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PostHeaderIcon Um Verdadeiro Legado Olímpico

O período da Olimpíada causa normalmente muita comoção. Mesmo em um mundo cada vez mais multicultural e diverso em suas representações culturais e nacionais em que vivemos hoje, muitos ainda buscam uma identidade mais local e os esportes aproximam, sem dúvida alguma, as pessoas de seus países. Portanto é natural ver a torcida de muitos pela vitória dos atletas, no caso específico dos brasileiros.

Porém em muitos casos existe uma torcida de ocasião que, de fato, me incomoda. É evidente que nem todos conhecem todos os esportes, é humanamente impossível para a maioria. Tirando jornalistas que se dedicam a saber um pouco de cada modalidade (e temos bons exemplos principalmente hoje com a internet), a maioria toma contato com certas disputas apenas na hora da grande competição mundial que é a Olimpíada. Sendo assim é natural que muitos só viessem a conhecer o saltador Thiago Braz, vencedor do ouro no salto com vara, na hora da disputa decisiva.

O que chama a atenção é que a maioria das análises contemplava muito mais a possibilidade de ouro na parte feminina da competição. Fabiana Murer era muito mais citada como possível medalhista e poucos, muito poucos mesmo, falavam das chances de Thiago. Muitos não sabiam (como era meu caso, apesar dele ter sido tema de uma reportagem no Fantástico em 2013) de que ele treinava com o treinador russo que revelou ninguém menos que Sergei Bubka e Yelena Isinbaeva. Ou seja, por ele não ter obtido ainda grandes resultados em suas competições com maior visibilidade, ele era desprezado e desconhecido por aqui no Brasil para maior parte da população. thiago braz fabiana murer bola parada

Isso reforça algo que já dissemos aqui algumas vezes. O esporte principal do brasileiro é ganhar, muito mais do que acompanhar esporte. Pode-se dizer que isso acontece um pouco em todo o lugar, mas aqui é algo quase que padrão. Como disse o Marco na última coluna, vivemos de fenômenos sazonais e isso ainda não está tão perto de mudar. E ao analisar os resultados dos eventos olímpicos, não podemos incorrer no erro de colocar tudo no mesmo balaio. Existem exemplos de todos os tipos. Atletas com menos apoio, alguns com o emocional mais fraco, outros que simplesmente são inferiores aos adversários, confederações com cartolas corruptos…Têm de tudo.

Por isso não dá para dizer que todos os atletas que perdem são “coitadinhos sem investimento”. O caso da Fabiana Murer é mesmo um exemplo, ainda que, fracassando em três Olimpíadas, eu não esteja dizendo que ela seja um fracasso como atleta no geral, já que ela tem um título mundial na modalidade. Mesmo o Thiago Braz treina fora do país, como alguns atletas de natação, atletismo…Modalidades possuem hoje treinadores estrangeiros e tiveram melhorias como handebol e ginástica artística.

É inegável que o investimento no esporte aumentou do meio dos anos 90 para cá. Da Olimpíada de Atlanta (1996) para cá o número de medalhas aumentou de fato, apesar de que é pouco provável que o Brasil alcance a meta pretendida e propagandeada pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro) que era de décimo lugar no número total de medalhas ou 25 pódios, ainda que o número de brasileiros entre os 8 primeiros em variadas competições tenha sido recorde (72 até quando escrevo este texto).

Porém o que falta é uma melhora geral na base, para que o esporte não seja visto apenas como um número, um resultado em si mesmo. “Comprar” medalhas, ou conseguir resultados com algum fora de série é até fácil. Fazer com que o brasileiro, desde a escola, pratique mais esporte, seria um legado mais interessante que apenas obras não completas ou o “top 10” no ranking geral. Pode ser um pouco utópico o que estou imaginando, mas só com esse verdadeiro apoio, desde a infância e como algo para toda a sociedade, o Brasil pode conseguir algo além de uma glória passageira em duas semanas de competições.

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futebol feminino olímpiada 2016 bola parada Falando mais especificamente do futebol. No feminino a medalha não veio depois de uma empolgação grande no início. Esse caso específico é bem complicado de se discutir; como já falei NESTE texto anterior, o futebol feminino até hoje tem um pouco mais de atenção, longe do ideal claro, mas tem um campeonato brasileiro e uma seleção permanente. Ainda é pouco, e tem de haver uma cobrança para que mais seja feito. Mas o público também tem de dar suporte e isso, na maioria das vezes, não acontece. As pessoas que fizeram a estúpida comparação entre Marta e Neymar, precisa lembrar que a modalidade existe além das Olimpíadas.

Sobre o time feminino em si, ficou claro que, assim como no masculino, o Brasil ainda está com problemas sérios na hora de montar uma equipe taticamente. Ainda é tudo muito na base individual, sem grandes trocas de posição e mudanças que pudessem possibilitar oportunidades de mudar o quadro de uma partida. Isso ficou claro na semifinal contra a Suécia. Depois contra o Canadá, com a equipe já abatida, ficou ainda mais complicado de conseguir uma medalha.

Por sua vez o futebol masculino conseguiu ir avançando e amanhã faz a final contra a Alemanha que, obviamente, não é uma revanche da Copa do Mundo de 2014 (nem vou me estender nisso). As entradas de Wallace e Luan foram boas para o time, mas é bom lembrar que, com exceção da Colômbia, os adversários foram fraquíssimos. A Alemanha não tem uma equipe estelar, mas é bem organizada, com um treinador que conhece e trabalha a muito tempo com a equipe.

O Brasil, por jogar em casa, ter talento individual, um clima favorável e jogar contra um time menos forte em termos de nome conta com um pequeno favoritismo prévio, mas que a meu ver é bem pequeno. O esquema ultra ofensivo de Rogério Micale ainda não foi totalmente testado e a pressão de vencer a tão almejada medalha pode ser perigosa para o time nacional. E mesmo que ela venha (e se vier, não será com facilidade), não será uma redenção completa para o nosso futebol. Voltaremos ao tema.

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PostHeaderIcon Pequeno Resumo Olímpico – O Início

Como este texto é sobre o começo da Olimpíada ele pode ter ficado um pouco longo, mas abordo alguns temas distintos.

Além da expectativa, misturada com oba-oba que vemos no futebol masculino, antes de começarem as competições da Olimpíada, outro fenômeno aparece de forma frequente na época desta competição. A mídia brasileira, tão afeita a falar basicamente apenas e tão somente de futebol, passa a ter de comentar mais sobre outros esportes. Uma situação que resvala na hipocrisia e no desconhecimento. rio 2016 bola parada

Claro que a maioria dos analistas esportivos que possuem mais destaque na TV são formados com base no futebol, muitos deles vindo do rádio. Sendo assim a transmissão das provas de outras modalidades são feitas na base do “vai Brasil!” e em um paternalismo que quase sempre resvala na pieguice ao analisar o desempenho dos atletas nacionais.

Vemos o Brasil, país que até teria um potencial de se tornar maior do que é no segmento de medalhas olímpicas, ficar muitas vezes para trás no número de triunfos. É fato que nos últimos 20 anos houve um aumento do investimento governamental no esporte e algumas modalidades tiveram um impulso interessante como ginástica e natação. Mas isso normalmente não se traduz em medalhas olímpicas. E isso pode ter diversas causas.

Mas o fato principal nos leva a pensar: Como um país que não têm uma cultura escolar de base pode exigir resultados quase que automáticos quando os jovens de ontem se tornam atletas hoje? É evidente que existem fenômenos isolados que geram bons resultados e, como foi dito anteriormente, alguns esportes apresentaram melhorias. Mas chega a ser um pouco irrealista esperar mais medalhas de onde elas dificilmente surgirão.

Infelizmente o clima de torcida exagerada toma conta da maioria das transmissões e até o fim dos Jogos do Rio de Janeiro analisaremos aqui também a cobertura midiática feita. Mas fundamentalmente, para que as vitórias apareçam, deveríamos cuidar mais da nossa base, e essa oportunidade, pelo menos para esta Olimpíada – e sem querer ser pessimista, mas já sendo – foi perdida, tanto como legado esportivo, quanto como legado social (e aí a discussão é ainda mais longa).

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Sem ir muito longe em esportes que nem possuem grande repercussão durante os outros momentos, pré e pós Olimpíada, um caso de hipocrisia que vemos nas transmissões olímpicas que já começaram é a comparação, a meu ver sem sentido, do futebol masculino com o feminino. Como agora, depois dos escândalos da CBF é bem mais fácil criticar a situação lamentável da Seleção masculina, coloca-se como parâmetro algumas vitórias do time feminino. marta neymar bola parada

Que a torcida, aquela que torce muito mais para quem ganha, cultura tradicional aqui no Brasil, grite por Marta num misto de admiração pela camisa 10 brasileira e revolta pelo péssimo futebol demonstrado por Neymar e companhia, é até compreensível. Mas acho bem oportunista muitos que nem dão bola para jogos femininos fora de períodos olímpicos, reverberarem essa “comparação” bem estapafúrdia.

Ainda que o futebol feminino já tenha um calendário nacional e muitas das jogadoras da Seleção tenham bons contratos em times estrangeiros, não dá para mensurar o abismo de apoio, inclusive do público, entre homens e mulheres. Por fatores que passam desde a simples discriminação e preconceito, até financeiros e de desinteresse, o espaço do futebol das mulheres por aqui ainda continuará bem diminuto; e digo isso mesmo se a tão sonhada medalha de ouro vier agora. E eu diria que ATÉ por isso. Pois aqui pensamos primeiro no topo, na vitória “heroica” ao invés de cuidar do futuro. E também pouco se faz para se mudar, ao menos um pouco, a cultura que tanto segrega e diferencia homens e mulheres em campo.

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Sobre os jogos em si, o time feminino mostra qualidade e venceu dois jogos importantes, contra times mais fortes como China e Suécia. Precisa, além de vencer times tão ou mais representativos (EUA e Alemanha principalmente), mostrar tranquilidade para lidar com uma pressão que sempre aparece nesses momentos de maior atenção de público e mídia. E isso muitas vezes não é fácil.

A pressão também existe para o time masculino. Mas neste caso específico (e sem querer ser chato) foi dito AQUI no blog que a competição não seria o passeio que muitos diziam que seria. O Brasil possui potencial, mas nem tanto quanto muitos imaginavam. O time tem qualidade individual, mas mostrou pouca organização, além de muito individualismo. brasil iraque olimpíada 2016 bola parada

As medalhas podem vir para as duas equipes, mas o caminho é muito mais árduo do que o ufanismo de muitos possa imaginar ou sugerir.

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Uma palavra rápida sobre a cerimônia de abertura: Sobre as atrações com cara de programa dominical da Globo eu não falo muito. Não é do meu agrado, mas como têm gente que gosta…Penso que ficaram faltando referências maiores à pessoas da nossa cultura, mas como é uma cerimônia patrocinada, muitas limitações aparecem. Mesmo a ausência de Pelé, que foi atribuída à problemas físicos, pode ter passado por aí também, o que é algo que não deixa de ser um pouco lamentável. vanderlei cordeiro pira olímpica bola parada

Não acho que o Vanderlei Cordeiro de Lima seja a figura mais representativa para simbolizar o acendimento da pira olímpica. Mas vendo os comentários de muitas pessoas, passei a entender a sua escolha. O caso acontecido com ele na Olimpíada de Atenas em 2004 ficou na memória das pessoas e o comportamento dele, ao conseguir a medalha de bronze com um sorriso no rosto, fez com que o espírito olímpico ficasse registrado em sua atitude.

Mas o que mais me chamou atenção é, mais uma, hipocrisia. Fica difícil uma cerimônia de abertura pregar sustentabilidade ambiental, com plantio de árvores e vídeo sobre aquecimento global, numa cidade que não conseguiu despoluir a Lagoa Rodrigo de Freitas para as provas de vela. Chega quase a ser um escárnio. Por mais que a mensagem seja para todo o mundo, fica a prova de que muitas vezes é mais fácil falar dos outros do que fazer o certo dentro de sua casa.

A Olimpíada pode correr bem, mas essas falhas poderiam ser evitadas.

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PostHeaderIcon O Não Necessário e Outros Temas

Com certo atraso vou “replicar” o texto do Marco sobre a chegada do Tite à Seleção Brasileira. Em termos de nome para o cargo de treinador do time nacional, de fato, não havia muita dúvida de que o ex-técnico do Corinthians era, no momento, a melhor opção. Porém algumas atitudes já deixam claro que mudanças mais profundas dentro da estrutura do futebol nacional não devem ocorrer tão cedo.

Sei que é um pouco demais exigir todas as virtudes do mundo em uma só pessoa e Tite é humano, passível de erros como todos. Mas se você olhasse as matérias e o tom de comentários um pouco antes da chegada dele à Seleção, a impressão que se tinha era que um novo Messias, o Salvador da Pátria estava chegando. Sendo assim a imprensa muitas vezes também ajuda no clima de “salvacionismo de resultados” que impera por aqui. Vemos isso diariamente nos clubes e a Seleção é só o aspecto mais visível disso. Assim como aconteceu em 2001 com a chegada do Felipão, já mostraram que Tite é bom filho, bom pai, uma pessoa “do bem”. E com isso a mudança que verdadeiramente precisaria acontecer no futebol brasileiro, começando pelos clubes, passando pela estrutura geral de treinos e tática, a organização de campeonatos melhores em condições mais adequadas para que os melhores jogadores e jovens fiquem ao menos por mais tempo por aqui (a “disputa” na imprensa por Gabriel Jesus é um assunto que abordarei em outro post), fica mais uma vez adiada, ainda mais se o time brasileiro melhorar seu rendimento, coisa que é bem possível de acontecer, pois agora teremos um treinador de fato dirigindo a equipe. tite del nero bola parada

Porém não tem como não criticar Tite pelo fato de aceitar o cargo de técnico do Brasil tendo, em dezembro último, assinado um manifesto pedido a renúncia e saída (mais do que justificada) do atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero. É evidente que muitos no lugar do treinador possivelmente também relevariam esse “pequeno detalhe” para poder vivenciar o sonho de ter o cargo mais cobiçado do futebol brasileiro e Tite disse que ajudaria mais o futebol brasileiro sendo o técnico da Seleção. Porém uma recusa de Tite poderia mostrar que nem todos são seduzidos por uma proposta a ponto de mudar de opinião sobre determinado assunto, ainda mais algo tão sério como o comando do futebol nacional. E ele teria o apoio da maioria da população que hoje tem certa ojeriza a tudo que a CBF representa de ruim para o esporte. (faço o adendo que o Rogério Ceni também assinou o mesmo manifesto e aceitou trabalhar como “auxiliar pontual” durante a Copa América, ou seja, incoerência idêntica). Além disso o fato dele levar seu filho Matheus Bachi, para ser seu auxiliar mostra que a meritocracia não se aplica a todos na hora de trabalhar em qualquer área por aqui. Ele pode ser competente e já o auxiliava no Corinthians, mas penso que até em nome de uma ética de trabalho numa perspectiva de mudanças, Tite poderia evitar esse ato que não deixa de ser um nepotismo.

Como disse acima, a chance da Seleção Brasileira melhorar de desempenho é grande. Em termos de currículo Tite conquistou todos os títulos possíveis e tem capacidade de organizar o time. Talvez não jogue o futebol “bonito” que muitos ainda idealizam e cobram que a Seleção Brasileira sempre jogue. Mas a eficiência e qualidade que suas equipes costumam mostrar tem de ser valorizada. Porém o futebol brasileiro, ao que tudo indica, fica refém de resultados por mais 2 anos, esperando que mais um título na Copa da Russia apague muitas sujeiras feitas por quem manda e comanda o esporte por aqui. Só que para dar tudo certo como aconteceu em 2002 o Brasil vai precisar de muito mais do que apenas sorte. Competência Tite possui, mas o trabalho será árduo.

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A Eurocopa que vem sendo disputada na França tem tido momentos triste com as brigas fora de campo. É uma mostra que o problema da ignorância do ser humano é global e não algo exclusivo dos “selvagens” (para alguns preconceituosos) sul-americanos. Porém não há dúvida que na Europa existe uma vontade maior de se punir os envolvidos em baderna, ainda que não seja fácil e que as confederações envolvidas, que poderiam ter sido eliminadas por causa dos brigões tenham apenas levado uma multa pelos problemas. De todo modo existe uma pré-disposição de punir, mesmo que falhas em segurança existam em todo e qualquer lugar.

A parte boa é a festa das torcida de seleções menos tradicionais como Irlanda, Irlanda do Norte e Islândia que se classificaram para as oitavas de final e mostraram uma alegria incontida nas arquibancadas e fora dos estádios também. Por um lado é legal que essa festa tenha ocorrido e mostra que o futebol tem esse lado lúdico e que ainda faz com parte da população tenha momentos genuínos de emoção. Porém é preciso dizer, no meu modo de ver, que o aumento de 16 para 24 seleções na fase final da Euro, diminui um pouco o nível técnico médio da competição. Alguns jogos foram sonolentos e times precisavam basicamente de uma vitória para se classificar (Portugal com um time limitado mais uma vez, nem precisou ganhar para avançar). Para um torneio regional, 16 seleções estavam de bom tamanho.

Dentro de campo, das surpresas citadas acima, a Islândia mostrou um time surpreendente, com bom toque de bola e maturidade; pode até complicar para a Inglaterra que possui bons valores, mas ainda se mostra incapaz de concluir e “matar” um jogo que domina, além de muitas vezes dar sustos na defesa. Alemanha e França possuem os times mais fortes, mas ainda não jogaram tudo que podem e sabem. Itália e Espanha vão se cruzar logo nas oitavas e é um jogo imprevisível, ainda que o time espanhol seja bem mais técnico. E do outro lado da chave a Bélgica pinta como favorita pelo elenco que possui, mas ainda não jogou tanto quanto a Croácia, que tem um ótimo meio-campo, e nem tem um jogador tão decisivo como Bale é para o Pais de Gales.

E é aquilo, agora que o torneio vai ficar ainda melhor, ele vai acabar mais depressa na fase de mata-mata. É uma pena, mas a política do futebol leva à esse inchaço de seleções em um torneio que poderia ser ainda mais forte.

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Falta ainda uma palavra sobre a final da NBA. O Cleveland Cavaliers, conseguiu virar de forma heroica a série contra o Golden State Warriors e foi campeão pela primeira vez do torneio estadunidense de basquete. O time de Oakland se desgastou demais para vencer a temporada regular batendo o recorde de vitórias do Chicago Bulls de 1996 (73V e 9D) e com isso sentiu demais o cansaço e as contusões na fase de playoffs. O time de Cleveland não contou tanto com “planejamento” para vencer o campeonato; trocou o técnico no meio do caminho e ficou com Tyronn Lue, um ex-jogador que nunca tinha dirigido um time antes como técnico principal. Mas contou com o brilho de suas duas estrelas maiores para vencer o título. kyrie lebron bola parada

Lebron James é um craque indiscutível, mas a mídia em torno dele para transformá-lo em um novo Michael Jordan é meio exageradas às vezes. Pode parecer bobagem o que estou escrevendo, mas nos EUA a condição de termos um “super-herói” para ser o carro-chefe de vendas e destaque da NBA para o mundo me parece ser uma necessidade incrível e que beira a loucura. Quando saiu de Cleveland para jogar no Miami Heat fizeram até um programa especial para mostrar Lebron indo levar os “seus talentos” para o Heat. Um exagero que fez com que ele ficasse marcado como jogador que só conseguiu ser campeão com ajuda de outros craques, como Dwayne Wade e Chris Bosh. Ou seja, pela imagem muito exposta ele pagou um preço alto por isso. Porém é inegável sua qualidade e capacidade para comandar a equipe dentro da quadra, mas sozinho ninguém vence campeonato.

As atuações de Kyrie Irving na final foram sensacionais e a companhia dele junto à Lebron foi fundamental para o título dos Cavs e merece ser MUITO lembrada, até pela cesta da vitória ter sido dele. Sendo assim o título foi merecido pela virada e pela raça demonstrada em quadra, além da qualidade dos seus craques.

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PostHeaderIcon A Culpa dos Clubes e a Ausência de Ideias

Ainda sou de uma época em que a Seleção Brasileira era uma verdadeira e indiscutível paixão nacional. Ela era tão reconhecida e respeitada que, mesmo quando um jogador do nosso time era convocado, havia comemoração e respeito pois um reconhecimento importante estava sendo feito. Porém essa situação mudou drasticamente com o passar do tempo. E agora estamos vendo uma situação que beira o absurdo total.

O campeonato Brasileiro não para e é disputado em meio à Copa América Centenário, que está sendo disputada nos Estados Unidos. Com isso jogadores de clubes importantes são cedidos à Seleção e desfalcam as equipes nacionais, causando assim uma ojeriza ao time nacional, que vem sofrendo gradativamente a algum tempo um processo de desgaste junto ao público.

Não que as pessoas não assistam mais aos jogos do Brasil. Ainda existe público, repercussão e vejo que as pessoas querem gostar da Seleção. Mas a coleção de erros, equívocos, convocações (e não convocações estranhas) e más atuações, somadas aos maus resultados recentes, diminui um carinho que era mais geral na população brasileira em relação ao time nacional. Não é incomum ouvirmos pessoas que dizem que não estão nem aí para o “time da CBF”. cartolas bola parada

Porém penso que existe um certo exagero em colocar a culpa de TODO o problema do futebol brasileiro apenas na Confederação sediada no Rio de Janeiro. O poder vigente está de pé ainda porque os CLUBES votam e elegem os atuais (e os passados) mandatários do futebol brasileiro. Inclusive muitos deles nem podem ir aos Estados Unidos com medo de serem presos por crimes diversos. Além disso, não vejo essas mesmas pessoas dizerem que torcem contra seus clubes, sendo que muitos contam com cartolas envolvidos em casos enrolados de corrupção, ou mesmo de pura incompetência.

Essa situação atual de um Campeonato Brasileiro que não para, mesmo mutilado com vários times desfalcados por termos uma competição CONTINENTAL sendo disputada em paralelo à ele, é bizarra demais para ter apenas a CBF como responsável. Os clubes dão diversas provas diárias de insensatez e falta de preocupação em fazer um trabalho planejado.

Um exemplo que, à primeira vista pode não ter tanto a ver, mas que para mim é bem ilustrativo aconteceu nessa última semana. Givanildo Oliveira, após apenas 5 rodadas do Campeonato Brasileiro, foi demitido depois de quase 2 anos no cargo de treinador do América/MG, sendo que nesse período ele conseguiu fazer com que o time mineiro voltasse à Série A do Campeonato Brasileiro e conquistasse um Campeonato Mineiro depois de 15 anos. Mesmo com todas as evidências mostrando que o time mineiro vai brigar na parte de baixo da tabela, os dirigentes preferiram jogar a culpa de tudo num treinador que têm história no clube e simplesmente desprezá-lo e trocá-lo sem cerimônia. Todo o trabalho feito no ano até agora foi jogado no lixo. E certamente veremos mais casos assim brevemente durante o “imparável” Brasileirão.

Portanto, antes de apenas xingar a CBF na hora de criticar por termos o futebol que está aí, lembre-se que os clubes têm grande responsabilidade nisso. Se a situação não muda, deve ser boa para muita gente.

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Sobre a Seleção em si dentro de campo depois do primeiro jogo, temos de lembrar que o time do Equador, contra o qual o Brasil empatou em 0x0, evoluiu nos últimos anos e têm qualidade. Além disso Dunga teve alguns desfalques por contusão no seu grupo inicial, algo que atrapalha qualquer treinador. Porém não dá para entender o fato dele ter desprezado o tempo atual que terá para treinar a Seleção PRINCIPAL e deixar seu principal jogador (Neymar) de fora apenas por querer ganhar o ouro olímpico. (Esse é um assunto que voltaremos a falar mais à frente). copa américa 2016 bola parada

O time mostrou alguma evolução técnica com as presenças de Casemiro e Philippe Coutinho, mas se mostra extremamente limitado de ideias. Depois de um primeiro tempo até razoável, a equipe se perdeu em uma atuação medíocre na segunda etapa e Dunga não soube como transformar o sistema tático e as funções dos jogadores em campo. E essa falta de ideias é bem sintomática dentro do atual momento do futebol nacional. Precisamos de novas soluções fora de campo. E também dentro dele e tudo indica que Dunga, na função que lhe cabe, não conseguirá trazê-las.

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PostHeaderIcon Equilíbrio e Desistência

O Campeonato Brasileiro da Série A começou neste último fim de semana. E com ele a discussão de quem será favorito logo aparece. Nós aqui no Bola Parada (tanto o Marco quanto eu) concordamos que é bastante óbvio que existe o chamado nivelamento como ele próprio disse na última coluna. O que me chama a atenção é como a discussão de “parâmetros” para o recém-iniciado torneio é colocada.

Como não tivemos os times de maior poder aquisitivo vencendo nos torneios estaduais principalmente de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, surge aquele papo, principalmente na mídia, de que “não existem favoritos para o Brasileirão”. Primeiro é preciso lembrar que TUDO é parâmetro. Se não fosse, o estadual não seria transmitido, discutido e comentado, até por emissoras que não o transmitem e ficam falando mal dele o tempo todo (mas mesmo assim não deixam de abordá-lo em seus inúmeros programas de debate).

Mas ele é parâmetro pois para um trabalho que dará resultado em um torneio longo e de pontos corridos, como é o Brasileiro, é necessário saber como os times estão e se podem evoluir. E como o Marco falou no texto anterior e pelo que vimos na primeira rodada do Brasileirão, onde o nível técnico de modo geral deixou a desejar, estamos vendo o início de um campeonato muito equilibrado. E isso necessariamente não é um bom sinal. brasileirão 2016 bola parada

Dizer que o Brasileiro têm muitos favoritos e é um torneio difícil mostra muito mais o nivelamento por baixo da maioria das equipes. Por mais que o valor das cotas de TV tenha subido nos últimos anos, a maioria dos clubes vive sem dinheiro. E as mudanças nos elencos, tanto de saídas quanto de chegadas de jogadores, são constantes. Além da troca dentro de campo, fora de campo os treinadores normalmente não vem tendo muita estabilidade para manter um trabalho e isso também prejudica a formação das equipes.

Para completar nesse começo de campeonato temos times em realidades completamente diferentes. Alguns ainda na Libertadores, outros na Copa do Brasil. Muitos times vêm de títulos estaduais, mas outros vem de derrota (e consequentemente crises) nos torneios locais. Ou seja, cada um larga de um ponto de partida diferente e não existe uma base única de análise.

Mas falando especificamente dos favoritos (que não são claros); desde o começo dos pontos corridos são basicamente os mesmos. São Paulo e Internacional sempre estiveram no grupo de cima. Santos, Fluminense e Cruzeiro também, ainda que enfrentaram algum campeonato mais instável no meio do caminho. O Flamengo nunca caiu, mas nunca também foi um favorito claro, mesmo no ano que venceu o título. Atlético/MG, Corinthians, Grêmio e Palmeiras já amargaram rebaixamentos, mas conseguiram, de formas distintas, se recuperar e hoje estão de volta entre os grandes. Dentre eles deverá sair o campeão (o que não é nenhuma novidade), ainda que hoje seja impossível apontar alguém mais destacado entre essas equipes. E não acredito que um “Leicester” apareça por aqui; como disse acima o equilíbrio entre os grandes impede até mesmo que uma surpresa tão grande apareça.

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O que foi surpresa também, mas dessa vez no campo das transmissões de TV, foi a desistência da Bandeirantes em exibir o Brasileirão. Não vou entrar muito nos problemas financeiros e de programação da emissora, pois o blog se foca mais no futebol e na transmissão esportiva em si, mas são bem claros os equívocos de escolhas e opções vistos por lá. De modo geral a audiência do canal sempre foi pequena, mas para os padrões (baixos) da emissora, era um bom investimento transmitir o futebol. E também para quem não gosta da transmissão da Globo, era uma opção. Mas que, de modo geral, não fará grande falta. bandeirantes futebol bola parada

Primeiro porque os jogos exibidos eram os mesmos da “matriz global”, algo bem discutível dentro de um acordo. As opções seriam mais relevantes de fato se fosse permitido à Band poder exibir ao menos um jogo diferente por rodada. Mas a emissora paulista sempre pareceu gostar de ficar à sombra da Globo, então a mesmice era uma constante na escolha de jogos a serem exibidos.

Além disso a equipe de transmissão era BEM discutível em termos de qualidade. Preferiam ficar fazendo fanfarronice e palhaçadas, com alguns comentaristas abaixo da crítica. Na verdade a equipe, por enquanto, continua existindo, com um constrangedor programa de propagandas após os jogos (que só são comentados quando sobra tempo entre um merchan e outro). Mas tenho dúvidas se vão continuar com isso por muito tempo.

A Globo e os clubes também têm um pouco de culpa em não pensar em dividir melhor os jogos entre mais de um canal. Seria interessante ver uma transmissão diferente e de qualidade em outra emissora mas, além da falta de visão dos interessados, também falta uma concorrência mais qualificada, como ficou claro a partir desistência repentina da Bandeirantes. Para quem não tem TV fechada, o jeito será ficar com a Globo por um bom tempo ainda.

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PostHeaderIcon A Conquista Histórica e Seus Poréns

E finalmente aconteceu. O Leicester, depois de uma campanha surpreendente e histórica, conseguiu o título do campeonato inglês. Em termos de surpresa é provavelmente um dos maiores feitos já conseguidos na história do futebol mundial, ainda mais se lembrarmos que foi uma conquista em pontos corridos onde, em tese, o espaço para novidades é menor. Mas existem alguns fatores que não foram tão citados nesse clima de euforia que o título de uma “zebra” ´pode causar.

O time da pequena cidade inglesa de cerca de 300 mil habitantes veio de uma temporada (2014/2015) em que se salvou do rebaixamento apenas numa arrancada final no segundo turno, onde venceu seis dos oito jogos finais. Um dos responsáveis por isso foi o treinador Nigel Pearson, que ficou no clube por quatro anos e o trouxe para a primeira divisão na temporada anterior. Nesse time já jogavam Mahrez e Vardy, os dois maiores destaques ofensivos do time vencedor de 2016; ou seja, o antigo treinador tem o seu mérito na montagem da equipe atual.

Porém por problemas alheios ao campo, Pearson saiu e em seu lugar veio Claudio Ranieri, um outro fator que fez o título do Leicester ser ainda mais surpreendente. O italiano nunca foi um treinador de sucesso, tendo ganho apenas duas copas nacionais (na Itália e na Espanha) como títulos mais relevantes em sua carreira. Ele também vinha de trabalhos medíocres na Juventus, na Inter de Milão e principalmente na seleção da Grécia, onde conseguiu ser derrotado pelas Ilhas Faroe nas Eliminatórias para a Euro 2016. Sendo assim, sua chegada não inspirava grande euforia tanto para os torcedores quanto para os analistas. leicester bola parada

Temos de lembrar também que alguns grandes da Inglaterra não vivem o seu melhor momento e isso ajudou no cenário para o surgimento de uma surpresa. O Manchester United ainda não se encontrou totalmente depois da aposentadoria de Alex Ferguson. O Liverpool vive um estado de quase “eterna” reconstrução (vamos ver agora com Klopp se encontra seu caminho). O Chelsea viveu uma temporada para se esquecer pós-demissão de Mourinho. O Arsenal não consegue sair da sina de time que briga para chegar em terceiro lugar. E o Manchester City não conseguiu em nenhum momento brigar de fato pela taça, ainda que tenha ficado sempre na zona de classificação para a Champions. Sobrou o Tottenham, que não é campeão inglês desde 1961!

Além disso o clube não é um “pobre coitado” como muitos têm pintado por aí. É evidente que o investimento é menor se o compararmos com Chelsea e Manchester City, os “novos ricos” com mais poder financeiro na Inglaterra. Mas o Leicester também tem um dono, o tailandês Vichai Srivaddhanaprabha que inclusive rebatizou o nome do estádio de The Waikers para King Power Stadium (nome de uma das empresas do proprietário). Além disso o clube é acusado de ter burlado o chamado Fair Play financeiro da UEFA, quando na temporada passada o seu dono teria usado recursos escusos de uma empresa sem registro oficial para poder reforçar o orçamento e deixa-lo “no azul”.

Porém, dentro de campo, a conquista foi incontestável. Ainda que o Tottenham tenha conseguido mostrar um futebol mais vistoso durante boa parte da Liga, o Leicester foi muito consistente e mostrou uma forma bem definida de jogar. Claro que o fato de ter um calendário mais enxuto também ajudou para o time não ter tantas lesões, mas a equipe teve uma força grande em jogar tanto dentro quanto fora de casa, onde nunca sentiu a pressão de estar na liderança.

Kanté, Schmeichel e Drinkwater, além dos já citados Vardy e Mahrez, foram os grandes destaques do Leicester que provou mais uma vez que não existe uma forma única de jogar bem futebol. Agora fica bem claro pela postura da equipe em campo, que a determinação e a vontade de vencer são indispensáveis e isso não faltou à esse time que têm muita história na Inglaterra, mas que agora se tornou uma coqueluche mundial. Esperamos para vê-lo na Champions League da próxima temporada!

P.S. Bom lembrar apenas que foi um anticlímax total o Leicester ser campeão vendo o jogo pela TV, enquanto o Tottenham jogava. Vendo que havia possibilidade de título, os jogos deveriam ser no mesmo dia e horário. O calendário inglês já é bem inchado e a federação local merece críticas, que certamente apareceriam por aqui, se algo semelhante acontecesse.

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