas vezes são marcados pela internet e principalmente a punição para os brigões (alguns até muito conhecidos dos policiais) seriam ações fundamentais e muito mais efetivas para que a situação possa realmente melhorar. Locais que nem tinham muitos registros de violência desse porte como Goiânia, Belém e Fortaleza, se tornaram também recentemente palcos de espetáculos lamentáveis de arruaceiros que parecem felizes de aparecer na mídia toda vez que ocorre alguma ação mais chamativa dos seus bandos.

Um exemplo até não tão drástico também está nessa mania de bandos organizados invadirem os locais de trabalhos dos atletas para “cobrar mais empenho” de forma nada amistosa e contando com a conivência dos dirigentes da maioria das equipes. Recentemente vimos isso acontecer na Ponte Preta, no Palmeiras e no Flamengo, para ficarmos apenas em times da Série A de 2016. Isso para mim é algo que mostra também claramente a culpa dos clubes nessa situação pois são coniventes com esse tipo de gente, inclusive cedendo ingressos gratuitos para jogos. E essas invasões me cheiram a algo muito pior acontecendo. Talvez no dia de alguma coisa grave acontecer com algum jogador pensem em cortar relações com essa gente.

O futebol não é o principal problema do país, mas não deixa de ser um reflexo de algo que está errado em toda a sociedade. Sendo assim enquanto o Estado e os órgãos que controlam o esporte fizerem apenas ações midiáticas e populistas após cada tragédia, continuaremos apenas a lamentar os mortos que surgem em cada dia de clássico pelo país.

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