PostHeaderIcon Considerações Finais Sobre a Olimpíada do Rio


Até onde vi, e não vi muito, não tivemos uma análise mais profunda sobre o resultado final da Olimpíada do Rio. Ao menos na chamada grande mídia. Foi tudo meio na base do “ufa, não demos vexame. E tivemos o maior número de medalhas da história”. E segue o fluxo pois o Brasileirão tá rolando, tem Copa do Brasil e etc…

De fato não demos vexame. Os problemas com alojamentos, piscinas verdes e coisas do tipo não foram suficientes para manjar a imagem do evento. Também é verdade que tivemos um recorde de medalhas. Mas isso ocorre com todos os países sede. Até mesmo países sem tanta tradição esportiva, como Grécia ou Coreia do Sul. Mas o resultado ficou abaixo de esperado. Ainda mais comparando com outros países e vendo o quanto se gastou na preparação de atletas. Evoluímos muito pouco e continuamos sendo o país de resultados pontuais e sucessos efêmeros. Falta muito (e bota muito nisso) pra termos alguma relevância esportiva. O que é até compreensível já que o Brasil também não ostenta relevância em cultura, ciência, economia e outras áreas. O esporte só ratifica que somos um país grande, não um grande país.

E olhando pra frente, para um cenário de 5 ou 10 anos, o futuro não é promissor. Já existem rumores de que o investimento vai ser reduzido, ou até mesmo cortado. E este nem é o maior dos problemas. O duro é ver que não temos, e nem teremos, uma cultura esportiva. Continuaremos sem um trabalho de base, de formação e de massificação. Continuaremos com algumas poucas ilhas de prosperidade. Com bolhas esportivas. Infelizmente.

jogos olímpicos do Rio

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Na última coluna eu critiquei a postura exageradamente passional de boa parte dos comentaristas e narradores que cobriram a olimpíada. Depois eu fiquei refletindo mais sobre o assunto. Não que seja errado torcer para seu país num evento tão importante. Mas a coisa deve ter limites. Ainda mais que 99% deles são ex-atletas. E essa postura apaixonada, chegando ao choro em muitos momentos, é algo sintomático. Explica muitos dos fracassos que o Brasil teve ao longo da história esportiva.

No esporte não vence apenas o mais bem preparado. O fator mental é quase tão importante quanto o técnico e físico. Mas poucos dão a mesma importância ao estado psicológico dos atletas. Ainda mais num momento de disputa extrema, onde um detalhe faz uma enorme diferença.

Também é interessante notar como o sentimento nacionalista explode em momentos como a Copa ou os jogos olímpicos. Ele fica represado por 4 anos e, em dado momento, transborda de maneira descontrolada. Talvez fosse o caso de repensar essa atitude. Talvez a brasilidade devesse ser um sentimento mais cotidiano. Ainda que a cruel realidade não nos ajude nesta tarefa.

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Eu também escrevi recentemente que gostaria de ver alguns dos nossos jovens jogadores de futebol sendo avaliados numa competição oficial e sentindo a pressão e a cobrança pela tal medalha de ouro. OK, conseguimos a medalha sonhada. Mas o resultado não foi convincente. A fraqueza dos adversários, exceto a Alemanha na final, deve ser considerada. Ainda acho que a safra é potencialmente boa. Mas não vou me iludir pelo resultado olímpico. Quem quiser se enganar, que o faça por sua conta e risco.

Outro ponto relevante foi o desempenho e comportamento do nosso principal jogador durante a competição. Ficou claro que o Neymar começou a competição sem ritmo de jogo. Assim como ficou claro que ele não lida bem com pressão e críticas. Nem mesmo as críticas justificadas. E igualmente evidente foi seu despreparo para ser capitão; ou mesmo líder de um grupo. Não é a dele!

O pior de toda essa história foi a forma como o Neymar devolveu a faixa de capitão. Não foi uma atitude racional, pensando no coletivo da seleção. Foi uma atitude de birra, de quem não gosta de ser criticado e contrariado. Foi muito imaturo. E uma pessoa imatura nunca pode liderar um grupo. Mas o maior erro foi de quem entregou a faixa para ele.

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E voltando ao futebol nosso de cada dia… É óbvio que não podemos avaliar o Tite no comando da seleção. Não jogou nenhuma partida ainda. Mas confesso que achei sua primeira convocação muito questionável. Até mais que as já feitas pelo Dunga e Felipão. Mas vou esperar o jogo ser jogado. Não vou reclamar por antecipação. Só quero registrar minha estranheza com a lista divulgada.

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Uma Resposta para “Considerações Finais Sobre a Olimpíada do Rio”

  • FABIOTV disse:

    Olá, tudo bem? Eu vejo uma perseguição em cima do Neymar…Ele estava de férias. Pode curtir a vida como ele acha…tem um projeto social muito bacana na Baixada Santista. É o maior jogador do futebol brasileiro da atualidade. Admiro o Neymar. Abs, Fabio http://www.tvfabio.zip.net


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