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PostHeaderIcon Birra Comercial

Não sou daqueles que gosta de culpar a Rede Globo por tudo de ruim que acontece no Brasil, em todas as áreas. Já falamos inclusive sobre isso aqui no blog. Outros canais ligados ao esporte apresentam seus defeitos. O tal “jornalismo engraçadinho” tem vez na rede líder de audiência, mas não dá para dizer que ele só apareça por lá. Analisando friamente e na parte técnica, a transmissão global ainda é a mais completa dentre as feitas por aqui. Mas em um aspecto a “Vênus Platinada” não pode ser defendida.

Há alguns anos atrás, quando ainda estava nas divisões menores do futebol paulista, eu já imaginava como a Globo iria chamar um dos novos integrantes da séria A-1 de São Paulo, o Red Bull Brasil. Com uma politica de não citar nome de empresas que patrocinam as equipes, já era possível prever que o nome da equipe seria alterado de alguma forma. E não deu outra…Agora temos o “RB Brasil” sendo citado na tela global, ainda que em outros canais o nome da equipe seja falado normalmente. red bull brasil bola parada

É um caso bem bizarro sob todos os pontos de vista. O time não é patrocinado pela empresa de energéticos, ele É da empresa, inclusive com clubes em vários países. Pode-se gostar ou não da ideia de clube-empresa, mas ela está aí. A Globo com essa atitude omite o nome correto de um participante do campeonato, de forma deliberada e injusta. Além disso, na F-1, temos a equipe de mesmo nome. Alguns profissionais da casa (notadamente Galvão Bueno e Reginaldo Leme) já falam o nome do “touro vermelho”, várias vezes durante as provas, sem maiores constrangimentos, ainda que os repórteres e outros locutores tanto da Globo, quanto do Sportv, falam apenas a sigla de Red Bull Racing (RBR). Ou seja, é algo no mínimo incoerente e estranho. Alguns podem falar e outros não?

No passado, era até um pouco mais compreensível essa postura da Globo de não querer fazer “propaganda” de marcas que patrocinam equipes e esportistas. Era o início de uma fase, mas que hoje se expandiu de forma bem clara. O patrocínio e as grandes empresas fazem parte do esporte. É claro que você não precisa chegar ao ponto extremo de fazer um programa de comerciais e, se sobrar tempo, falar de esporte (e temos exemplos disso em nossa TV nos terceiros tempos da vida…). Você não precisa comprometer sua credibilidade fazendo mais propaganda e marketing do que jornalismo. Mas não é o caso correto,a meu ver, omitir o nome de uma marca apenas por uma convicção do passado.

Temos hoje empresas que praticamente bancam e salvam, por exemplo, o vôlei e o basquete nacionais. Se não tivéssemos empresas patrocinando várias equipes pelo país, talvez teríamos ainda mais dificuldade de termos campeonatos fortes nessas modalidades. Temos também empresas que dão nome a estádios novos pelo país. E todas elas são omitidas pela Globo, numa determinação antipática, que parece apenas querer mostrar que só a emissora tem razão em nomear estádios, times e clubes de maneira a esconder os nomes de que os financiam. Não creio que a Globo mude a postura, mas que é algo bem chato, isso é.

Falar o nome correto de uma equipe é apenas ser sincero com quem está assistindo ao jogo, não é fazer jabá. Dizer o nome do patrocinador não é mau jornalismo. Muito pior é ser chapa-branca, fazer oba-oba, dizer que está tudo bem quando na verdade não está. E nesse sentido a imprensa brasileira comete erros em quantidade muito maior.

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PostHeaderIcon Guerra Perdida (e Sem Chapéu)

A cada momento uma nova moda parece tomar conta da mídia esportiva no Brasil. Agora o que está “em alta” na cobertura do futebol é tentar descobrir, ou decretar, quem deu “chapéu” em quem. Trata-se claramente de uma ideia para atiçar a rivalidade entre as torcidas e tentar mais cliques, para os sites, e mais audiência para as TVs.

Porém, ao termos esse panorama, vemos um nível cada vez menor no debate. Tudo fica reduzido à ver quem é mais esperto ou quem está levando vantagem numa negociação ou outra. E como vivemos em um mundo capitalista, não chega a ser um absurdo isso acontecer. Propostas são feitas e podem ser aceitas ou negadas. Se um lado oferece mais vantagens entre duas ofertas, normalmente ele ganha a negociação e não quer dizer que o outro foi “enganado”.

Tentar aumentar a discussão insuflando uma briga maior do que já existe é algo que, a meu ver, não acrescenta em nada para a melhoria do nosso futebol. Vimos ontem (22/1) um espetáculo bizarro, com o Palmeiras festejando e anunciando um patrocinador de camisa como se fosse a conquista de um território em uma guerra. Foi celebrada, até por parte da mídia, uma possível vitória contra o São Paulo que também negociava com o mesmo patrocinador. Pouco foi falado sobre o fato do presidente da financeira que resolver patrocinar o clube do Palestra Itália ser torcedor alviverde…Mas isso pouco importa. No meu modo de pensar, os dois clubes já são derrotados por antecedência nessa questão, assim como todos os outros grandes brasileiros. brasiliense patrocínios bola parada

Os dois rivais paulistas estão a muito tempo sem patrocinador principal. O Palmeiras inclusive a mais de ano. Como já disse o Marco em outros textos aqui no blog, a situação de nossos principais clubes em relação à venda de suas marcas chega a ser ridícula. Por volta de 5, 6 anos atrás os nossos “jênios” do marketing esportivo (inclusive alguns deles sendo sempre celebrados pelos amigos da mídia), descobriram que o único jeito de fazer com que os times não tivessem prejuízo seria loteando as camisas, bem ao estilo do Brasiliense (lembram dele?), transformando-as em verdadeiros macacões de pilotos de F-1. Foi um tiro no pé. Muitos recusaram-se a comprar essas coisas horrorosas e alguns clubes tiveram queda nas vendas. Como viram que essa estratégia não funcionou, os clubes voltaram a tentar fechar com um patrocinador principal, mas aí a desvalorização das marcas já havia ocorrido. Some-se a isso o momento ruim da economia mundial, o que faz com que algumas grandes empresas se afastem do futebol.

O que incomoda é que, ao invés de discutir maneiras de como fazer com nossos clubes melhorem como um todo, a discussão fica no terreno da galhofa, do exagero e da discussão de boteco. A verdade nua e crua é que os times brasileiros vivem à sombra de times de outras ligas. Não conseguem penetrar em outros mercados, portanto as camisas não são tão vendidas lá fora. Com isso vale menos patrociná-las. Portanto tanto São Paulo quanto Palmeiras já entraram nessa “disputa” formulada pela imprensa como derrotados. Assim como os outros grandes brasileiros, que não são tão grandes no mercado internacional.

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PostHeaderIcon Mundialito 1981

Começo de ano é época de torneios amistosos no futebol, pelo menos aqui na América do Sul. No começo de 1981 foi realizado um desses campeonatos. Mas não foi um torneio qualquer.

O Mundialito de 1981, disputado no Uruguai, foi usado pela ditadura do país para esconder a situação pela qual o nosso vizinho vivia. O documentário do diretor Sebastián Berdnarik reuniu imagens históricas e realizou uma série de entrevistas com atletas, jornalistas, militares, cartolas e empresários para entender se o torneiro realmente teve a conotação política. Aqui está o trailer do filme, muito interessante por sinal.

Sobre a bola rolando propriamente dita, o torneio teve em um grupo Uruguai, Itália e Holanda. No outro Brasil, Argentina e Alemanha. Eram os campeões mundiais de futebol à época, com exceção da Inglaterra, que não quis participar do evento, vindo a Holanda no lugar dos ingleses.

Brasil e os donos da casa chegaram na final, com os uruguaios vencendo por 2×1. Segue abaixo a ficha do jogo e a final completa.

Data: 10-01-1981
Local: Estádio Centenário
Cidade: Montevidéu
Árbitro: E. Linemayr (Áustria)

Brasil: João Leite, Edevaldo, Oscar, Luizinho, Júnior, Batista, Toninho Cerezo, Tita (Serginho), Paulo Isidoro, Sócrates, Zé Sérgio (Éder). Técnico: Telê Santana

Uruguai: Rodolfo Rodriguez, Diogo, Oliveira, De León, Martinez – Krasouksi,
De La Peña (Barrios), Rubén Paz – Venancio Ramos, Victorino, Morales (Vargas). Técnico: Roque Gastón Máspoli
Gols: Barrios e Victorino (URU); Sócrates (BRA)

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PostHeaderIcon Ana e Maria

O Aberto da Austrália de tênis está chegando. E com ele poderemos ver novamente duas belíssimas tenistas em ação. Ana Ivanovic e Maria Sharapova deleitam os fãs pelo talento em quadra e pela beleza estonteante que possuem. Difícil escolher qual das duas é mais bela? Veja as fotos e deixe sua opinião…

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PostHeaderIcon Exageros, Prêmios e Contratações

Hoje a coluna é no estilo rapidinhas, destacando alguns assuntos da semana:

A grande celeuma nos últimos dias foi causada pela “novela” (extremamente inflada pela mídia) para a contratação do atacante Dudu. Criou-se uma discussão e uma situação de luta entre São Paulo e Corinthians. Porém quem ficou com o jogador foi o Palmeiras.

Primeiro é forçoso dizer que Dudu é bom jogador, mas não fez nada no futebol ainda que justificasse tanto barulho em torno do nome dele. A disputa foi aumentada muito pelo fato da vontade da mídia em criar uma rivalidade ainda maior entre os dois times paulistas que jogarão a Libertadores. Os empresários do atleta, por várias notícias divulgadas, queriam que o jogador fosse para o time de Parque São Jorge, mas não se importaram em prolongar o leilão, depois que o Corinthians disse não ter como contratar o atacante. dudu palmeiras bola parada

Sendo assim, a imprensa “comeu bola” e nem cogitou um desfecho diferente para a negociação. Depois de uma suposta desistência do São Paulo – falo suposta pois tudo leva a crer que o jogador (e os empresários) não demonstrou vontade de assinar com o time do Morumbi, ele fechou rapidamente com o Palmeiras, que depois de um ano horrível em 2014, está tentando remontar seu elenco. Não vou nem falar sobre uma suposta “atravessada” palmeirense na negociação (já tratei do tema ética AQUI). E nem vou falar de parte da imprensa que festeja “chapéu” de um clube no outro. É outra postura da mídia que me incomoda.

De uma hora para outra o time do Palestra Itália virou “modelo” de gestão, por não ter antecipado as cotas de TV para este ano, fato que não é mais do que a obrigação de um time que tem um presidente tão “generoso” ao emprestar dinheiro para o clube. O programa de sócios do clube realmente merece elogios, mas dizer que uma administração que quase levou o clube para seu terceiro rebaixamento em 12 anos, mudou tanto de qualidade em menos de dois meses apenas por ter contratado um novo diretor de futebol, é um pouco exagerado. Assim como foi exagerado o alvoroço em torno de Dudu e de algumas contratações duvidosas do time verde. Vamos esperar se toda essa novela valeu a pena e se a gestão palmeirense será mesmo digna de elogios no decorrer da temporada.

*****

Cristiano Ronaldo venceu ontem pela terceira vez o prêmio Bola de Ouro, que antes era da revista France Football e agora é feito em conjunto com a FIFA. Toda premiação é sujeita a dúvidas e discussões. Penso que a própria existência dessa festa é algo mais midiático e ela têm um componente estranho. A temporada européia é dividida, ou seja, a análise de um ano é variável, pois temos uma pré-temporada no meio. Alguns jogadores jogam bem em metade do ano e nem tão bem na outra metade…Resumindo, não tomo como verdade absoluta o que é decidido por lá. E a eleição do David Luiz como um dos melhores zagueiros do ano é a prova disso…cristiano ronaldo bola de ouro bola parada

Mas em relação ao português a honraria é merecida. Se analisarmos o ano todo ele foi muito bem, fazendo partidas assombrosas pelo Real Madrid. Na Copa do Mundo não foi tão bem, prejudicado por uma contusão e pela limitação da Seleção Portuguesa. Mas ele não fugiu da responsabilidade e tentou ajudar o time luso. Não seria absurdo o prêmio ficar com Neuer que fez uma Copa espetacular e mostra muita qualidade no Bayern. Messi não foi tão brilhante como em anos anteriores, mas mantém sua qualidade. Robben e Kroos também poderiam ser lembrados a meu ver. Mas hoje realmente Cristiano Ronaldo merece o título.

*****

Falando rapidamente sobre mídia. O ex-meia Alex foi confirmado como novo comentarista da ESPN Brasil. Nada contra o ex-jogador, que parece ser uma pessoa preparada e que pode vir, no futuro, a acrescentar na emissora, por ter um bom conhecimento sobre futebol e não ser alguém que vá ser extremamente clubista em análises. Mas o que incomoda é o fato da emissora buscar agora chamar a atenção. Trazer um nome conhecido, de qualidade, mas que parou de jogar outro dia mesmo para ser comentarista é mostrar um certo desprestígio para quem estuda e se forma em jornalismo. alex espn brasil bola parada

Reitero que, com o tempo, Alex pode vir a ser um nome de valor nos comentários, mas essa busca exagerada pela grife, pelo nome, faz com que a profissão seja vista muitas vezes como algo um pouco menor.

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“Andrés Sanchez volta a Dubai e cogita “naming rights” antes da Copa” (UOL, 9/5/2014)

“Para tentar ‘salvar’ Dudu, Andrés Sanchez entra em negociação
Segundo o diário Lance!, ex-presidente do Corinthians teria oferecido ajuda a Edu Gaspar para reverter vantagem do rival São Paulo nos bastidores” (site do FOX Sports, 2/1/2015)

“Por Conca, Andrés Sanchez se reunirá com Unimed e depois com Flu” (Lance!, 7/1/2015)

Essas manchetes nos últimos tempos dão o tom de um poder, quase que ilimitado, do ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez. Parece que basta ele pensar em querer entrar em qualquer negócio, desde disputa de jogador até leilão de carro usado, que ele vai superar a todos e mostrar a força que possui. Porém, pelo que temos visto ultimamente, e pensando no resultado dessas três investidas das manchetes (se é que elas aconteceram de fato), essa força não é tão grande assim.

Cito o ex-presidente corinthiano como exemplo de algo que está na nossa cara a algum tempo e que gera muita reclamação de quem não torce pelo clube de Parque São Jorge. Tudo que é relacionado ao Corinthians é superdimensionado de forma a agradar o maior mercado consumidor do país. Com as TVs comerciais (ditas) nacionais sendo geradas a partir de São Paulo, o excesso de notícias paulistas e paulistanas é evidente. No futebol, criou-se uma “lei”: falar do Corinthians em todo o programa esportivos, de forma quase que ininterrupta, dá ibope. Com isso qualquer vestígio de notícia por lá é levada ao extremo, muitas vezes de maneira a supervalorizar o clube.
Porém, os números do ibope no último Brasileirão, mostrados AQUI deixam claro que as pessoas não querem ver apenas jogos do Corinthians na TV aberta

Evidentemente que o time paulista cresceu muito de 1995 para cá, principalmente em termos de conquistas de títulos, ainda que tenha amargado um rebaixamento em 2007 no Brasileirão. Mas de modo geral soube usar, em muitos momentos, o marketing a seu favor e conseguiu, com acordos de gestão e patrocínio, montar boas equipes. Mas esse exagero de mídia à favor desagrada aos torcedores de outras equipes e mostra uma falta de preocupação em fazer jornalismo de fato.

Vivemos uma era de populismo na imprensa, talvez ainda maior do que em outros temos. Hoje com as mídias sociais, internet e uma pretensa democratização da informação, poderíamos pensar que a qualidade do que é passado na mídia melhoraria. Ledo engano. Tenta-se agradar uma parte da audiência. Parte representativa, mas que não é o todo. Além disso a função de quem trabalha no jornalismo não é necessariamente agradar, mas sim procurar informar com correção. corinthians e tv bola parada

O jornalista Mauro Cezar Pereira da ESPN falou um pouco disso em um recente Bate Bola (AQUI o link para o vídeo). Tudo que ele disse corresponde a realidade. Porém ele se esqueceu de falar que o comportamento da mídia carioca com o Flamengo é muito parecido com esse relacionado ao Corinthians. Talvez pelo fato da mídia carioca não ter mais tanto alcance nacional como antigamente, mas o estilo é o mesmo.

Vivemos de grandes “bombas”, falsas expectativas e pelo visto a cobertura do futebol se resume, na grande maioria dos casos, ao “Agora vai!” da vitória e do “Está tudo errado” da derrota. Além claro do populismo de ocasião, que acaba sendo nocivo muitas vezes aos times “populares”. Porém, com o estilo de TV aberta cada vez mais presente na TV por assinatura, isso tende-se a se perpetuar lamentavelmente, tirando as exceções de praxe.

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