PostHeaderIcon Má Gestão Futebol Clube



Analisar as contas de clubes de futebol exige uma mente pouco analítica e uma imaginação muito fértil. Só assim pra entender a matemática financeira de nossos clubes. A razão não entende, só a paixão. Mas aqui (nesta coluna) é a razão quem fala mais alto.

Começo pelo Fluminense, que passou os últimos dias envolvido (demais) na eleição presidencial de seu patrocinador. Torcia pela vitória de seu mecenas; que não é tão mecenas assim. Dependia dos 70 milhões anuais que a Unimed Rio despeja nos cofres do clube. Isso, mais a cota da TV e a fornecedora de material esportivo, rendem 150 milhões anuais. O resto é bem resto.
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O nervosismo tricolor denota a extrema dependência do clube. Estão viciados no patrocínio; que já dura mais de 15 anos. E nem com esse dinheiro certo o clube conseguiu equilibrar suas finanças (grande parte da receita está penhorada ou bloqueada). Está tão quebrado quanto os rivais cariocas. Sem CT (no Rio), sem estádio, com poucos sócios torcedores e sem grandes projetos. Mas a mesada do Celso continua. Assim como as duas ou três estrelas caras.

O duro é entender o destino e a utilidade da verba do Celso Unimed Barros. Já falei antes e repito: os títulos do período não justificam. Os fracassos foram de igual monta. O Flu não quitou suas dívidas e nem investiu em estrutura física. Simplesmente gastou a mesada, com luxos.

Outro tricolor que anda mal financeiramente é o gaúcho. Os recentes erros administrativos fizeram um estrago enorme. O presidente anterior, Odone, errou na questão do estádio (ou arena). O atual, Koff, errou na montagem do elenco de 2013 e na escolha da comissão técnica. Agora o Grêmio está pagando pelos erros. Da pior forma. E até comprometendo o trabalho deste e do próximo ano.

Outro dia, vendo um jogo do Grêmio, pela Libertadores, pensei em escrever algo sobre o atual time, de novatos, em comparação com o elenco de 2013, caro e improdutivo. Mas não deu. E nem precisaria. Esse time de 14, bom, bonito e barato, não foi uma opção. Foi uma necessidade, pela falta de dinheiro. E meus elogios seriam inadequados pois o Grêmio já está vendendo fatias de alguns dos novos jogadores. Ou a “pizza” inteira, como o lateral Wendell, que vai pro Bayer Leverkusen. O clube tá se desfazendo de revelações e/ou promessas para quitar as dívidas do passado recente.

Aliás, é interessante observar como os clubes facilmente encontram investidores para comprar fatias de jogadores. Chovem empresários nessas horas. Mas, para achar uma empresa (real) e vender um patrocínio forte… Aí é uma complicação. Alguém sabe o motivo? Ou vocês sabem qual a vantagem de vender uma fatia de um jogador por 1 milhão e ver a mesma fatia valer 3 milhões após 6 ou 9 meses? Já ouvi algumas justificativas tortas, do tipo: “Esse 1 milhão pagou alguns salários e o tal jogador ficou no clube até o final do Brasileirão“. OK, pode ser. Mas, por outro lado, o clube deixou de lucrar 2 milhões, que foram pro bolso de um investidor oculto. Investidor oculto pra nós. Lá na presidência dos clubes eles são bem conhecidos. Bem chegados.

Outro clube, elogiadíssimo por sua gestão, é o Santos. Elogiado pela imprensa esportiva, é bom esclarecer. Eu nunca gostei do modus operandi da direção santista e das vendas prematuras de revelações. Também não aprovo o marketing do clube, tá perdendo dinheiro. Assim como o Santos vai ter redução em sua cota de televisão.

E por falar em cota de TV, o Peixe pode perder parte de uma para pagar o empréstimo da Doyen, usado na compra do Damião. Basta que não apareça uma boa oferta pelo centroavante. Não é bacana? Mas isso não é problema, se faltar grana é só vender mais dois ou três dos jovens talentos. E passar o abacaxi pro próximo presidente.

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Uma Resposta para “Má Gestão Futebol Clube”

  • Alexandre Rodrigues Alves disse:

    Aquele time do Santos de 2002 e mesmo o de 2010 só surgiram da necessidade do clube em montar times baratos depois de torrar todo o $. Não digo que, a partir do momento em que os dirigentes respondessem pelos seus atos, como em uma lei de responsabilidade contábil, a coisa melhoraria, o tal fair play financeiro da UEFA ainda não surtiu resultados tão práticos, mas poderia ser um caminho aqui no Brasil. Mas acreditar que isso será feito por aqui é BEM utópico, infelizmente.


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