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PostHeaderIcon A Culpa dos Clubes e a Ausência de Ideias

Ainda sou de uma época em que a Seleção Brasileira era uma verdadeira e indiscutível paixão nacional. Ela era tão reconhecida e respeitada que, mesmo quando um jogador do nosso time era convocado, havia comemoração e respeito pois um reconhecimento importante estava sendo feito. Porém essa situação mudou drasticamente com o passar do tempo. E agora estamos vendo uma situação que beira o absurdo total.

O campeonato Brasileiro não para e é disputado em meio à Copa América Centenário, que está sendo disputada nos Estados Unidos. Com isso jogadores de clubes importantes são cedidos à Seleção e desfalcam as equipes nacionais, causando assim uma ojeriza ao time nacional, que vem sofrendo gradativamente a algum tempo um processo de desgaste junto ao público.

Não que as pessoas não assistam mais aos jogos do Brasil. Ainda existe público, repercussão e vejo que as pessoas querem gostar da Seleção. Mas a coleção de erros, equívocos, convocações (e não convocações estranhas) e más atuações, somadas aos maus resultados recentes, diminui um carinho que era mais geral na população brasileira em relação ao time nacional. Não é incomum ouvirmos pessoas que dizem que não estão nem aí para o “time da CBF”. cartolas bola parada

Porém penso que existe um certo exagero em colocar a culpa de TODO o problema do futebol brasileiro apenas na Confederação sediada no Rio de Janeiro. O poder vigente está de pé ainda porque os CLUBES votam e elegem os atuais (e os passados) mandatários do futebol brasileiro. Inclusive muitos deles nem podem ir aos Estados Unidos com medo de serem presos por crimes diversos. Além disso, não vejo essas mesmas pessoas dizerem que torcem contra seus clubes, sendo que muitos contam com cartolas envolvidos em casos enrolados de corrupção, ou mesmo de pura incompetência.

Essa situação atual de um Campeonato Brasileiro que não para, mesmo mutilado com vários times desfalcados por termos uma competição CONTINENTAL sendo disputada em paralelo à ele, é bizarra demais para ter apenas a CBF como responsável. Os clubes dão diversas provas diárias de insensatez e falta de preocupação em fazer um trabalho planejado.

Um exemplo que, à primeira vista pode não ter tanto a ver, mas que para mim é bem ilustrativo aconteceu nessa última semana. Givanildo Oliveira, após apenas 5 rodadas do Campeonato Brasileiro, foi demitido depois de quase 2 anos no cargo de treinador do América/MG, sendo que nesse período ele conseguiu fazer com que o time mineiro voltasse à Série A do Campeonato Brasileiro e conquistasse um Campeonato Mineiro depois de 15 anos. Mesmo com todas as evidências mostrando que o time mineiro vai brigar na parte de baixo da tabela, os dirigentes preferiram jogar a culpa de tudo num treinador que têm história no clube e simplesmente desprezá-lo e trocá-lo sem cerimônia. Todo o trabalho feito no ano até agora foi jogado no lixo. E certamente veremos mais casos assim brevemente durante o “imparável” Brasileirão.

Portanto, antes de apenas xingar a CBF na hora de criticar por termos o futebol que está aí, lembre-se que os clubes têm grande responsabilidade nisso. Se a situação não muda, deve ser boa para muita gente.

*****

Sobre a Seleção em si dentro de campo depois do primeiro jogo, temos de lembrar que o time do Equador, contra o qual o Brasil empatou em 0x0, evoluiu nos últimos anos e têm qualidade. Além disso Dunga teve alguns desfalques por contusão no seu grupo inicial, algo que atrapalha qualquer treinador. Porém não dá para entender o fato dele ter desprezado o tempo atual que terá para treinar a Seleção PRINCIPAL e deixar seu principal jogador (Neymar) de fora apenas por querer ganhar o ouro olímpico. (Esse é um assunto que voltaremos a falar mais à frente). copa américa 2016 bola parada

O time mostrou alguma evolução técnica com as presenças de Casemiro e Philippe Coutinho, mas se mostra extremamente limitado de ideias. Depois de um primeiro tempo até razoável, a equipe se perdeu em uma atuação medíocre na segunda etapa e Dunga não soube como transformar o sistema tático e as funções dos jogadores em campo. E essa falta de ideias é bem sintomática dentro do atual momento do futebol nacional. Precisamos de novas soluções fora de campo. E também dentro dele e tudo indica que Dunga, na função que lhe cabe, não conseguirá trazê-las.

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PostHeaderIcon Um Título, Duas Histórias

E o Real Madrid conseguiu sua décima primeira Liga dos Campeões da Europa ao bater o Atlético de Madrid nos pênaltis em Milão na Itália por 5×3 depois de um empate de 1×1 no tempo normal e na prorrogação. Pela diferença de estilos e mesmo de vida entre as duas equipes podemos definir a final com duas histórias muito distintas.

Para o Atlético de Madrid a frustração de sentir a terceira derrota em três finais disputadas é imensa. Mas dentro de suas possibilidades o time treinado por Diego Simeone consegue ser competitivo e renasceu no cenário internacional desde que o argentino assumiu o comando da equipe em 2011. Porém é preciso ver agora se Simeone permanece ou não no cargo, pois se fala que ele pode ir para a Inter de Milão. Creio que, se ele ainda tiver força mental para manter o pique da sua esquadra, ele pode continuar e manter o trabalho admirável que vem fazendo.

Claro que dentro de campo o time do Atlético não chega a encantar pela beleza. O que é compreensível pois o clube não possui os mesmos recursos financeiros que os seus maiores rivais (Barcelona e Real Madrid principalmente. No jogo final porém até penso que a equipe entrou muito retraída e assustada em campo o que se refletiu até o gol do Real Madrid feito em impedimento (discutível, pois é aquele lance de TV) por Sérgio Ramos. Só depois de estar perdendo de 1×0 que o time colchonero foi mais à frente, inclusive com a entrada do belga Carrasco que fez o gol de empate. real madrid bola parada

Porém o Real Madrid foi mais perigoso na maior parte do tempo, muito pelo seu maior número de jogadores talentosos como Bale, Kroos e Modric, suprindo um pouco a jornada apagada de Cristiano Ronaldo. Além disso Casemiro foi muito bem na proteção da defesa, confirmando sua boa temporada, que começou com o comando de Rafa Benítez e terminou com Zinedine Zidane sentado no banco de reservas.

Nesse ponto não dá para defender o Real e sua direção. A mentalidade continua extremamente perversa e objetiva. Ganhou (principalmente a Liga dos Campeões) fica; perdeu, vai embora. O ídolo francês que nunca tinha sido treinador conseguiu unir o grupo na virada do ano e, mesmo sem ter se provado ainda como um grande tático à beira do gramado, foi importante em manter o time espanhol vivo na sua competição preferida. Mas não dá para dizer que vitória foi na base do planejamento, tirando claro o financeiro.

Já dissemos aqui que a diferença financeira entre os clubes na Champions League faz a balança pender para certos lados e temos visto isso claramente nos últimos anos. Os gigantes espanhóis e o Bayern de Munique venceram as últimas edições do torneio, além do “novo rico” Chelsea que ganhou em 2012. Então não dá para não reconhecer o esforço do trabalho mais “braçal” do Atlético de Madrid. Porém, em termos de qualidade técnica, o décimo primeiro título do Real é justo e coroa quem investe na ofensividade dentro de campo.

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PostHeaderIcon Globo, Turner e os Direitos Esportivos

Vou seguir o artigo do Alexandre onde ele comentou sobre a perda de direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro por parte da Band. E, antes de mais nada, reafirmo que o fato é altamente prejudicial para a emissora e ruim para o telespectador; ainda que possamos questionar a qualidade da transmissão da emissora do Morumbi. Mas, no meio de tantas coisas que são escritas sobre o fato, gostaria de colaborar com algumas informações e opiniões.

– O rompimento foi uma decisão da Band. Ainda que o futebol fosse seu produto mais valioso e gerador de boa fatia de seu faturamento.
– O futebol nunca foi a causa dos problemas financeiros da emissora. Ao contrário, melhorava sua grade e trazia receita indireta.
– A tal cláusula de obrigatoriedade dos mesmos jogos que a Globo exibia é algo perfeitamente compreensível no meio empresarial. A Globo não tem obrigação de fazer filantropia. O futebol é o produto mais caro na televisão brasileira. E a Band pagava um pequeno percentual do custo, menos de 10%.
– Pagando uma pequena parcela do custo do futebol, não se justificaria exigir jogos exclusivos. Ainda mais que a Band precisaria de 2 jogos exclusivos, um para SP e outro para o resto da rede. Como a Globo também exibe 2 ou 3 jogos por rodada, teria que abrir mão de 1.
– Se existe o tão proclamado monopólio, a culpa maior é dos clubes. Eles abandonaram a negociação coletiva e optaram (estupidamente) pelos acordos individuais. Sem falar que os clubes nunca conseguem negociar nada além dos valores. Não enxergam o futebol como um produto único. Encaram a cota de televisão como um cheque especial que vai cobrir seu rombo financeiro.

Mais estranho ainda foi ver o CADE fazer uma consulta às emissoras restantes, cheia de perguntas subjetivas e descabidas. Nenhuma emissora tem condição de cobrir a oferta da Globo. O valor que a Globo paga é quase metade de todo faturamento da Record. É maior que o faturamento anual do SBT. E é praticamente o dobro do faturamento da Band e Rede TV. Sem falar que em alguns casos, como do SBT, não existe interesse no produto. Não é preciso ser um gênio para saber destes fatos.

Diante do rompimento da Band, a Globo procurou as demais redes. O SBT, compreensivelmente, nem aceitou dialogar. A Record rejeitou a pedida de 140 milhões, cerca de 5% de sua receita. Assim como a Rede TV recusou pagar 120 milhões; um valor alto em proporção ao seu faturamento. Mas eu acredito que este seja o caminho mais viável. Basta um belo desconto no valor exigido. E um acordo com a Rede TV seria o mais interessante para a Globo, afetando muito pouco a sua audiência.

* * * * *
turner sports
Ao mesmo tempo em que ocorrem estas idas e vindas na TV aberta, vemos movimentos fortes na TV fechada. O grupo Turner, por meio do Esporte Interativo, vem ganhando espaço na disputa pelos direitos de transmissões de futebol. Começou com a Champions. Depois tivemos uma confusa negociação (individual) pelos direitos do Brasileirão em TV fechada. A ação consumiu 550 milhões e rendeu poucos frutos para a emissora, já que a maioria dos clubes envolvidos está na Série B. Agora surgem rumores de que a Turner ofereceu 100 milhões pelo campeonato Carioca; por um período não sabido.

Podem ficar tranquilos, não vou fazer nenhuma ironia sobre a oferta de 100 milhões por um “campeonato falido”. Aqui se fala, aqui se paga! Mas, seriamente, vale tudo isso? É economicamente viável? É uma concorrência leal ou é um investimento a fundo perdido? Qual empresário, em sã consciência, investiria 100 para ter um retorno de 40 ou 50? Vocês fariam este negócio? Talvez, se tivessem dinheiro para queimar!

Curiosamente, ou nem tanto, não vejo tantos questionamentos quando a Turner despeja seus milhões em propostas questionáveis. Nem o CADE faz indagações para os demais canais esportivos. Não se fala em monopólio. Nem em concorrência desleal. Nem em dumping inverso. Acho que poucos sabem o que é dumping, imagina dumping inverso. Pois dumping inverso ocorre quando se paga um valor acima do praticado no mercado, visando anular os concorrentes e dominar o setor. Se for o caso, posso desenhar.

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PostHeaderIcon Como Explicar?

Depois de um início de ano complicado e sem grande perspectiva de melhorias de títulos e enfrentando uma grande desconfiança o São Paulo conseguiu avançar na Libertadores. Eliminou o Atlético/MG e chegou até a semifinal da competição, onde enfrentará o Nacional de Medelín, que fez a melhor campanha do torneio até aqui.

Pode-se dizer que foi uma surpresa pelo fato do elenco são-paulino não mostrar um comprometimento que nos permitisse imaginar que isto aconteceria. A equipe desde o ano passado mostrava uma certa falta de compromisso que chamava a atenção, ainda mais em jogos decisivos. Além disso a defesa Tricolor sempre foi um ponto vulnerável da equipe. Essa vulnerabilidade continua em alguns momentos, com falhas principalmente de Denis e de Rodrigo Caio, este último inexplicavelmente convocado para a Seleção que vai para a Copa América Centenário nos EUA. Mas um achado da equipe foi a contratação do zagueiro Maicon, que veio por empréstimo do Porto de Portugal. Agora com seu contrato provisório acabando, é fundamental para o São Paulo que ele permaneça, pois ele dá uma segurança e qualidade indispensáveis à zaga paulista. são paulo libertadores bola parada

Mas mesmo tendo uma defesa que assusta em algumas ocasiões, o técnico argentino Edgardo Bauza conseguiu ajustar a equipe na Libertadores (depois de penar no Paulistão) com seu esquema 4-4-1-1. Paulo Henrique Ganso joga mais solto, perto do centroavante argentino Calleri. E com isso os jogadores pelos lados do campo (Kelvin e Michel Bastos), jogam fechando mais o meio campo e dando mais proteção aos laterais. Calleri foi uma aposta pessoal de Bauza e tem se mostrado útil, se sacrificando muitas vezes nesse sistema tático, ficando mais isolado. Mesmo assim, é o artilheiro da competição até o momento.

Pode-se discutir se esse jeito de jogar do SP é o melhor, se é vistoso, mas o próprio Bauza já disse que não está preocupado em ser vistoso. É uma forma eficiente de se jogar e tem de valorizada, ainda mais em uma competição eliminatória. Além disso, o trabalho do treinador argentino em acreditar nos atletas e conseguir fazer com que jogadores como Wesley, Ganso e Michel Bastos mostrem mais disposição e comprometimento dentro de campo deve ser valorizado.

Claro que por não ser daqui ele talvez não se sentisse tão à vontade em chegar e promover uma mudança maior no elenco são-paulino (fato que eu teria feito na virada do ano e escrevi mais de uma vez aqui). Não que eu ache que o grupo do São Paulo ficou perfeito de uma hora para outra, longe disso. Ainda penso que algumas peças são falhas. Mas o trabalho de Bauza em fazer o que fosse possível com o que tinha é louvável. É evidente também que uma competição eliminatória permite um jogo menos vistoso, mas o que vale para qualquer partida, e me parece que esse time do São Paulo conseguiu construir, é uma formação de vontade e garra que não existia antes.

O título ainda está longe de vir. O São Paulo ainda precisa aprender a vencer fora de casa, fato que ainda não conseguiu na atual Libertadores (ou, pelo menos, jogar como jogou contra o River no Monumental de Nuñez). Além disso o Nacional de Medelín é uma ótima equipe, que joga ofensivamente e com velocidade e dará muito trabalho. Além disso, o São Paulo não pode desprezar o Brasileiro, pois até o primeiro jogo da semifinal continental ainda falta mais de um mês, muitas partidas pelo nacional serão disputadas e abandonar o Brasileirão, como algumas outras equipes já fizeram em situação semelhante não me parece ser uma boa ideia. Porém o time de Bauza se reinventou na raça e na vontade em campo e isso faz com que ele seja uma equipe bem mais difícil de ser batida do que era tempos atrás.

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PostHeaderIcon Equilíbrio e Desistência

O Campeonato Brasileiro da Série A começou neste último fim de semana. E com ele a discussão de quem será favorito logo aparece. Nós aqui no Bola Parada (tanto o Marco quanto eu) concordamos que é bastante óbvio que existe o chamado nivelamento como ele próprio disse na última coluna. O que me chama a atenção é como a discussão de “parâmetros” para o recém-iniciado torneio é colocada.

Como não tivemos os times de maior poder aquisitivo vencendo nos torneios estaduais principalmente de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, surge aquele papo, principalmente na mídia, de que “não existem favoritos para o Brasileirão”. Primeiro é preciso lembrar que TUDO é parâmetro. Se não fosse, o estadual não seria transmitido, discutido e comentado, até por emissoras que não o transmitem e ficam falando mal dele o tempo todo (mas mesmo assim não deixam de abordá-lo em seus inúmeros programas de debate).

Mas ele é parâmetro pois para um trabalho que dará resultado em um torneio longo e de pontos corridos, como é o Brasileiro, é necessário saber como os times estão e se podem evoluir. E como o Marco falou no texto anterior e pelo que vimos na primeira rodada do Brasileirão, onde o nível técnico de modo geral deixou a desejar, estamos vendo o início de um campeonato muito equilibrado. E isso necessariamente não é um bom sinal. brasileirão 2016 bola parada

Dizer que o Brasileiro têm muitos favoritos e é um torneio difícil mostra muito mais o nivelamento por baixo da maioria das equipes. Por mais que o valor das cotas de TV tenha subido nos últimos anos, a maioria dos clubes vive sem dinheiro. E as mudanças nos elencos, tanto de saídas quanto de chegadas de jogadores, são constantes. Além da troca dentro de campo, fora de campo os treinadores normalmente não vem tendo muita estabilidade para manter um trabalho e isso também prejudica a formação das equipes.

Para completar nesse começo de campeonato temos times em realidades completamente diferentes. Alguns ainda na Libertadores, outros na Copa do Brasil. Muitos times vêm de títulos estaduais, mas outros vem de derrota (e consequentemente crises) nos torneios locais. Ou seja, cada um larga de um ponto de partida diferente e não existe uma base única de análise.

Mas falando especificamente dos favoritos (que não são claros); desde o começo dos pontos corridos são basicamente os mesmos. São Paulo e Internacional sempre estiveram no grupo de cima. Santos, Fluminense e Cruzeiro também, ainda que enfrentaram algum campeonato mais instável no meio do caminho. O Flamengo nunca caiu, mas nunca também foi um favorito claro, mesmo no ano que venceu o título. Atlético/MG, Corinthians, Grêmio e Palmeiras já amargaram rebaixamentos, mas conseguiram, de formas distintas, se recuperar e hoje estão de volta entre os grandes. Dentre eles deverá sair o campeão (o que não é nenhuma novidade), ainda que hoje seja impossível apontar alguém mais destacado entre essas equipes. E não acredito que um “Leicester” apareça por aqui; como disse acima o equilíbrio entre os grandes impede até mesmo que uma surpresa tão grande apareça.

*****

O que foi surpresa também, mas dessa vez no campo das transmissões de TV, foi a desistência da Bandeirantes em exibir o Brasileirão. Não vou entrar muito nos problemas financeiros e de programação da emissora, pois o blog se foca mais no futebol e na transmissão esportiva em si, mas são bem claros os equívocos de escolhas e opções vistos por lá. De modo geral a audiência do canal sempre foi pequena, mas para os padrões (baixos) da emissora, era um bom investimento transmitir o futebol. E também para quem não gosta da transmissão da Globo, era uma opção. Mas que, de modo geral, não fará grande falta. bandeirantes futebol bola parada

Primeiro porque os jogos exibidos eram os mesmos da “matriz global”, algo bem discutível dentro de um acordo. As opções seriam mais relevantes de fato se fosse permitido à Band poder exibir ao menos um jogo diferente por rodada. Mas a emissora paulista sempre pareceu gostar de ficar à sombra da Globo, então a mesmice era uma constante na escolha de jogos a serem exibidos.

Além disso a equipe de transmissão era BEM discutível em termos de qualidade. Preferiam ficar fazendo fanfarronice e palhaçadas, com alguns comentaristas abaixo da crítica. Na verdade a equipe, por enquanto, continua existindo, com um constrangedor programa de propagandas após os jogos (que só são comentados quando sobra tempo entre um merchan e outro). Mas tenho dúvidas se vão continuar com isso por muito tempo.

A Globo e os clubes também têm um pouco de culpa em não pensar em dividir melhor os jogos entre mais de um canal. Seria interessante ver uma transmissão diferente e de qualidade em outra emissora mas, além da falta de visão dos interessados, também falta uma concorrência mais qualificada, como ficou claro a partir desistência repentina da Bandeirantes. Para quem não tem TV fechada, o jeito será ficar com a Globo por um bom tempo ainda.

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PostHeaderIcon Ano do Nivelamento

Todo começo de Brasileirão se faz a tradicional avaliação das possibilidades de cada clube no campeonato. Quem vai brigar pelo título, quem pode brigar por vagas e aqueles que vão lutar contra o rebaixamento. E, via de regra, os palpiteiros e comentaristas se valem do chavão de que o nosso campeonato tem 5, 6 ou mais candidatos ao título. Eventualmente, com certo esforço, se consegue reduzir este número para 3 ou 4. Mas neste ano a coisa tá bem diferente.

Não consigo ver nenhum favorito. Nem na parte de cima, muito menos na parte de baixo. O máximo que consigo é dividir os clubes em dois blocos de 10. Os 10 primeiros estão muito próximos e devem disputar as posições principais. Os outros 10, também parelhos, vão ficar na 2ª página da tabela. Também acho que o mínimo de pontos para evitar o rebaixamento será mais alto que nos anos anteriores.

Este nivelamento, por baixo, não é apenas teoria ou subjetividade. Pode ser comprovado nitidamente. Basta que qualquer torcedor se lembre do elenco de seu time em algum momento entre 2010 e 2015, e depois compare com o plantel atual. Acho que 98% vão encontrar um ano melhor. E 90% vão encontrar 2, 3 ou até 4 anos melhores. E aí não entra o saudosismo, já que é uma memória recente. É um fato. E vale pra todos os principais clubes do país.
brasileirão
Os motivos para esse nivelamento são bem conhecidos. Perdemos (vendendo) jogadores muito rapidamente e a reposição (formação) não ocorre na mesma velocidade e qualidade. Então a degradação é constante. Como se fosse uma floresta, onde se planta 100 árvores por dia, mas se corta 120. E nossos clubes vêm cobrindo este déficit importando jogadores dos países vizinhos. Mas, infelizmente, nem sempre com a qualidade necessária. Podemos ter mais dinheiro, mas isso não se traduz em equipes melhores.

Outro ponto, recorrente, é que a maioria dos clubes vendem e contratam jogadores ao longo da temporada. E alguns, com jogadores mais destacados, certamente sofrerão baixas sérias. O Santos é um destes. Já o Internacional, fora a saída do Alisson, terá mais reforços para se juntar ao jovem grupo que foi hexa no Gauchão.

O Palmeiras, do Cuca, é uma incógnita. Talvez a maior do campeonato. Pode engrenar, mas pode azedar de vez. O Grêmio parece ter mais problemas fora, que dentro de campo. Mas o elenco tem limitações claras. E o mesmo vale pro São Paulo, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo… Um precisa reforçar a zaga, outro precisa de atacantes melhores, ou de goleiro… Resta saber onde vão achar. E se vão encontrar. E aí eu volto a bater na tecla da reposição deficiente. É um problema nítido.

Em alguns casos, como no Botafogo, a limitação no elenco pode provocar um campeonato com “fortes emoções” para o torcedor. O estadual, razoável, não pode encobrir as fraquezas. Já cansei de falar nisso. Assim como já falei sobre o impacto da Libertadores para quem seguir, ou mesmo vencer a competição. Isso pode afetar o Atlético ou o São Paulo ao longo da temporada. E o efeito costuma ser nocivo. Mas na próxima quarta saberemos quem segue e quem será eliminado.

O assunto ainda vai seguir. Aguardem!

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