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PostHeaderIcon Oba-Oba Olímpico

Estamos perto dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Depois de 7 anos de uma preparação que ocorreu com certas polêmicas devido ao alto custo de várias obras e o não cumprimento de muitas promessas feitas pelos políticos nacionais (uma prática mais do que comum por aqui), começamos a ver a chegada de atletas de todas as modalidades. O nosso blog é mais voltado para o futebol e é sobre ele que abordarei neste texto, mas durante os Jogos poderemos ressaltar alguns aspectos a respeito das competições e dessa situação confusa que permeia a Olimpíada como um todo. Digo de antemão que até acredito que na hora das disputas tudo deve acontecer mais ou menos dentro de uma normalidade, mas o custo para que isso ocorra é muito elevado e o tal “legado” para a cidade ficará escondido por tantos problemas e equívocos. Mas de todo modo voltaremos ao tema, inclusive na análise da cobertura jornalística do evento.

Durante esse tempo de preparação já deixei claro minha posição a respeito do futebol dentro dos Jogos Olímpicos. Como a Copa do Mundo feminina não tem o mesmo peso midiático do que a competição masculina, teremos a maioria das as melhores jogadoras atuando normalmente no Rio de Janeiro. Porém entre os homens temos a limitação de idade (até 23 anos, com 3 exceções), que faz com que tenhamos, ainda mais no caso brasileiro, uma seleção hibrida. É uma equipe que nunca jogou junto e que possivelmente nunca mais atuará em conjunto, já que muitos dos convocados para o Rio não deverão voltar ao time principal mais para frente. O mais lógico seria fazer um torneio Sub-20, sem atletas além desta idade, com uma equipe que não atrapalharia tanto o calendário dos times principais e serviria mais para mostrar novos talentos.

Sendo assim o torneio olímpico de futebol masculino não é tão representativo assim. Mas principalmente depois que o Brasil venceu duas Copas do Mundo (1994 e 2002), após longo jejum de conquistas, criou-se uma obsessão por essa medalha de ouro olímpica, muito além do que realmente vale este torneio. Porém, poucas vezes o time brasileiro foi bem preparado para, de fato, vencer a competição. Desta vez a equipe até teve alguns amistosos, comandados pelo técnico Rogério Micale, mas em nenhum deles fez um futebol de “encher os olhos”. Além disso, com a quase obrigatória entrada de Neymar na equipe, ela terá de mudar um pouco suas características.

E aí que entra o motivo deste texto. Com o destaque que conseguiram em seus clubes, Luan do Grêmio, Gabriel (Gabigol) do Santos e Gabriel Jesus do Palmeiras já chegam na equipe olímpica com muita moral, mas principalmente, cercados de um grande inimigo que quase sempre aparece nas preparações de seleções brasileiras: O oba-oba. Quase que num passe de mágica, o Brasil já se tornou mais favorito do que já é normalmente (pela sua história e tradição que devem ser respeitados). Mesmo sem vermos esse time em campo já vi alguns comentaristas exaltarem de forma empolgada o novo time canarinho. Elogiam os métodos de Micale (que ainda não ficaram bem claros, pelo menos para mim) e até mesmo propõem que o time jogue com os 4 atacantes juntos em campo!

Tenho sérias dúvidas de que a maioria dos comentaristas conheçam os times de Argentina e Alemanha, que certamente serão mais citados como “os únicos” que podem tirar o título do Brasil. Talvez nem saibam bem os destaques dessas seleções, já que nenhuma grande estrela foi convocada nos dois países. Isso sem falar em seleções como Colômbia, Portugal e Nigéria, que são poucos lembradas, mas que possuem potencial histórico para fazer bom papel por aqui. E isso me incomoda muito. Como disse no texto sobre Portugal campeão da Eurocopa, não dá para fazer o futebol apenas com base em estudos e estatísticas. Não adianta também ficar olhando números e confiar cegamente neles. Mas um pouco de cuidado na hora de falar e observar o quadro atual seria interessante. seleção olímpica bola parada

O trabalho de Rogério Micale tem bons sinais, ele parece ser um estudioso do futebol. Mas ainda tem pouca experiência em competições sob intensa pressão. Ele ficar como treinador era a melhor opção, diante da bagunça que a CBF vive a algum tempo (e também porque Tite é técnico da Seleção principal e tem de se preocupar com as Eliminatórias para a Copa do Mundo), mas também não poderia ser tão exaltado como vem sendo, só por dar boas entrevistas coletivas. O conjunto do trabalho dele só vai ser comprovado no campo, assim como o time que ele está montando. E me desagrada muito esse clima de “ninguém segura” o Brasil.”, só pelos bons atacantes que temos. Cheira arrogância e desconhecimento e o resultado dessa combinação não costuma ser positivo.

O Brasil pode vencer o ouro olímpico no futebol masculino e mesmo no feminino, tem qualidade técnica para isso. Mas estes fatos não escondem o trabalho cheio de erros e equívocos no nosso futebol, muito pela incompetência e omissão dos clubes e pelos desmandos orquestrados pela CBF. E no caso específico do futebol entre os homens, apenas o fato de termos alguns (não tantos assim) talentos individuais, não faz o time brasileiro vencedor por antecedência, como alguns já parecem acreditar. Cautela é sempre necessária.

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PostHeaderIcon Uma Final Surpresa, Mas Nem Tanto…

Amanhã começa mais uma final da Libertadores e pelo terceiro ano consecutivo não teremos um time brasileiro na disputa direta pelo título. Independiente Del Valle do Equador e os colombianos do Nacional de Medelín chegaram no estágio final da competição com merecimento pelo que jogaram durante todo o torneio, ainda que em sua semifinal o time da Colômbia tenha contado com certa colaboração da arbitragem nas duas partidas contra o São Paulo.

Porém isso não é justificativa direta e total para a eliminação da equipe brasileira. O Tricolor Paulista chegou até um pouco mais longe do que o esperado e também pelo trabalho com muitos equívocos que sua diretoria de futebol vem fazendo a algum tempo, ainda que neste ano algumas melhorias tenham sido vistas na gestão do grupo de jogadores. Edgardo Bauza conseguiu montar uma equipe, que se não é brilhante tecnicamente, consegue ao menos mostrar um pouco mais de vontade e capacidade de lutar dentro de campo, característica muito cobrada pela torcida Tricolor nos últimos anos.

Mas tecnicamente falando o Nacional era superior, com um toque de bola muito bom no meio campo, inclusive com o venezuelano Guerra, que foi reserva nas duas partidas, mas quando entrou mostrou grande qualidade e com os volantes Arias e Perez fez o time colombiano controlar as duas partidas em muitos momentos. Além disso a velocidade no ataque com Moreno e Ibarguen foi a marca da equipe durante toda a Libertadores, sempre numa boa mistura ofensiva. final libertadores 2016 bola parada

O Del Valle, time surpresa deste ano que conta com o apoio de todo o país por ser um time modesto e pela união nacional depois do terremoto acontecido no Equador em abril deste ano, também mostrou força durante todo o tempo. Venceu o Atlético/MG e eliminou o Colo Colo na fase de grupos. Passou pelo River Plate nas oitavas de final, bateu os mexicanos do Pumas nas quartas e venceu duas vezes o Boca Juniors na semi com merecimento. Time rápido e muito bem armado pelo técnico uruguaio Pablo Repetto e que conta com o meia Sornoza e o atacante Angulo como grandes destaques. Vai enfrentar o Nacional como “zebra”, mas já deu mostras que tem força para poder surpreender e ganhar um título inédito para sua modesta história.

Fica claro portanto que, ainda que alguns tentem desmerecer essa final, mostra como o futebol sul-americano hoje tem um equilíbrio bem maior do que tempos atrás. Claro que, até pelo potencial financeiro dos clubes e a qualidade individual dos jogadores, Brasil e Argentina ainda continuam superiores, mas com a integração do futebol como um todo, vemos até mesmo jogadores venezuelanos sendo disputados e contratados (com merecimento) por times brasileiros. Uma boa organização faz com que times menores possam suplantar outros mais endinheirados e a final da Libertadores deste ano prova isso mais uma vez.

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PostHeaderIcon A Euro e Coisas do Brasileirão

Antes de focar no Brasileirão, quero dar umas pinceladas sobre a Euro. Ainda mais após ver muitas pessoas reclamando do nível do futebol apresentado e da falta de gols. Vamos lá:

Concordo que algumas partidas tiveram um nível baixo. Inclusive o Alexandre tocou no número exagerado de seleções nesta edição do torneio. Mas vamos ser justos, algumas seleções sempre tiveram uma bola bem murcha. Quem reclama não deve saber, ou lembrar, das seleções dos países da antiga cortina de ferro. Tirando a Hungria e a antiga Iugoslávia, sempre foram equipes fracas. Pelo menos desde que eu me entendo por gente e assisto futebol. E o mesmo vale para as seleções do Reino Unido. Sempre jogaram na base da ligação direta e de cruzamentos. E neste caso eu até diria que melhoraram um pouco. Já a Itália, ela sempre teve esse estilo, onde a tática e a garra falam mais alto que a técnica. Não houve muita mudança.

Sobre a falta de gols, vejo algumas razões. Primeiro pelo nivelamento das seleções que chegaram na fase final. As seleções “saco de pancada” ficaram na fase eliminatória. Depois temos que notar que hoje em dia qualquer seleção tem um ótimo preparo físico e os técnicos sabem como se fechar na defesa quando é necessário. A Islândia é um belo exemplo disso. Mas também tivemos a França fechadinha na semifinal contra a Alemanha. E Portugal usando a mesma arma na final. E as duas tiveram sucesso na estratégia. Faz parte do futebol. Pode não ser bonito para os olhos, mas não é ilegal.

E mais uma coisa: Se a gente for comparar com a Copa América, não sei se a Euro foi tão ruim assim. E mesmo na Copa do Mundo; já vi cada jogo horrível…

* * * * *

levir culpi

Outro dia, quando o Levir estava ameaçando se demitir do Fluminense, fiquei analisando o cenário e notei um fato inusitado. Reparem nos 12 grandes do futebol brasileiro e seus atuais técnicos. Perceberam algo de diferente? … Pois é, o Levir é o único que se enquadra na categoria “de grife”. Ou da velha guarda. Ou dos renomados. Definam como quiserem. Mas o fato concreto é que a maioria é de técnicos da nova geração. E estrangeiros.

Não sei dizer se isso é uma mera coincidência ou se denota uma mudança efetiva no comando dos grandes clubes. Ainda mais conhecendo a instabilidade e as mudanças radicais que ocorrem nos mesmos. É o caso da recente mudança de técnico do Internacional. Foram do 8 ao 80. E nem estou entrando no mérito da capacidade do Argel e do Falcão. Falo mesmo da concepção de jogo. É algo incompreensível.

* * * * *

Praticamente todo ano temos reviravoltas na tabela de classificação do Brasileirão. Seja no topo, seja no Z4. Neste ano, tirando as duas primeiras rodadas, o cenário é bem mais estável. E, sem querer adivinhar o futuro, acho que não teremos muitas mudanças. Os que estão na frente devem seguir nesta disputa até o final. E os 8 últimos seguirão tentando escapar do rebaixamento.

Dependendo de onde o seu time se encontra…

* * * * *

O terceiro ponto que venho notando é algo que está se tornando uma constante. A cada dia é mais difícil ver um destaque individual no Brasileirão. Os motivos são aqueles que sabemos de longa data. Não vou repetir a ladainha. Mas prevejo que terei uma enorme dificuldade na hora de montar a seleção e escolher o craque do campeonato.

Será que é isso mesmo, ou eu estou ficando chato demais?

* * * * *

É certo que vários clubes brasileiros vão perder jogadores enquanto a janela de transferência pro exterior estiver aberta. Já faz parte do script; nem reclamo mais. Mas quero fazer uma pergunta: Quantos jogadores brasileiros, somados, teriam que ser vendidos para chegarmos na soma de 219 milhões? 5, 8, 10, 15…? Não sei dizer.

Mas por qual motivo eu escolhi o valor de 219 milhões? Bem, foi pelo simples fato deste ser o valor da rescisão de contrato do bravo Umtiti, zagueiro francês, recém contratado pelo Barcelona. Que coisa, hein…!!! É pra se pensar.

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PostHeaderIcon Mérito Além da Técnica

Ontem terminou a Eurocopa e com ela, mais uma vez, vimos como o futebol pode ser um esporte, além de surpreendente, decidido por fatores extremamente subjetivos e pouco falados antes de qualquer competição. Não que as análises prévias sejam inúteis, como alguns comentam sempre que algum time melhor perde para outro inferior. Observar o adversário, saber e conhecer seus pontos fracos e fortes é muito necessário em qualquer esporte e no futebol não é diferente. Porém o título conquistado por Portugal ontem, numa vitória na prorrogação sobre a dona da casa França por 1×0 é mais uma prova de que uma equipe não se faz apenas com talento individual e qualidade técnica.

É um exagero dizer também que o time lusitano é totalmente fraco. Nas últimas cinco Euros disputadas, chegaram em quatro semifinais e agora fizeram a segunda final. Em 2006 ficaram em quarto lugar na Copa da Alemanha e em 2010 só perderam para a campeã Espanha. Ou seja não é um time ruim. Mas também é evidente que a má campanha na Copa realizado no Brasil em 2014 e o fato de não terem um craque indiscutível que possa chegar perto do talento de Cristiano Ronaldo faz com que a equipe seja sempre vista com desconfiança.

Portugal não fez uma grande primeira fase, se classificando apenas empatando as suas 3 partidas. Não é algo impossível de se acontecer, mesmo para um time passar de fase em segundo lugar. A Itália em 1982 avançou na Copa da Espanha empatando seus três primeiros jogos e acabou campeã. Mas o que chama a atenção e faz uma relação entre os dois acontecimentos é o fato de termos o aumento de 16 para 24 seleções, tanto na Copa do Mundo a 33 anos atrás quanto no torneio continental europeu que terminou neste domingo. Se já era um número exagerado para o torneio mundial naquela época, para um torneio mais “local” é completamente desnecessário. Vimos times como Irlanda do Norte, Albânia e mesmo a Turquia, que possui mais tradição no futebol, mostraram muito pouco merecimento técnico para atuarem em gramados franceses.

Mas sendo assim os portugueses se aproveitaram de uma possibilidade de classificação para chegar às fases de mata-mata. O futebol não era tão vistoso quanto o toque de bola alemão e espanhol, não havia a possibilidade de jogar em casa e com uma geração jovem e talentosa como acontecia com a França. Mas o espírito coletivo do time do técnico Fernando Santos foi admirável. Mesmo em jogos fraquíssimos como contra a Croácia, o time sempre se dispôs a jogar e tentar o gol, mesmo que de forma pouco técnica. portugal euro 2016 bola parada

Pepe, um zagueiro que eu particularmente não gosto por ser pouco técnico e muitas vezes violento, fez uma grande Euro. Desde 2013 com a passagem de Carlo Ancelotti pelo Real Madrid ele mudou um pouco seu perfil de “brigador” e se preocupou mais em jogar futebol. Renato Sanches, jovem promessa do Benfica já vendida para o Bayern de Munique, foi importante pelo dinamismo que deu ao meio-campo. E Cristiano Ronaldo, ao lado de Nani no ataque, conseguiram se entender e levar perigo aos times adversários constantemente. Ainda que faltasse alguém mais técnico na meia cancha (João Moutinho foi reserva a maior parte do tempo), Portugal foi eficiente e teve merecimento em sua conquista.

A França teve chance de vencer a decisão. Griezmann, talvez o melhor jogador individualmente da Euro (tanto que ganhou o prêmio da UEFA, num acerto) ao lado de Bale (que não foi nem citado na Seleção oficial, um erro), teve a chance de definir a partida em uma cabeçada e Gignac mandou a bola na trave no finalzinho do tempo regulamentar. Mas como disse no início, ao mesmo tempo em que fica claro que o futebol tem de ter técnica e estudo, algumas coisas acontecem de forma quase que sem explicação.

O que teve explicação claríssima, porém, foi o fato dos lusitanos, mesmo sem Cristiano Ronaldo machucado ainda no primeiro tempo do tempo normal, manterem a força na prorrogação e com o gol decisivo de Éder, conseguirem controlar o jogo tanto fisicamente quanto tecnicamente, sendo que os franceses pouco ameaçara depois da desvantagem. E como o jogo de torneio eliminatório não se resume à 90 minutos o título português tem também esse mérito.

Não creio que o futebol corra risco de ficar pior com o título de uma Seleção menos favorita. A qualidade é importante, mas existem formas diferentes de se vencer e acho válido tentar ver as diferentes formas de um título. Voltarei a esse tema, já que muitos viram (ou alguns que dizem que não vêem nada no futebol europeu, por preconceito e desconhecimento) apenas os deméritos da competição.

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PostHeaderIcon Uma Breve Despedida?

O quanto um resultado pode mudar uma história? Como a influência de um lance pode alterar toda uma carreira ou dar uma dimensão maior ou menor à quem erra ou acerta? Depois da final da Copa América entre Argentina e Chile, pudemos ver novamente essa situação voltar à tona.

O time chileno não vence a Argentina em jogos de Copa América há inacreditáveis 27 jogos, com 20 derrotas e 7 empates! Trocou de treinador (Jorge Sampaoli por Juan Antônio Pizzi) e parecia ter caído um pouco de desempenho, após perder para os argentinos na primeira fase por 2×1. Mas depois de uma vitória acachapante contra o México (7×0) conseguiu se fortalecer no torneio e, passando pela Colômbia nas semifinais, venceu, nos pênaltis, a Argentina, depois de um 0x0 no tempo normal.

Mas o assunto que dominou o noticiário, muito mais do que o título dos chilenos, foi a aposentadoria, ainda não totalmente definitiva, de Lionel Messi da seleção argentina. Digo não definitiva pois com os apelos de tantas pessoas e mesmo com visão de que pode ser algo que foi feito no calor de um momento de tristeza, a maioria imagina que o camisa 10 vai voltar atrás em sua decisão e retornar à seleção na busca pela vaga na Copa do Mundo de 2018. 

Passado um certo tempo do anúncio já feito, podemos imaginar se ele teria feito o mesmo, caso o resultado da final tivesse sido outro. Também podemos pensar que a ação de Messi tenha tido um pouco a ver com a bagunça na AFA (Associação de Futebol Argentino) e o seu gesto possa vir a ser um certo protesto contra a atual condição de bagunça com a qual os jogadores têm de conviver. Também podemos imaginar que o camisa 10 do Barcelona tenha tentado tirar o foco da derrota de seus companheiros, trazendo para si as críticas e toda a discussão pós-jogo. Ou mesmo podemos imaginar que ele simplesmente se mostrou mais humano e falível e simplesmente se cansou. messi argentina bola parada

É difícil julgar alguém de longe e a dor e o sentimento são fatores extremamente pessoais, mas de modo geral, levando em conta a importância que têm no futebol, penso que a atitude de Messi foi um pouco precipitada. Sendo líder de uma seleção tão importante, ele deveria ao menos levar o seu atual fardo de não conquistas até a Copa de 2018, onde pode ainda conseguir superá-lo. E caso aí não conquiste esse tão almejado troféu, possa refletir se permanece ou não jogando para seu país. É claro que o problema da AFA não se resolveu com a repentina saída de Messi, tanto que o treinador Gerardo “Tata” Martino, saiu do cargo, ou seja, os problemas do futebol sul-americano vão muito além do que acontece dentro de campo. E a melhor forma de Messi contribuir seria continuar jogando.

Além disso para quem gosta de futebol, é sempre bom vê-lo no gramado. Ele fez uma boa Copa América, se mostrando cada vez mais solidário com os companheiros em campo, jogando muitas vezes um pouco mais recuado para poder servir aos outros atacantes. Deu belos passes e criou chances de gols, além de fazer os seus. Portanto, ainda que seja algo estritamente pessoal, seria ótimo que Messi revesse sua decisão e pudesse retornar a usar a camisa 10 argentina. Esperemos que isso ocorra.

*****

Assim como a Seleção Argentina, no Brasil a confusão antes da Olimpíada também foi vista na escolha de quem seria o treinador e mesmo de quem faria a lista final de convocados. Ao menos houve um pouco de bom senso e Rogério Micale, treinador da Seleção Sub-20 foi o escolhido para dirigir o time no Rio de Janeiro. Quem nos acompanha aqui no blog sabe que não enxergo a Olimpíada como prioridade para o prosseguimento de um trabalho para um ciclo de Copa do Mundo. Claro que tudo vale como análise, mas esse trabalho já é feito pelas Seleções menores, em Mundiais Sub-17, Sub-20, entre outros campeonatos. micale seleção olímpica bola parada

Além disso é criada uma obrigação muito grande para se vencer um torneio com seleções que não são totalmente representativas de suas categorias de base. Alemanha e Argentina por exemplo não virão com todos os seus jovens talentosos, pois o torneio olímpico de futebol é um “corpo estranho” dentro do calendário de futebol internacional. A meu ver deveria ser um torneio apenas Sub-20, sem essa necessidade (ou atração forçada) de se levar 3 jogadores acima de 23 anos, coisa que nem todos os países fizeram. 

O Brasil escolheu por levar Neymar; uma escolha óbvia, mas errada no meu ponto de vista, pois ele deveria estar junto da Seleção principal na Copa América. Fernando Prass no gol é um goleiro de qualidade e faz sentido sua convocação pela experiência e também porque outros jogadores de idade menor não puderam ser chamados. E Douglas Costa fez boa temporada no Bayern e existe uma esperança dele ser desequilibrante no time futuro de Tite, ainda que não o coloque como protagonista no nosso futebol.

Sinceramente teria levado um zagueiro mais experiente, pois como o time ainda não existe em sua totalidade de armação, a presença de um jogador de mais cancha na defesa seria importante. Vamos ver como Micale monta a equipe e voltaremos ao tema por aqui.

(Assim como as semifinais da Libertadores e as fases finais da Eurocopa que serão abordadas nos próximos textos).

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PostHeaderIcon O Não Necessário e Outros Temas

Com certo atraso vou “replicar” o texto do Marco sobre a chegada do Tite à Seleção Brasileira. Em termos de nome para o cargo de treinador do time nacional, de fato, não havia muita dúvida de que o ex-técnico do Corinthians era, no momento, a melhor opção. Porém algumas atitudes já deixam claro que mudanças mais profundas dentro da estrutura do futebol nacional não devem ocorrer tão cedo.

Sei que é um pouco demais exigir todas as virtudes do mundo em uma só pessoa e Tite é humano, passível de erros como todos. Mas se você olhasse as matérias e o tom de comentários um pouco antes da chegada dele à Seleção, a impressão que se tinha era que um novo Messias, o Salvador da Pátria estava chegando. Sendo assim a imprensa muitas vezes também ajuda no clima de “salvacionismo de resultados” que impera por aqui. Vemos isso diariamente nos clubes e a Seleção é só o aspecto mais visível disso. Assim como aconteceu em 2001 com a chegada do Felipão, já mostraram que Tite é bom filho, bom pai, uma pessoa “do bem”. E com isso a mudança que verdadeiramente precisaria acontecer no futebol brasileiro, começando pelos clubes, passando pela estrutura geral de treinos e tática, a organização de campeonatos melhores em condições mais adequadas para que os melhores jogadores e jovens fiquem ao menos por mais tempo por aqui (a “disputa” na imprensa por Gabriel Jesus é um assunto que abordarei em outro post), fica mais uma vez adiada, ainda mais se o time brasileiro melhorar seu rendimento, coisa que é bem possível de acontecer, pois agora teremos um treinador de fato dirigindo a equipe. tite del nero bola parada

Porém não tem como não criticar Tite pelo fato de aceitar o cargo de técnico do Brasil tendo, em dezembro último, assinado um manifesto pedido a renúncia e saída (mais do que justificada) do atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero. É evidente que muitos no lugar do treinador possivelmente também relevariam esse “pequeno detalhe” para poder vivenciar o sonho de ter o cargo mais cobiçado do futebol brasileiro e Tite disse que ajudaria mais o futebol brasileiro sendo o técnico da Seleção. Porém uma recusa de Tite poderia mostrar que nem todos são seduzidos por uma proposta a ponto de mudar de opinião sobre determinado assunto, ainda mais algo tão sério como o comando do futebol nacional. E ele teria o apoio da maioria da população que hoje tem certa ojeriza a tudo que a CBF representa de ruim para o esporte. (faço o adendo que o Rogério Ceni também assinou o mesmo manifesto e aceitou trabalhar como “auxiliar pontual” durante a Copa América, ou seja, incoerência idêntica). Além disso o fato dele levar seu filho Matheus Bachi, para ser seu auxiliar mostra que a meritocracia não se aplica a todos na hora de trabalhar em qualquer área por aqui. Ele pode ser competente e já o auxiliava no Corinthians, mas penso que até em nome de uma ética de trabalho numa perspectiva de mudanças, Tite poderia evitar esse ato que não deixa de ser um nepotismo.

Como disse acima, a chance da Seleção Brasileira melhorar de desempenho é grande. Em termos de currículo Tite conquistou todos os títulos possíveis e tem capacidade de organizar o time. Talvez não jogue o futebol “bonito” que muitos ainda idealizam e cobram que a Seleção Brasileira sempre jogue. Mas a eficiência e qualidade que suas equipes costumam mostrar tem de ser valorizada. Porém o futebol brasileiro, ao que tudo indica, fica refém de resultados por mais 2 anos, esperando que mais um título na Copa da Russia apague muitas sujeiras feitas por quem manda e comanda o esporte por aqui. Só que para dar tudo certo como aconteceu em 2002 o Brasil vai precisar de muito mais do que apenas sorte. Competência Tite possui, mas o trabalho será árduo.

*****

A Eurocopa que vem sendo disputada na França tem tido momentos triste com as brigas fora de campo. É uma mostra que o problema da ignorância do ser humano é global e não algo exclusivo dos “selvagens” (para alguns preconceituosos) sul-americanos. Porém não há dúvida que na Europa existe uma vontade maior de se punir os envolvidos em baderna, ainda que não seja fácil e que as confederações envolvidas, que poderiam ter sido eliminadas por causa dos brigões tenham apenas levado uma multa pelos problemas. De todo modo existe uma pré-disposição de punir, mesmo que falhas em segurança existam em todo e qualquer lugar.

A parte boa é a festa das torcida de seleções menos tradicionais como Irlanda, Irlanda do Norte e Islândia que se classificaram para as oitavas de final e mostraram uma alegria incontida nas arquibancadas e fora dos estádios também. Por um lado é legal que essa festa tenha ocorrido e mostra que o futebol tem esse lado lúdico e que ainda faz com parte da população tenha momentos genuínos de emoção. Porém é preciso dizer, no meu modo de ver, que o aumento de 16 para 24 seleções na fase final da Euro, diminui um pouco o nível técnico médio da competição. Alguns jogos foram sonolentos e times precisavam basicamente de uma vitória para se classificar (Portugal com um time limitado mais uma vez, nem precisou ganhar para avançar). Para um torneio regional, 16 seleções estavam de bom tamanho.

Dentro de campo, das surpresas citadas acima, a Islândia mostrou um time surpreendente, com bom toque de bola e maturidade; pode até complicar para a Inglaterra que possui bons valores, mas ainda se mostra incapaz de concluir e “matar” um jogo que domina, além de muitas vezes dar sustos na defesa. Alemanha e França possuem os times mais fortes, mas ainda não jogaram tudo que podem e sabem. Itália e Espanha vão se cruzar logo nas oitavas e é um jogo imprevisível, ainda que o time espanhol seja bem mais técnico. E do outro lado da chave a Bélgica pinta como favorita pelo elenco que possui, mas ainda não jogou tanto quanto a Croácia, que tem um ótimo meio-campo, e nem tem um jogador tão decisivo como Bale é para o Pais de Gales.

E é aquilo, agora que o torneio vai ficar ainda melhor, ele vai acabar mais depressa na fase de mata-mata. É uma pena, mas a política do futebol leva à esse inchaço de seleções em um torneio que poderia ser ainda mais forte.

*****

Falta ainda uma palavra sobre a final da NBA. O Cleveland Cavaliers, conseguiu virar de forma heroica a série contra o Golden State Warriors e foi campeão pela primeira vez do torneio estadunidense de basquete. O time de Oakland se desgastou demais para vencer a temporada regular batendo o recorde de vitórias do Chicago Bulls de 1996 (73V e 9D) e com isso sentiu demais o cansaço e as contusões na fase de playoffs. O time de Cleveland não contou tanto com “planejamento” para vencer o campeonato; trocou o técnico no meio do caminho e ficou com Tyronn Lue, um ex-jogador que nunca tinha dirigido um time antes como técnico principal. Mas contou com o brilho de suas duas estrelas maiores para vencer o título. kyrie lebron bola parada

Lebron James é um craque indiscutível, mas a mídia em torno dele para transformá-lo em um novo Michael Jordan é meio exageradas às vezes. Pode parecer bobagem o que estou escrevendo, mas nos EUA a condição de termos um “super-herói” para ser o carro-chefe de vendas e destaque da NBA para o mundo me parece ser uma necessidade incrível e que beira a loucura. Quando saiu de Cleveland para jogar no Miami Heat fizeram até um programa especial para mostrar Lebron indo levar os “seus talentos” para o Heat. Um exagero que fez com que ele ficasse marcado como jogador que só conseguiu ser campeão com ajuda de outros craques, como Dwayne Wade e Chris Bosh. Ou seja, pela imagem muito exposta ele pagou um preço alto por isso. Porém é inegável sua qualidade e capacidade para comandar a equipe dentro da quadra, mas sozinho ninguém vence campeonato.

As atuações de Kyrie Irving na final foram sensacionais e a companhia dele junto à Lebron foi fundamental para o título dos Cavs e merece ser MUITO lembrada, até pela cesta da vitória ter sido dele. Sendo assim o título foi merecido pela virada e pela raça demonstrada em quadra, além da qualidade dos seus craques.

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