PostHeaderIcon Um Erro Olímpico



Não é sempre que temos uma folguinha para falarmos de outros esportes além do futebol. Mas vou aproveitar a pausa nos gramados e seguir um pouco do que o Alexandre escreveu na coluna anterior. Mas com foco maior nos ditos esportes olímpicos. E os Jogos do Rio são “logo ali”.

Já ouvi muita coisa sobre N projetos e planos para desenvolver o esporte olímpico no Brasil. O único que se mostrou perene e frutífero foi o do vôlei. Ainda que muito dependente de recursos públicos e com graves denúncias de desvios. Mas o resultado, nas quadras e areias, é indiscutível. Acontece que o vôlei é a exceção que confirma a regra.

Outro dia o Alexandre e eu conversamos sobre a seleção de handebol e suas possibilidades na Olimpíada. O handebol se encaixa numa categoria intermediária, onde o investimento é localizado e focado no alto desempenho. E, novamente, dependente de patrocínio de estatais. O Morten Soubak, na seleção feminina, conseguiu o quase impossível. Mas é um resultado temporário e que vai virar pó se não houver um investimento na base e numa liga nacional com competitividade e visibilidade.
seleção de handebol
Contratar um técnico estrangeiro e focar o trabalho na seleção pode até render algumas vitórias e medalhas. Ainda chama a atenção do público e da mídia. Mas ele não vai sustentar uma modalidade. É uma montanha russa, depois da subida, você já sabe o que vai acontecer.

O último modelo que temos é o da geração espontânea. Esperamos que o acaso faça aparecer um prodígio e que ele conquiste títulos mundiais. Depois, e só depois, recebe as glórias e os milhões dos patrocinadores. Temos alguns exemplos disso, que vão do tênis ao surf. E a nossa mídia, “resultadista”, insufla muito esta mentalidade. Tanto que já criamos o torcedor de campeões, aquele que só valoriza o ouro, não o esporte.

Recentemente, no Extra Ordinários, a Fabiana Murer foi indagada sobre as possibilidades do atletismo na próxima olimpíada. Então ela justificou o baixo rendimento dizendo que sempre foi assim; uma ou duas medalhas e tava de bom tamanho. Muito bem, sempre foi assim. Mas não deve ser mais. Hoje se investe muito no esporte amador, mesmo que de forma errada. E os resultados não acompanharam o investimento. Países africanos, Bahamas e até Cuba, com muito menos recursos, conseguem entregar mais. Sinal de que só dinheiro não garante muita coisa.

Eu não creio que aconteça, mas pode até ser que o COB consiga alcançar a meta de medalhas e que o Brasil fique entre os 10 primeiros no quadro geral. Mas o quadro de medalhas não deveria ser a prioridade do COB e das confederações. O foco deveria ser duplo: investir na base (estrutura) e investir na seleção (alto rendimento). Uma alimentaria a outra e os resultados seriam mais duradouros. Mas, preferem ilusões temporárias… Paciência!

* * * * *

Desejamos aos nossos leitores um ótimo 2016, com muita saúde e prosperidade. Vitórias para todos!

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3 Respostas para “Um Erro Olímpico”

  • Alexandre Rodrigues Alves disse:

    A cultura resultadista está muito impregnada por aqui. Além dela temos a coisa das pessoas usarem as vitórias dos atletas como se fossem suas. Por exemplo, quantas vezes você já ouviu alguém dizer “o nosso Guga”? Como ele venceu ele foi ídolo…Dificilmente escutaremos alguém falar do “nosso Bellucci”.

    Além disso a educação física como algo pensado socialmente e até mesmo para promoção da saúde das crianças é deixada de lado como formação dos alunos nas escolas, o que é uma pena. Teremos uma Olimpíada, alguns ouros e aquele insuportável oba-oba, mas não seremos de fato um país esportivo, com cultura para tal, lamentavelmente.

  • Gabriel disse:

    Para ilustrar bem essa cultura resultadista, lembro de um mundial de vôlei do qual a seleção brasileira ganhou acredito que bronze, após anos dominando o cenário mundial, o Galvão Bueno claramente abatido narrando o jogo, como se fosse uma derrota o time enfim não ter conseguido mais uma vez o ouro.

    Temos também os poucos atletas que conseguiram um lugar na sombra por uma ou outra vitória. O brasileiro gosta de vencer, nem que seja de 1×0 em um pênalti roubado aos 45 minutos do segundo tempo.

    Não temos uma cultura esportiva, acredito muito pelo fato de nossa televisão vender nossos atletas como a vítima, aquele do qual o mundo quer que perca, deveria passar a idéia que temos capacidade como todos, só não temos estrutura e apoio para isso.

  • Marco disse:

    Gabriel, concordo com quase tudo que você disse, mas creio que o apoio (financeiro) melhorou bastante nos últimos tempos. Mas a estrutura, na maioria dos casos, segue precária.
    Feliz 16!


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