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Ontem terminou a Eurocopa e com ela, mais uma vez, vimos como o futebol pode ser um esporte, além de surpreendente, decidido por fatores extremamente subjetivos e pouco falados antes de qualquer competição. Não que as análises prévias sejam inúteis, como alguns comentam sempre que algum time melhor perde para outro inferior. Observar o adversário, saber e conhecer seus pontos fracos e fortes é muito necessário em qualquer esporte e no futebol não é diferente. Porém o título conquistado por Portugal ontem, numa vitória na prorrogação sobre a dona da casa França por 1×0 é mais uma prova de que uma equipe não se faz apenas com talento individual e qualidade técnica.

É um exagero dizer também que o time lusitano é totalmente fraco. Nas últimas cinco Euros disputadas, chegaram em quatro semifinais e agora fizeram a segunda final. Em 2006 ficaram em quarto lugar na Copa da Alemanha e em 2010 só perderam para a campeã Espanha. Ou seja não é um time ruim. Mas também é evidente que a má campanha na Copa realizado no Brasil em 2014 e o fato de não terem um craque indiscutível que possa chegar perto do talento de Cristiano Ronaldo faz com que a equipe seja sempre vista com desconfiança.

Portugal não fez uma grande primeira fase, se classificando apenas empatando as suas 3 partidas. Não é algo impossível de se acontecer, mesmo para um time passar de fase em segundo lugar. A Itália em 1982 avançou na Copa da Espanha empatando seus três primeiros jogos e acabou campeã. Mas o que chama a atenção e faz uma relação entre os dois acontecimentos é o fato de termos o aumento de 16 para 24 seleções, tanto na Copa do Mundo a 33 anos atrás quanto no torneio continental europeu que terminou neste domingo. Se já era um número exagerado para o torneio mundial naquela época, para um torneio mais “local” é completamente desnecessário. Vimos times como Irlanda do Norte, Albânia e mesmo a Turquia, que possui mais tradição no futebol, mostraram muito pouco merecimento técnico para atuarem em gramados franceses.

Mas sendo assim os portugueses se aproveitaram de uma possibilidade de classificação para chegar às fases de mata-mata. O futebol não era tão vistoso quanto o toque de bola alemão e espanhol, não havia a possibilidade de jogar em casa e com uma geração jovem e talentosa como acontecia com a França. Mas o espírito coletivo do time do técnico Fernando Santos foi admirável. Mesmo em jogos fraquíssimos como contra a Croácia, o time sempre se dispôs a jogar e tentar o gol, mesmo que de forma pouco técnica. portugal euro 2016 bola parada

Pepe, um zagueiro que eu particularmente não gosto por ser pouco técnico e muitas vezes violento, fez uma grande Euro. Desde 2013 com a passagem de Carlo Ancelotti pelo Real Madrid ele mudou um pouco seu perfil de “brigador” e se preocupou mais em jogar futebol. Renato Sanches, jovem promessa do Benfica já vendida para o Bayern de Munique, foi importante pelo dinamismo que deu ao meio-campo. E Cristiano Ronaldo, ao lado de Nani no ataque, conseguiram se entender e levar perigo aos times adversários constantemente. Ainda que faltasse alguém mais técnico na meia cancha (João Moutinho foi reserva a maior parte do tempo), Portugal foi eficiente e teve merecimento em sua conquista.

A França teve chance de vencer a decisão. Griezmann, talvez o melhor jogador individualmente da Euro (tanto que ganhou o prêmio da UEFA, num acerto) ao lado de Bale (que não foi nem citado na Seleção oficial, um erro), teve a chance de definir a partida em uma cabeçada e Gignac mandou a bola na trave no finalzinho do tempo regulamentar. Mas como disse no início, ao mesmo tempo em que fica claro que o futebol tem de ter técnica e estudo, algumas coisas acontecem de forma quase que sem explicação.

O que teve explicação claríssima, porém, foi o fato dos lusitanos, mesmo sem Cristiano Ronaldo machucado ainda no primeiro tempo do tempo normal, manterem a força na prorrogação e com o gol decisivo de Éder, conseguirem controlar o jogo tanto fisicamente quanto tecnicamente, sendo que os franceses pouco ameaçara depois da desvantagem. E como o jogo de torneio eliminatório não se resume à 90 minutos o título português tem também esse mérito.

Não creio que o futebol corra risco de ficar pior com o título de uma Seleção menos favorita. A qualidade é importante, mas existem formas diferentes de se vencer e acho válido tentar ver as diferentes formas de um título. Voltarei a esse tema, já que muitos viram (ou alguns que dizem que não vêem nada no futebol europeu, por preconceito e desconhecimento) apenas os deméritos da competição.

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PostHeaderIcon Uma Breve Despedida?

O quanto um resultado pode mudar uma história? Como a influência de um lance pode alterar toda uma carreira ou dar uma dimensão maior ou menor à quem erra ou acerta? Depois da final da Copa América entre Argentina e Chile, pudemos ver novamente essa situação voltar à tona.

O time chileno não vence a Argentina em jogos de Copa América há inacreditáveis 27 jogos, com 20 derrotas e 7 empates! Trocou de treinador (Jorge Sampaoli por Juan Antônio Pizzi) e parecia ter caído um pouco de desempenho, após perder para os argentinos na primeira fase por 2×1. Mas depois de uma vitória acachapante contra o México (7×0) conseguiu se fortalecer no torneio e, passando pela Colômbia nas semifinais, venceu, nos pênaltis, a Argentina, depois de um 0x0 no tempo normal.

Mas o assunto que dominou o noticiário, muito mais do que o título dos chilenos, foi a aposentadoria, ainda não totalmente definitiva, de Lionel Messi da seleção argentina. Digo não definitiva pois com os apelos de tantas pessoas e mesmo com visão de que pode ser algo que foi feito no calor de um momento de tristeza, a maioria imagina que o camisa 10 vai voltar atrás em sua decisão e retornar à seleção na busca pela vaga na Copa do Mundo de 2018. 

Passado um certo tempo do anúncio já feito, podemos imaginar se ele teria feito o mesmo, caso o resultado da final tivesse sido outro. Também podemos pensar que a ação de Messi tenha tido um pouco a ver com a bagunça na AFA (Associação de Futebol Argentino) e o seu gesto possa vir a ser um certo protesto contra a atual condição de bagunça com a qual os jogadores têm de conviver. Também podemos imaginar que o camisa 10 do Barcelona tenha tentado tirar o foco da derrota de seus companheiros, trazendo para si as críticas e toda a discussão pós-jogo. Ou mesmo podemos imaginar que ele simplesmente se mostrou mais humano e falível e simplesmente se cansou. messi argentina bola parada

É difícil julgar alguém de longe e a dor e o sentimento são fatores extremamente pessoais, mas de modo geral, levando em conta a importância que têm no futebol, penso que a atitude de Messi foi um pouco precipitada. Sendo líder de uma seleção tão importante, ele deveria ao menos levar o seu atual fardo de não conquistas até a Copa de 2018, onde pode ainda conseguir superá-lo. E caso aí não conquiste esse tão almejado troféu, possa refletir se permanece ou não jogando para seu país. É claro que o problema da AFA não se resolveu com a repentina saída de Messi, tanto que o treinador Gerardo “Tata” Martino, saiu do cargo, ou seja, os problemas do futebol sul-americano vão muito além do que acontece dentro de campo. E a melhor forma de Messi contribuir seria continuar jogando.

Além disso para quem gosta de futebol, é sempre bom vê-lo no gramado. Ele fez uma boa Copa América, se mostrando cada vez mais solidário com os companheiros em campo, jogando muitas vezes um pouco mais recuado para poder servir aos outros atacantes. Deu belos passes e criou chances de gols, além de fazer os seus. Portanto, ainda que seja algo estritamente pessoal, seria ótimo que Messi revesse sua decisão e pudesse retornar a usar a camisa 10 argentina. Esperemos que isso ocorra.

*****

Assim como a Seleção Argentina, no Brasil a confusão antes da Olimpíada também foi vista na escolha de quem seria o treinador e mesmo de quem faria a lista final de convocados. Ao menos houve um pouco de bom senso e Rogério Micale, treinador da Seleção Sub-20 foi o escolhido para dirigir o time no Rio de Janeiro. Quem nos acompanha aqui no blog sabe que não enxergo a Olimpíada como prioridade para o prosseguimento de um trabalho para um ciclo de Copa do Mundo. Claro que tudo vale como análise, mas esse trabalho já é feito pelas Seleções menores, em Mundiais Sub-17, Sub-20, entre outros campeonatos. micale seleção olímpica bola parada

Além disso é criada uma obrigação muito grande para se vencer um torneio com seleções que não são totalmente representativas de suas categorias de base. Alemanha e Argentina por exemplo não virão com todos os seus jovens talentosos, pois o torneio olímpico de futebol é um “corpo estranho” dentro do calendário de futebol internacional. A meu ver deveria ser um torneio apenas Sub-20, sem essa necessidade (ou atração forçada) de se levar 3 jogadores acima de 23 anos, coisa que nem todos os países fizeram. 

O Brasil escolheu por levar Neymar; uma escolha óbvia, mas errada no meu ponto de vista, pois ele deveria estar junto da Seleção principal na Copa América. Fernando Prass no gol é um goleiro de qualidade e faz sentido sua convocação pela experiência e também porque outros jogadores de idade menor não puderam ser chamados. E Douglas Costa fez boa temporada no Bayern e existe uma esperança dele ser desequilibrante no time futuro de Tite, ainda que não o coloque como protagonista no nosso futebol.

Sinceramente teria levado um zagueiro mais experiente, pois como o time ainda não existe em sua totalidade de armação, a presença de um jogador de mais cancha na defesa seria importante. Vamos ver como Micale monta a equipe e voltaremos ao tema por aqui.

(Assim como as semifinais da Libertadores e as fases finais da Eurocopa que serão abordadas nos próximos textos).

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PostHeaderIcon O Não Necessário e Outros Temas

Com certo atraso vou “replicar” o texto do Marco sobre a chegada do Tite à Seleção Brasileira. Em termos de nome para o cargo de treinador do time nacional, de fato, não havia muita dúvida de que o ex-técnico do Corinthians era, no momento, a melhor opção. Porém algumas atitudes já deixam claro que mudanças mais profundas dentro da estrutura do futebol nacional não devem ocorrer tão cedo.

Sei que é um pouco demais exigir todas as virtudes do mundo em uma só pessoa e Tite é humano, passível de erros como todos. Mas se você olhasse as matérias e o tom de comentários um pouco antes da chegada dele à Seleção, a impressão que se tinha era que um novo Messias, o Salvador da Pátria estava chegando. Sendo assim a imprensa muitas vezes também ajuda no clima de “salvacionismo de resultados” que impera por aqui. Vemos isso diariamente nos clubes e a Seleção é só o aspecto mais visível disso. Assim como aconteceu em 2001 com a chegada do Felipão, já mostraram que Tite é bom filho, bom pai, uma pessoa “do bem”. E com isso a mudança que verdadeiramente precisaria acontecer no futebol brasileiro, começando pelos clubes, passando pela estrutura geral de treinos e tática, a organização de campeonatos melhores em condições mais adequadas para que os melhores jogadores e jovens fiquem ao menos por mais tempo por aqui (a “disputa” na imprensa por Gabriel Jesus é um assunto que abordarei em outro post), fica mais uma vez adiada, ainda mais se o time brasileiro melhorar seu rendimento, coisa que é bem possível de acontecer, pois agora teremos um treinador de fato dirigindo a equipe. tite del nero bola parada

Porém não tem como não criticar Tite pelo fato de aceitar o cargo de técnico do Brasil tendo, em dezembro último, assinado um manifesto pedido a renúncia e saída (mais do que justificada) do atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero. É evidente que muitos no lugar do treinador possivelmente também relevariam esse “pequeno detalhe” para poder vivenciar o sonho de ter o cargo mais cobiçado do futebol brasileiro e Tite disse que ajudaria mais o futebol brasileiro sendo o técnico da Seleção. Porém uma recusa de Tite poderia mostrar que nem todos são seduzidos por uma proposta a ponto de mudar de opinião sobre determinado assunto, ainda mais algo tão sério como o comando do futebol nacional. E ele teria o apoio da maioria da população que hoje tem certa ojeriza a tudo que a CBF representa de ruim para o esporte. (faço o adendo que o Rogério Ceni também assinou o mesmo manifesto e aceitou trabalhar como “auxiliar pontual” durante a Copa América, ou seja, incoerência idêntica). Além disso o fato dele levar seu filho Matheus Bachi, para ser seu auxiliar mostra que a meritocracia não se aplica a todos na hora de trabalhar em qualquer área por aqui. Ele pode ser competente e já o auxiliava no Corinthians, mas penso que até em nome de uma ética de trabalho numa perspectiva de mudanças, Tite poderia evitar esse ato que não deixa de ser um nepotismo.

Como disse acima, a chance da Seleção Brasileira melhorar de desempenho é grande. Em termos de currículo Tite conquistou todos os títulos possíveis e tem capacidade de organizar o time. Talvez não jogue o futebol “bonito” que muitos ainda idealizam e cobram que a Seleção Brasileira sempre jogue. Mas a eficiência e qualidade que suas equipes costumam mostrar tem de ser valorizada. Porém o futebol brasileiro, ao que tudo indica, fica refém de resultados por mais 2 anos, esperando que mais um título na Copa da Russia apague muitas sujeiras feitas por quem manda e comanda o esporte por aqui. Só que para dar tudo certo como aconteceu em 2002 o Brasil vai precisar de muito mais do que apenas sorte. Competência Tite possui, mas o trabalho será árduo.

*****

A Eurocopa que vem sendo disputada na França tem tido momentos triste com as brigas fora de campo. É uma mostra que o problema da ignorância do ser humano é global e não algo exclusivo dos “selvagens” (para alguns preconceituosos) sul-americanos. Porém não há dúvida que na Europa existe uma vontade maior de se punir os envolvidos em baderna, ainda que não seja fácil e que as confederações envolvidas, que poderiam ter sido eliminadas por causa dos brigões tenham apenas levado uma multa pelos problemas. De todo modo existe uma pré-disposição de punir, mesmo que falhas em segurança existam em todo e qualquer lugar.

A parte boa é a festa das torcida de seleções menos tradicionais como Irlanda, Irlanda do Norte e Islândia que se classificaram para as oitavas de final e mostraram uma alegria incontida nas arquibancadas e fora dos estádios também. Por um lado é legal que essa festa tenha ocorrido e mostra que o futebol tem esse lado lúdico e que ainda faz com parte da população tenha momentos genuínos de emoção. Porém é preciso dizer, no meu modo de ver, que o aumento de 16 para 24 seleções na fase final da Euro, diminui um pouco o nível técnico médio da competição. Alguns jogos foram sonolentos e times precisavam basicamente de uma vitória para se classificar (Portugal com um time limitado mais uma vez, nem precisou ganhar para avançar). Para um torneio regional, 16 seleções estavam de bom tamanho.

Dentro de campo, das surpresas citadas acima, a Islândia mostrou um time surpreendente, com bom toque de bola e maturidade; pode até complicar para a Inglaterra que possui bons valores, mas ainda se mostra incapaz de concluir e “matar” um jogo que domina, além de muitas vezes dar sustos na defesa. Alemanha e França possuem os times mais fortes, mas ainda não jogaram tudo que podem e sabem. Itália e Espanha vão se cruzar logo nas oitavas e é um jogo imprevisível, ainda que o time espanhol seja bem mais técnico. E do outro lado da chave a Bélgica pinta como favorita pelo elenco que possui, mas ainda não jogou tanto quanto a Croácia, que tem um ótimo meio-campo, e nem tem um jogador tão decisivo como Bale é para o Pais de Gales.

E é aquilo, agora que o torneio vai ficar ainda melhor, ele vai acabar mais depressa na fase de mata-mata. É uma pena, mas a política do futebol leva à esse inchaço de seleções em um torneio que poderia ser ainda mais forte.

*****

Falta ainda uma palavra sobre a final da NBA. O Cleveland Cavaliers, conseguiu virar de forma heroica a série contra o Golden State Warriors e foi campeão pela primeira vez do torneio estadunidense de basquete. O time de Oakland se desgastou demais para vencer a temporada regular batendo o recorde de vitórias do Chicago Bulls de 1996 (73V e 9D) e com isso sentiu demais o cansaço e as contusões na fase de playoffs. O time de Cleveland não contou tanto com “planejamento” para vencer o campeonato; trocou o técnico no meio do caminho e ficou com Tyronn Lue, um ex-jogador que nunca tinha dirigido um time antes como técnico principal. Mas contou com o brilho de suas duas estrelas maiores para vencer o título. kyrie lebron bola parada

Lebron James é um craque indiscutível, mas a mídia em torno dele para transformá-lo em um novo Michael Jordan é meio exageradas às vezes. Pode parecer bobagem o que estou escrevendo, mas nos EUA a condição de termos um “super-herói” para ser o carro-chefe de vendas e destaque da NBA para o mundo me parece ser uma necessidade incrível e que beira a loucura. Quando saiu de Cleveland para jogar no Miami Heat fizeram até um programa especial para mostrar Lebron indo levar os “seus talentos” para o Heat. Um exagero que fez com que ele ficasse marcado como jogador que só conseguiu ser campeão com ajuda de outros craques, como Dwayne Wade e Chris Bosh. Ou seja, pela imagem muito exposta ele pagou um preço alto por isso. Porém é inegável sua qualidade e capacidade para comandar a equipe dentro da quadra, mas sozinho ninguém vence campeonato.

As atuações de Kyrie Irving na final foram sensacionais e a companhia dele junto à Lebron foi fundamental para o título dos Cavs e merece ser MUITO lembrada, até pela cesta da vitória ter sido dele. Sendo assim o título foi merecido pela virada e pela raça demonstrada em quadra, além da qualidade dos seus craques.

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PostHeaderIcon E Agora, Adenor?

Antes de falar sobre o Tite, quero repetir o que sempre pensei sobre a carreira de Dunga como treinador. Nunca entendi! Não sei como e porque ele virou técnico da CBF. Muito menos o motivo de sua volta, após o vexame de 2014. Aliás, depois de 94, a única escolha compreensível foi a do Felipão em 2001/2002. Todos os demais foram um passo para trás, ou pro lado. Involuímos e colecionámos fracassos. Um fato notório e visível, ainda que ignorado por grande parte da mídia e dos torcedores.

Também é sabido que a CBF se comporta como um orgão separado do futebol brasileiro. Ela cuida de si, todo o resto que se dane. É uma posição confortável. Recebe o bônus, mas não carrega o ônus. Basta ver o desprezo da entidade pelos torcedores daqui ao vender seus amistosos para uma empresa árabe. Ou a diferença de tratamento que recebem os clubes brasileiros e os estrangeiros. É algo claro e indiscutível.

Também é indiscutível a rejeição, cada vez maior, que a seleção provoca na torcida. Ainda que, como disse o Alexandre, bons resultados possam reverter parcialmente essa rejeição. Só parcialmente. E se os resultados vierem. Se e quando.

Sigamos… Então, após outro desastre, descobriram que o Dunga não servia. Sério! Levaram 2 anos; e isso na 2ª passagem do Dunga. 2 anos de testes, experiências, desculpas e explicações. 2 anos que levaram a seleção do nada para o lugar nenhum.
técnico Tite
Hoje o Tite deve assinar oficialmente o contrato com a CBF. E o Rogério Micale deve ficar encarregado da seleção olímpica. Ponto!

É inegável que o Tite é muito mais técnico que o Dunga. Assim como não se discute que ele é quase unanimidade entre a mídia, boleiros e torcedores. Foi uma escolha óbvia.

Mas e agora? Certamente os futuros convocados pelo Tite serão em grande parte os mesmos que o Dunga já convocou. Talvez apareçam 3 ou 4 nomes diferentes; mas nenhum que faça uma diferença absurda. O estilo dos times do Tite é amplamente conhecido. Uma defesa sólida, linhas mais próximas, recomposição rápida, laterais acionados com frequência… E, certamente, uma boa relação com o elenco.

É 99% certo que a seleção do Tite será melhor que a do Dunga. Mas é bom avisar que o Adenor não é o salvador da pátria. E muitos estão esperando um salvador, um messias. Mas isso não existe. Quem espera um salvador vai quebrar a cara. E quem espera uma revolução também!

A verdadeira questão é saber o que se deseja. Se vocês acham que o Dunga é o único problema do futebol brasileiro, estamos perto da solução. Se pensam que o problema é mais profundo e necessitamos de uma “nova ordem futebolística”, não devemos esperar isso do Tite. Se precisamos de uma imensa revolução no nosso futebol, ela não virá pelas mãos de uma única pessoa. Não é uma mágica que acontece em minutos. Não peçam isso ao Tite!

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PostHeaderIcon A Nova Rotina

Por mais que o Brasil tenha sido eliminado da disputa da Copa América Centenário por um erro crasso da arbitragem que não viu o toque de mão na bola por parte do jogador Ruidiaz que fez o gol do triunfo peruano, não existe explicação para um treinador, num jogo eliminatório com 3 substituições disponíveis e com o time perdendo, não fazer as trocas. Só por isso o Dunga, caso a CBF fosse séria, já poderia perder o cargo no vestiário. Sem contar a não convocação de Thiago Silva, melhor zagueiro brasileiro, por pura pirraça. Pode parecer um paradoxo mas, como foi muitos lembraram instantaneamente, Dunga já fez (ou não fez, dependendo do ponto de vista) a mesma coisa acontecida ontem em 2010 na eliminação contra a Holanda na Copa do Mundo. Ou seja, não dá para dizer que ele merece crédito, pois já teve uma segunda chance de trabalhar e mostrou não ter evoluído em nada.

Dunga se mostra sendo alguém que até escala o time com alguma lógica (até porque não temos tantas opções para mudanças assim), mas não têm um chamado plano B e fica completamente perdido para mudar a tática da equipe. Uma simples mudança do técnico adversário Ricardo Gareca fez com que eu ficasse até com um pouco de pena dele na beira do campo, completamente perdido e sem saber o que fazer. Algo parecido já tinha acontecido no jogo contra o Equador. Como o Marco já disse várias vezes aqui, ele nem é treinador de fato, a dura realidade é essa. brasil peru copa américa bola parada

Obviamente Dunga nem deveria ter voltado para a Seleção, só que o problema é muito mais amplo. Não adianta acharmos que basta Tite assumir o comando técnico da Seleção o futebol brasileiro vai melhorar. A equipe pode até evoluir e ganhar títulos, mas a mudança que estamos precisando é muito mais estrutural do que qualquer outra. Um país que consegue se confundir até para montar uma seleção olímpica, que tem um técnico que treina a equipe por 2 anos, mas não dirige na época da competição, precisa começar praticamente desde o zero a mudar sua direção, com uma limpeza total na CBF e também nos clubes, que são coniventes com o que está se passando.

Sobre o time em si e voltando ao Tite, é bom lembrar que o estilo dele não é o que se exige da Seleção. Aí podemos dizer que a chamada soberba futebolística nacional, que diz que somos o país da habilidade, do futebol bonito, também está presente nessa definição, mas penso que ele, caso seja confirmado como treinador nacional, também seria criticado pelo seu estilo pragmático e também pelos conceitos quase professorais que coloca em sua coletivas. Além disso ele teria um grupo que precisa mostrar mais personalidade também nas adversidades, coisa que tem faltado ao Brasil a algum tempo. E ele, mesmo sendo talvez o nome mais óbvio que temos no país hoje, teria certa dificuldade para pôr em prática o que pensa.

Na realidade eu preferiria que Guardiola ou o Sampaoli assumissem o cargo e ficassem como condutores de um projeto que contemplasse a base, de forma a permanecer 8 anos pelo menos, pois assim teríamos ao menos uma perspectiva de mudança real e uma ideia de jogo mais próximas das tradições ofensivas brasileiras, aliada ao que se joga hoje em dia no mundo. Com uma mudança de comando da CBF poderíamos ter ideias novas dentro e fora de campo. Mas ao mesmo tempo eu penso; a imprensa por exemplo teria paciência com esse trabalho de longo prazo? As pessoas aceitariam maus resultados em amistosos? O corporativismo dos treinadores locais seria um empecilho?

Acho que tudo deve ser levado em conta e o próprio conceito de futebol por aqui, a estrutura toda, tem de ser repensada de alguma forma. Pode ser algo utópico essa mudança para agora, mas quanto mais ela demorar a acontecer, mais vexames acontecerão.

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PostHeaderIcon Seleção da Eurocopa

Amanhã começa mais uma edição da Eurocopa. Amanhã e por mais 30 dias teremos a competição que muitos chamam de Copa do Mundo sem Brasil e Argentina. Opinião que considero exagerada, mesmo sabendo da força e importância do futebol europeu. Mas, independente disso, é um torneio bastante interessante para quem gosta de futebol. (Não deve valer muito para quem só gosta de seu time). Espero que tudo corra bem dentro de campo e, principalmente, fora. Torcerei para isto.

Então, aproveitando a ocasião, eu e o Alexandre combinamos de montar a nossa seleção da Eurocopa. Tarefa ingrata. Primeiro pelo fato das edições mais antigas terem poucos registros e a maioria delas não ter sido exibida na televisão brasileira. E depois pelo grande número de craques que acabaram ficando de fora. Especialmente os de gerações mais antigas, que pouco (ou nada) vimos jogar. Mesmo entre os jogadores que vimos, muitos ficaram de fora. É o caso do Platini, Gullit, Rijkaard, Iniesta, Rummenigge e tantos outros. Espero que compreendam a nossa dificuldade.

A nossa seleção ficou formada assim:

  • Buffon – Itália
  • Philipp Lahm – Alemanha
  • Franco Baresi – Itália
  • Franz Beckenbauer – Alemanha
  • Paolo Maldini – Itália
  • Andrea Pirlo – Itália
  • Xavi Hernández – Espanha
  • Zinédine Zidane – França
  • Thierry Henry – França
  • Marco Van Basten – Holanda
  • Cristiano Ronaldo – Portugal

Mesmo que vocês discordem de alguns nomes, vamos combinar, é um super time. Ou não é?

Ainda que nossa seleção tenha um capitão nato, Beckenbauer, deixaremos a faixa com o cerebral Pirlo:

pirlo itália

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