PostHeaderIcon A situação do São Paulo



O São Paulo vive uma situação praticamente inédita em sua história, que é brigar na parte de baixo da tabela em um Campeonato Brasileiro. É tentador dizer que, “pelo elenco que possui, o time vai dessa”, bordão sempre repetido quando um clube grande fica nessa posição da classificação. Ainda que isso possa vir a acontecer será um longo caminho, pois mesmo nivelado por baixo em vários momentos, o Brasileirão tem seu grau de dificuldade aumentado para alguém que quer sair da degola. Para tentar entender o que se passa, vou falar mais sobre o time dentro de campo, apesar de que claramente a diretoria Tricolor, comandada por Juvenal Juvêncio, que obteve um imoral terceiro mandato em 2011 com a mudança do estatuto do clube, é a responsável pela montagem do time e pela sua desestabilização. Mesmo que possamos considerar o elenco paulista superior a pelo menos metade dos times do campeonato, o Tricolor montou um grupo desequilibrado, que começou a chegar nessa situação ano passado, mesmo com o título da Copa Sul-Americana.

Quando foi concretizada a venda de Lucas para o Paris Saint-Germain no segundo semestre de 2012, o goleiro Rogério disse que o time perderia 40% de sua força. Não chegaria a tanto em termos de número mas, somada à uma carência antiga do São Paulo no ataque, isso acabou se confirmando dramaticamente. Pode soar estranho dizer que o SP sofre no ataque, tendo o sexto maior artilheiro de sua história vestindo a camisa 9, mas é o que vem acontecendo. Luis Fabiano continua com seu comportamento errático, insistindo em ser “o cara que se esforça”, tentando sempre jogar para a torcida sua raça, para ter seu nome gritado no Morumbi. O problema é que ele já é um jogador marcado pelos árbitros por seus equívocos e parece que ele não faz nenhum esforço para mudar, acumulando assim cartões e suspensões, principalmente em jogos decisivos, o que já faz uma parte da torcida ser contrária à sua presença no time.images1

O problema é que o SP vive aquela clássica situação de “ruim com ele, pior sem ele”. A diretoria não aproveitou a janela de transferências para buscar um outro atacante de alto nível e Luis Fabiano, ainda mais nessa situação terrível no campeonato, continua sendo muito necessário para o time, até porque os seus substitutos no elenco são limitados. Aloísio é muito esforçado, bom complemento para o grupo, mas tem claras limitações técnicas. Ademílson ainda é uma promessa, que faz poucos gols e Osvaldo, além de nunca ter sido um artilheiro, voltou muito mal da Seleção e da contusão que sofreu na semifinal do Paulistão e até hoje não reencontrou seu futebol.

Com a saída de Lucas, a diretoria tentou dar um golpe em um rival e trouxe Paulo Henrique Ganso para o lugar do ex-camisa 7. Claramente ainda longe de um futebol que apareceu chamando muito a atenção em 2010, o ex-meia do Santos, ainda sofre para jogar em seu melhor nível, o que talvez seja difícil pelo número de lesões que já sofreu e pelo estilo de jogo que muitas vezes é insuficiente em termos de participação na partida. Com essa contratação, o time passou a ter 2 meias (Jadson e Ganso), que basicamente jogam na mesma faixa de campo e não ter alguém que partia para cima da defesa adversária, conseguindo decidir jogos na individualidade, como Lucas fazia. Não acho que é totalmente incompatível um time atuar com 2 meias mais clássicos, mas o ex-treinador do SP Ney Franco tentou o quanto pode manter o time da maneira em que ele atuava com a presença de Lucas, só que sem ter alguém da mesma qualidade ou característica no lugar. Resumindo, o time não jogava nem de uma forma, nem de outra.

Além disso a defesa que tinha se acertado com Rafael Tolói e Rodolpho no fim do ano passado, foi remontada em torno da contratação do pentacampeão mundial Lúcio. Nessa, eu até isento um pouco a diretoria. Eu também teria o contratado, por ser um jogador de personalidade, experiente e que poderia ajudar na Libertadores. Só que deu tudo errado dentro e fora de campo. Mais à frente na cabeça de área, a diretoria não teve a iniciativa de contratar um cabeça de área mais pegador, o que poderia ser importante para a Libertadores e acreditou muito na juventude de Denilson e Wellington, o que se mostrou insuficiente para encarar a competição Sul-Americana.

Soma-se a isso os problemas internos entre Ney Franco e parte do elenco, o que minou a confiança do grupo, com as sucessivas derrotas. Paulo Autuori chegou e pegou um grupo despedaçado em termos de confiança e qualidade. Aos poucos vem tentando fazer o time jogar de forma mais simples, com os 2 meias e com uma maior segurança defensiva. Talvez em termos psicológicos, o time possa ganhar muito com a vitória de ontem sobre o Fluminense. Não foi uma grande atuação, mas o time mostrou mais força na defesa, ainda que ajudado pela fraca partida do time carioca. No entanto, a equipe continua falhando em matar as partidas e esse problema do ataque continua, ainda mais agora com outra suspensão de Luis Fabiano, dessa vez para o jogo contra o Botafogo.

Existem campeonatos em que os objetivos são menores e parece ser o caso desse BR-13 para o São Paulo. Talvez seja necessário acontecer isso para que um clube grande possa acordar e ver que não apenas pela camisa pode vencer e sempre estar no topo. Vamos ver se esse susto acorda quem comanda o São Paulo para que isso não se repita. O time dentro de campo parece ter despertado, falta agora quem está mais acima pensar e agir como a grandeza do clube pede, não apenas com discursos vazios e soberbos, mas com ações mais inteligentes.

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Uma Resposta para “A situação do São Paulo”

  • Marco disse:

    Ainda existe o problema dos laterais no SPFC. Os atuais são bem limitados. Culpa de quem os escolheu ou achou que dariam conta.
    Neste ano acho que o máximo que o SPFC consegue é uma colocação digna. E já ir preparando o elenco pra 14. Goleiro, laterais, 1 zagueiro de nível, 2 atacantes… E ver quais dos jogadores da base serão aproveitados.


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