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Archive for May, 2015

PostHeaderIcon O Jogo Sujo do Futebol

Muitos podem ter ficado surpresos com o FIFAgate. Talvez mais pelas prisões que pelo escândalo em si. Não é comum ver gente “fina” sendo algemada e detida. Principalmente aqui, onde a impunidade é a regra geral. Então o fato foi até chocante.

Mas uma pessoa bem informada não deve ter ficado surpresa com o escândalo envolvendo a cúpula da FIFA. Menos ainda se for um jornalista. As denúncias já vinham pipocando. Andrew Jennings, jornalista e escritor britânico, já havia publicado inúmeras matérias denunciando esquemas sujos e a corrupção na entidade. O jornalista Jamil Chade, do Estadão, também vem realizando um trabalho parecido. A ESPN, em menor grau, também noticiava sobre as irregularidades. E ficava quase só nisso e na imprensa nanica.
corrupção na fifa
Do dia 27 pra cá a grande mídia resolveu sair do torpor e abriu enorme espaço pra cobrir a denúncia e prisões. Mas aí não era mais a imprensa esportiva, já estava na editoria policial (ou cotidiano). A imprensa esportiva levou uma bela bola nas costas. Merecidamente. Pois foi covarde, omissa e comprometida com interesses poderosos. Em alguns casos beirava a cumplicidade. Então esse repentino interesse denuncista não me convence. Estão jogando pra arquibancada (sofá).

Tampouco me convence a tentativa de investigação em nosso país. A nossa justiça já perdeu esse bonde. Todos sabem da sujeira da CBF, mas nunca quiseram mexer no vespeiro. A CPI também terá pouco (ou nenhum) resultado. Talvez até sirva como cortina de fumaça para encobrir outros escândalos. E certamente será um palco para exibicionistas.

Na verdade, a nossa imprensa e a justiça (ou a Polícia Federal), ainda podem se redimir. Temos outros pontos obscuros, que merecem investigação e denúncia. Deixem a FIFA e os “Blatter boys” pra justiça americana, ela sabe cuidar disso. Se concentrem na sujeira daqui, nas federações, clubes, empresários, contratos, concessões, empréstimos nebulosos, vendas mal explicadas… Ou então continuem fazendo cara de paisagem e esperando que o acaso resolva os problemas do nosso esporte.

Aproveitando, e a CBV, como tá? Tudo certinho por lá?

* * * * *

Ontem o Blatter foi reeleito para o 5º mandato na FIFA, sem qualquer pudor. Era esperado, mas foi vergonhoso. Mesmo que ele não tivesse participação no esquema – coisa que duvido. Ainda que ele não soubesse do ocorrido – e também duvido disso. Deveria saber; ou é totalmente incompetente para dirigir a entidade. O “não saber” não é prova de honestidade, é prova de incompetência.

Resta saber se a UEFA irá realmente tomar uma medida mais radical. Dizem que pode haver uma cisão. Ou não. Mas penso que é hora de uma revolução. Não só envolvendo a FIFA, mas dentro do futebol brasileiro. Se esse não é o momento, quando será?

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PostHeaderIcon Fifa e Messianismo

O futebol viveu uma quarta-feira histórica com a prisão, em Zurique na Suíça, dos dirigentes ligados à FIFA, a maioria deles vinculados à Conmebol e a Concacaf, entre eles o brasileiro José Maria Marin, ex-presidente da CBF. As acusações vão desde corrupção na compra e venda dos direitos de transmissão de jogos até propina recebida nas votações para as escolhas das sedes das Copas de 2018 e 2022.

Antes de qualquer coisa temos de celebrar esse momento e ver que, mesmo tardia, a justiça tem chance de aparecer e ajudar. O futebol mundial claramente é lesado a muito tempo à custa de interesses escusos. Dominados por cartolas que se perpetuam em seus cargos, como se as entidades, federações e confederações fossem propriedades particulares. Inclusive, mesmo com todo o escândalo, Joseph Blatter deve ser reconduzido ao QUINTO mandato como presidente da FIFA nessa sexta-feira (a não ser que tenhamos outras ações do FBI…) Ou seja, temos MUITOS coniventes e covardes que compactuam com a situação atual. fifa bola parada

A presença da polícia estadunidense acontece pelo fato dos corruptos terem usando bancos da terra do Tio Sam para transações de dinheiro sujo. O que mostra que muitas vezes a corrupção é tão absurda e descarada que fica até mais fácil de se combatê-la. Acho que a colaboração de todos os países que tenham uma justiça séria é importante no processo. Pode-se reclamar de uma certa presença exagerada dos EUA, ainda mais ao vermos alguns promotores de justiça do país dizerem que pretendem “limpar o futebol”. Mas se a limpeza tem de ser feita, ela deve começar por algum lugar.

Temos sempre de lembrar porém que tanto Inglaterra quanto os Estados Unidos queriam as Copas de 2018 e 2022 respectivamente em seus territórios (e não será surpresa para mim se, pelo menos, a Copa que está marcada para ser no Catar mudar de local). Me parece que apenas a derrota no processo de escolha de 2010 fizeram alguns enxergar que existia corrupção na FIFA e nos seus meandros, coisa que vem de longe. Digo isso porque, ainda que tenhamos pessoas sérias na Justiça e em toda a investigação, os interesses econômicos ligados à uma Copa do Mundo são sempre relevantes.

Mas mesmo com essa ressalva deixo claro que temos de comemorar e ressaltar a chance de poder começar a moralizar o esporte como um todo. Não será do dia para a noite, até porque a corrupção é presente na essência do ser humano em qualquer ramo de atividade. Mas mostrar que existe e pode haver justiça de verdade, até mesmo para cartolas “eternos” do futebol, é uma boa medida para começar a mudar. Pena que não creio que essa mudança seja tão efetiva no Brasil, a não ser que algumas “cabeças coroadas” do nosso esporte tenham o mesmo destino de José Maria Marin. Inclusive aqueles que foram para Miami ou Boca Ratón, aproveitar a impunidade que, infelizmente, ainda é grande por aqui…

*****

Mudando completamente de assunto. O jornalista inglês radicado no Brasil Tim Vickery já falou com muito acerto sobre um processo que acontece sempre nas vésperas de algum jogo aqui no país. É o chamado “messianismo”. Uma busca por algum fator externo que possa fazer com que os jogadores se motivem para poder obter uma vitória. Tudo é usado como algo que pode levar o time ao triunfo. Veja, por exemplo AQUI, uma matéria do jornal O Tempo de Belo Horizonte na véspera do jogo de ontem entre Cruzeiro e River Plate. O fato do falecimento da mãe do técnico Marcelo Oliveira seria algo que faria o time brasileiro lutar mais em campo e se classificar num ato que certamente seria tachado como “heroico”. river plate cruzeiro bola parada

O fato é que, como o mesmo Tim Vickery disse, muitas vezes essa análise emocionada da imprensa em busca de “ganchos motivacionais” não trás uma visão tática do adversário. Poucos disseram, no caso da classificação do River, que o time argentino jogou nessa Libertadores melhor fora de casa do que em seus domínios. Poucos lembraram que o uruguaio Carlos Sanchez, autor do primeiro gol, é um grande meio-campista. Que o time argentino mudou seu jeito de jogar fechando os lados de campo, diferente do que fez na primeira partida, em que os portenhos ainda sentiam os efeitos das bombas lançadas na Bombonera. Mas em que pese esse fatores, estava tudo preparado para uma classificação brasileira. Esqueceram, mais uma vez, de combinar com os visitantes.

E mesmo assim muitos aqui não aprendem. Para alguns o que aconteceu ontem no Mineirão foi mais um aqueles apagões (veja AQUI) que são cada vez mais frequentes em nosso futebol…E de apagão em apagão, a tal “soberania” do futebol brasileiro vai ficando apenas no discurso. Ou na esperança de algum milagre messiânico…

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PostHeaderIcon Direitos Divididos, Notícias Pela Metade

O jornalismo pode usar diversas maneiras para mostrar a SUA verdade dos fatos. A verdade de fato, muitas vezes, não sabemos. Ou então só conhecemos se tivermos mais tempo e condição de pesquisar sobre o assunto.

Um exemplo claro é a questão dos direitos de transmissão de TV dos mais variados jogos e campeonatos de futebol pelo mundo. Nem todo mundo tem acesso aos meandros das negociações e fica por fora do assunto, normalmente até ver que determinado jogo do seu interesse não está passando em um canal de sua preferência. É compreensível e por isso vemos um número elevado de pessoas perguntando e querendo saber até mesmo de jornalistas das emissoras se elas vão transmitir tal evento. Não é obrigação dos profissionais saber de tudo, mas seria papel da empresa jornalística informar de forma correta a situação de compra (ou não) de cada campeonato.

Por essa razão me chamou a atenção um fato recente sobre a disputa pelos direitos do Campeonato Alemão. A FOX de fora do Brasil fez uma compra global e adquiriu o campeonato dos atuais campeões mundiais. O fato, para quem acompanha esse tipo de noticiário, não era bem uma novidade; a pelo menos um ano já se sabia que a “raposa esportes” vai transmitir a competição alemã nos próximos anos. Porém nos últimos dias o canal cedeu parte do campeonato para a ESPN. (Veja NESTE link como a ESPN tratou o assunto). Veja que em nenhum momento a nota ressalta que a transmissão do campeonato será dividida com um rival. campeonato alemão bola parada

Mas o pior foi ver a postura dos profissionais da ESPN no vídeo. Houve uma grande comemoração pela continuidade da transmissão dos jogos da Bundesliga. Ok, é algo para ser registrado. Mas o fato é que ninguém ressaltou no ar a situação verdadeira de que a ESPN PERDEU os direitos para a FOX Sports e só conseguiu manter a transmissão de “meio” campeonato por uma decisão estratégica da FOX, que preferiu manter os direitos do Campeonato Italiano por inteiro e ceder parte do Alemão, provavelmente por achar que os jogos da “Bota” trarão mais audiência, além de bloquear um possível avanço do Esporte Interativo (leia-se Turner Esportes) sobre a competição alemã.

A notícia mais correta seria ESTA aqui do Portal Terra, que ressaltou ter transmitido os jogos do Alemão até esta temporada, mas não disse que provavelmente não transmitirá os jogos da próxima edição…Ou seja, mais correta em termos…

Os interesses comerciais são parte importante de qualquer emissora de TV, rádio, jornal ou mesmo portal da internet. Entendo que um rival não queira “jogar confete” no outro. Mas um pouco de verdade nas notícias, mesmo que elas sejam negativas para a emissora, não fariam mal para o verdadeiro jornalismo e para quem gosta de informações corretas sobre qualquer assunto. Com a briga pelos direitos do Campeonato Espanhol e pelo Inglês, além da situação meio estranha da UEFA Champions League, voltaremos ao tema brevemente…

(Faço justiça ao Everaldo Marques e ao pessoal do Space que pelo menos nas transmissões da NBA não se furtam de dizer que tal jogo passará no canal concorrente em dias subsequentes. É uma atitude simpática pois informa ao fã da modalidade de forma correta e simples).

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Na última semana a ESPN Brasil exibiu o Bola da Vez, novamente com o técnico do Flamengo Vanderlei Luxemburgo, que já tinha ido ao mesmo programa no ano passado. Sobre a “atuação” do treinador no programa não vou falar muito, Tostão NESTA coluna já disse um pouco do que penso. O que me chama a atenção é o fato do canal não ter levado ao programa o Mauro Cezar Pereira, um contumaz crítico do técnico flamenguista. bola da vez bola parada

Não acho que o jornalista tenha de ser levado a um programa de perguntas e respostas apenas com o intuito de criticar ou provocar o entrevistado. Mas você ter na bancada alguém com mais senso crítico e com bons argumentos para questionar quem está na atração é algo válido. Porém o programa da ESPN parece ter ido por outro caminho, com a redução do número de entrevistadores e a escolha de pessoas que não teriam tanta condição de colocar o convidado “na berlinda”.

Sobre a contratação do Dan Stulbach para apresentar o programa: eu coloco isso na conta da atual direção do canal que parece tentar desesperadamente chamar a atenção para a emissora, mesmo que para isso tenha de fazer a ESPN Brasil perder parte da sua qualidade. Afinal chamar um ATOR (que é isso o que o Dan é na verdade) para apresentar um programa jornalístico-esportivo faz com que tenhamos a certeza de que no jornalismo esportivo de hoje em dia vale tudo (pela audiência). E nem tudo pela qualidade e pelo espírito crítico.

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esporte interativo nordeste bola parada O Esporte Interativo têm os direitos da Série C do Brasileiro e não os passa em TV aberta, nas parabólicas. Mais um golpe naquele discurso de levar o esporte para todos, ainda que muita gente continue a defender cegamente o canal…O EI Nordeste já exibiu de tudo, desde lutas de MMA até jogos do Barcelona, Real Madrid e outros europeus (tudo a ver com o Nordeste…). Portanto não foi surpresa exibirem Guarani (de Campinas) e Londrina pela Série C do Brasileiro no último fim de semana. Não seria melhor mudarem logo o nome do canal para Esporte Interativo 2, EI +, EI qualquer coisa? Essa história de “defender o nordeste” pode enganar alguns, mas em geral causa apenas vergonha alheia. Sei que transmitem a Copa do Nordeste, mas para eles a defesa da região só vale por 4 ou 5 meses ao ano? Com a palavra os fãs da emissora…

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PostHeaderIcon Cabeças Vão Rolar (e Cartolas Vão Errar)

Nem bem começou o Campeonato Brasileiro e já vimos duas trocas de treinador. Felipão no Grêmio e Ricardo Drubscky no Fluminense foram demitidos e todo falado “planejamento” dos clubes foi por água abaixo. Os estilos dos treinadores é bem diferente, mas a demissão mostra algumas particularidades dos nossos clubes.

Drubscky é um estudioso do futebol e mostra ser um conhecedor de táticas, inclusive já escrevendo um livro. Mas em clubes até agora pouco fez de relevante. Inclusive vem de duas demissões recentes no Goiás e no Vitória. Porém não deixa de ser culpa do clube contratar um treinador e demiti-lo após apenas 8 jogos. Em se tratando do Fluminense nem chega a ser uma novidade existir esse “moedor de treinadores”, mas não deixa de ser impressionante com um clube não tem nenhum critério para ter um técnico e cede tão facilmente à pressões da torcida e imprensa para fazer uma troca. felipão drubscky bola parada

No caso da saída de Felipão existiu claramente o desgaste com o grupo depois da desastrada ideia do treinador em sair de um jogo antes do final, indo para o vestiário. Além disso, com a redução financeira imposta pelas dívidas gremistas, o time se enfraqueceu em relação ao ano passado, mesmo com algumas contratações emergenciais feitas depois do início de ano ruim. Essa aliás é outra característica dos nossos clubes; dizem querer fazer austeridade financeira, mas depois de um ou outro mal resultado arrumam dinheiro que têm (e que não têm) para procurar reforços (sendo que alguns deles nem merecem esse título.

E a cadeira de erros não têm fim. O Grêmio já falou em Cristóvão Borges e Renato Gaúcho para ser o próximo treinador, sendo que a única semelhança entre os dois é terem sido ex-jogadores do clube. Como técnicos são bem diferentes. Sendo assim não existe um critério para se definir o nome ideal para o futuro da instituição. Atiram para todos os lados e normalmente atiram errado. Mesmo caso está acontecendo no São Paulo (mas esse é um assunto para outra coluna…)

O Fluminense até já escolheu um técnico. Enderson Moreira, que já passou pelo clube como “interino efetivo” (veja o que eu penso deles AQUI) em 2011, volta agora. Como um grande nome? Como parte de um grande “pojeto”? Não. Volta muito pela chamada falta de opção que faz com que os mesmos nomes rodem pelo mercado por, mais ou menos, uns 5 anos. Quem consegue algum título no período continua nessa roda-viva mal disfarçada. Que não ganha dá uma desaparecida.

Sendo assim vemos que os treinadores se sujeitam a essa situações. Não adianta apenas reclamar que os “clubes não dão tempo de trabalho”. Isso é uma verdade indiscutível. Mas os treinadores também poderiam se dar mais ao respeito e não serem apenas joguetes não mão de cartolas despreparados que demitem a cada 3 meses. Não dá apenas para cobrar profissionalismo de um dos lados da história. Enquanto isso porém, vamos nos preparando para atualizar a cada rodada a lista dos “guilhotinados”.

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PostHeaderIcon Ecos da Bombonera

Demorou, mas saiu a punição ao Boca Juniors após a agressão aos jogadores do River, na quinta passada. O clube foi eliminado da Libertadores, terá portões fechados em 4 jogos e ainda deve pagar uma multa de U$ 200.000. Alguns podem achar a punição severa. Eu não considero assim, penso que foi a mínima possível. Menos que isso seria um deboche.

A violência no futebol argentino não é novidade. Assim como ocorre no Brasil e em inúmeros outros países. Mas que é rara em locais onde o problema é enfrentado com mais severidade. E este é o ponto nevrálgico da questão. A violência é inerente ao ser humano, é quase impossível mudar isso. O problema é como enfrentar o fato. E nisso nós estamos falhando. E por nós entenda-se a Conmebol, AFA, CBF e todas as confederações do nosso continente. Tratamos a violência nos estádios como um crime menos grave. Somos benevolentes e complacentes. Aceitamos que vândalos, travestidos de torcedores, dominem nossas arquibancadas e afastem os verdadeiros fãs de futebol do local.
violência na bombonera
Hoje estamos falando da Bombonera e de Buenos Aires. Mas cenas parecidas já ocorreram em Belo Horizonte, Assunção, São Paulo, Santiago, Porto Alegre, Recife… Mudam as cidades, os estádios, os clubes, as camisas, mas o problema é um só. E pouco adianta punir o clube, fechar os portões ou aplicar uma multa. Isso é perfumaria. Não resolve nada; já vimos. O problema é maior e vai continuar existindo.

Muitos já disseram que o futebol é reflexo da sociedade. É uma verdade gritante. Mas não só pelo lado da violência nossa de cada dia. A similaridade também ocorre na impunidade e na permissividade. Também posso comparar as torcidas organizadas com o crime organizado. O Estado falha no combate ao crime organizado. E falha no combate às torcidas organizadas – se é que são torcidas de verdade. Eu prefiro chamá-las de facções. O Estado é complacente e, por tabela, conivente com o status quo. Sem esquecer que, por estas bandas, há um elo forte entre o Estado e os clubes, clubes com organizadas, organizadas com políticos… Andam tão próximos que muitas vezes não podemos distinguir um do outro. Não por acaso o futebol elege deputados, senadores, prefeitos. E torcedor vota, não é mesmo?

Existe uma solução mágica pra questão da violência no futebol? Não, nem mágica, nem 100% eficiente. Mas isso não impede ninguém de enfrentar o problema. Primeiro é preciso haver uma vontade política. Vontade e ação. Doa a quem doer. E deve doer é nos bandidos infiltrados nas torcidas. Eles é que devem ser punidos e extirpados do futebol. Não adianta punir os clubes, fechar os estádios e deixar estes marginais livres para cometer mais vandalismo.

Violência é uma palavra muito genérica, não tem rosto ou CPF. Vamos falar nos violentos, estes são reais, com cara, RG e CPF. Mas existe vontade e ação política para combater e punir, severamente, estas pessoas? Deixo que vocês respondam a questão.

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PostHeaderIcon A Derrota da “Opinião Pública”

O que é afinal a “opinião pública”? Segundo uma definição simples seria a opinião geral dos cidadãos em relação ao Estado, à sociedade e a outros temas ou questões. O problema é que muitas vezes essa visão é turvada e exagerada em razão dos interesses dos meios de comunicação que tentam fazer com que algo não necessariamente verdadeiro torne-se verdade. Com a massificação de um conceito, temos a impressão de que isso se transformou em algo definitivo, mesmo que muitas vezes isso a visão não corresponda à realidade. Nas eliminações de São Paulo e Corinthians na Libertadores de 2015 podemos dizer que o chamado “sendo comum” foi derrotado, mesmo que ele tenha sido criado pela mídia.

No caso são-paulino virou algo corrente na imprensa “especializada” a observação de que Milton Cruz tinha arrumado o time deixado por Muricy, mesmo tendo perdido o jogo decisivo que disputou contra o Santos no Campeonato Paulista, com o time jogando um futebol pífio. O interino que diz não querer ser técnico (mas estava no Bem, Amigos de segunda ao invés de se preocupar em estudar o time do Cruzeiro para a partida de quarta), já havia assumido a equipe Tricolor em outras oportunidades. E o que vemos é que o fato dele não ser técnico tem muito a ver com sua baixa competência para a função. Quem viu o jogo ontem, com 15 minutos, podia perceber que o Cruzeiro iria insistir com uma jogada pelo lado esquerdo da defesa são-paulina e que Reinaldo estava em péssima noite (o que é até o natural dele). Mesmo assim o “não-técnico” nada fez para corrigir a situação. Só mexeu na equipe depois de tomar o gol e mesmo assim para tirar a única proteção que existia por ali (Wesley). são paulo cruzeiro bola parada

Além disso Milton Cruz mostrou ser alguém sem pulso para fazer trocas necessárias e mexer em medalhões da equipe. Ganso se arrastou em campo o jogo inteiro, mas não foi substituído. Luis Fabiano entrou mesmo a muito tempo sendo apenas uma sombra do jogador que já foi um dia. Nesse caso temos também mais uma ação da “voz do povo”. Basta o “Fabuloso” fazer um gol que a mídia já o exalta e alguns torcedores que provavelmente acreditam em Coelhinho da Páscoa ou Saci-Pererê acham que ele ainda pode resolver algum campeonato para o São Paulo. Em resumo, o Tricolor é um time que vive de aparências, muitas delas infladas pela mídia, e o que é pior, elas viram realidade por quem dirige o clube.

*****

Outra equipe que criou uma aura de superioridade quase que inabalável é o Corinthians. Depois de conseguir títulos internacionais inéditos, a mídia aumentou e deu voz às promessas recheadas de megalomania de alguns dirigentes alvinegros. Uma delas é que o clube seria o “maior do mundo” em pouco espaço de tempo. Primeiro que é complicado dizer e mensurar o “maior clube” em qualquer critério, é algo relativo sob vários pontos de vista. Segundo, tendo em vista o mercado brasileiro e até mesmo o que se joga por aqui, é algo que virou apenas piada com o passar do tempo. guarani corinthians bola parada

Assim como deve ser sempre lembrada como piada a infeliz especulação: “O Corinthians atual faria bonito na Champions League?”, que foi ventilada por alguns cronistas e virou até enquete na ESPN Brasil. O bom início do time de Parque São Jorge na atual Libertadores enganou alguns e pelo visto empolgou demais o próprio elenco. Eu mesmo citei NESTE texto o bom início de ano do time de Tite, mas lembrava que não sou fã de endeusamentos. E esse endeusamento que parte da imprensa fez com o treinador não foi bom para a equipe. Além disso evidentemente vimos com o tempo que o elenco do Corinthians possui algumas fraquezas. A zaga não é tão segura pelo alto, Vagner Love não se mostra como solução no ataque e o time sem Guerrero se mostra inofensivo na frente. Fatores esses que foram ignorados pela mídia em grande parte do tempo.

Não coloco na conta apenas da “mídia paulista” esses lugares-comuns e exageros. Vemos isso em todo local e em vários aspectos. O Inter sempre favorito ao Brasileiro e o Brasil como dono exclusivo do “futebol talentoso” no mundo são outras das muitas “verdades absolutas” que vemos por aí e que independem de localidade de nascimento de quem fala besteira. Generalizar, comentar com base na amizade e da torcida nunca é bom, mas infelizmente é o que vemos muitas vezes na nossa mídia.

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