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Chega de Entregadas (da Imprensa) !

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PostHeaderIcon Parados no Mercado

Parte da mídia exaltou recentemente a volta do técnico Tite ao Corinthians, depois dele ter saído do clube no final de 2013. O treinador claramente se preparou (e imaginou) ser o nome para chegar à Seleção Brasileira após à Copa do Mundo deste ano, porém o convite para trabalhar na CBF não veio. Ele e nenhum outro de maior relevância.

Isso me chama muito a atenção e mostra, mais uma vez, como os nossos treinadores não conseguem se destacar no mercado internacional. Tivemos algumas experiências isoladas como Luxemburgo no Real Madrid e Felipão no Chelsea, mas os dois duraram pouco e não deixaram saudades. Um dos empecilhos citados pelos treinadores para não irem bem lá fora é a barreira da língua. É até compreensível, é algo que atrapalha realmente, mas para melhorar essa situação, apenas o estudo pode fazer com que as coisas mudem. tite bola parada

O que parece tão ou mais complicado ainda de mudar é a mentalidade de nossos profissionais. Aceitam ficar na roda viva do mercado nacional e não se mostram dispostos na maioria das vezes a encarar de fato e de forma séria um novo desafio na carreira. Para o Corinthians a volta de Tite pode ser uma boa, ele conhece o clube e pode ajeitar o atual elenco. Mas para o treinador considero um grande retrocesso esse retorno tão precoce. Porque não se aventurar em outro país, mesmo que para um clube de médio porte?

Isso serve para outros treinadores que ficam rodando de um clube para outro aqui no Brasil e só dão “uma parada” quando são descartados pelo mercado interno. No caso de Tite, ele de fato parou mais por opção própria, depois de ser descartado pelo Corinthians em 2013, mas o fato é que ele não conseguiu emplacar lá fora da maneira que imaginava.

E isso me chama a atenção. Como os treinadores nacionais são descartados e não conseguem mostrar uma evolução maior em termos táticos? Porque não aceitam críticas e principalmente porque o mercado nacional é tão fechado a inovações, técnicos estrangeiros de modo geral? Edgardo Bauza, que está no San Lorenzo, conquistou duas Libertadores, uma com o time argentino e outra com a LDU do Equador, e nunca foi citado para trabalhar aqui. Cito ele como exemplo, mas temos outros que poderiam vir trabalhar aqui e provavelmente nunca terão espaço. Depois da experiência Gareca no Palmeiras podemos ter ainda mais dificuldade para vermos técnicos de fora por aqui. A contratação de Diego Aguirre por parte do Internacional foi feita meio que no desespero e por uma suposta falta de opções, portanto não dá para dizer que foi algo planejado pelo time gaúcho, portanto, não muda muito o quadro.

Enquanto os treinadores nacionais não evoluírem taticamente e saírem da sua zona de conforto, continuaremos a ver basicamente as mesma caras nos nossos clubes, e principalmente os mesmos conceitos, o que talvez seja ainda pior.

*****

george hilton bola paradaPoderia falar alguma coisa sobre a escolha do novo Ministro do Esporte, o baiano (que é deputado federal por Minas Gerais) George Hilton.

Pastor da Igreja Universal, “animador” (?) e teólogo. Tudo a ver com o esporte não é…Mas tudo o que eu queria dizer já está AQUI no texto do Gian Oddi. Nada mais a dizer, apenas a lamentar.

*****

Desejo a todos os leitores do Bola Parada um Feliz Natal, com muita saúde, paz e tranquilidade ! Após o Natal voltaremos!

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PostHeaderIcon O Real de Ancelotti

Na disputa do último título relevante do ano no futebol, deu a lógica. O Real Madrid ganhou com extrema facilidade o Mundial de Clubes no Marrocos, vencendo o Cruz Azul do México na semifinal e os argentinos do San Lorenzo na final. A superioridade do time merengue foi incontestável e só reforça alguns detalhes muito claros. O primeiro deles é a grande fase do atual time do Real. Para muitos essa equipe já é superior do que aquela “galáctica” de Zidane. Figo, Raúl, Ronaldo…Não vou tratar especificamente desse assunto agora, vou aguardar o fim da temporada europeia para fazer uma análise, mas penso que esse time de 2014 pode sim ser mais vencedor e completo.

Mas por agora quero falar do papel do treinador nessa conquista. Carlo Ancelotti ficou conhecido aqui no Brasil, devido ao desconhecimento de muitos “analistas” de futebol, como um treinador retranqueiro, principalmente devido à sua passagem no Milan onde em determinado momento, deixava o time mais dependente de Kaká para poder conseguir bons resultados. Mesmo nessa época eu discordava dessa avaliação. Um time com um meio campo com Pirlo e Seedorf, mesmo cercados de um ou outro “Gattuso da vida” não era um time necessariamente defensivo. No Chelsea ele já fez esse conceito errado, vindo principalmente do Brasil, ir por terra ao comandar um time que teve o melhor ataque de todos os campeonatos da era da Premier League (desde 1992), marcando mais de 100 gols no campeonato de 2009/2010.

Agora no Real Madrid você pode dizer que é fácil ser ofensivo comandando um time que pode basicamente contratar quem você quiser. Mas não considero essa uma tarefa necessariamente tranquila. Primeiro porque o clube espanhol muitas vezes contrata pela grife e não pensando na necessidade do time em campo. Agora mesmo, logo após vencer a Liga dos Campeões depois de 12 anos, Florentino Perez vendeu aquele que, para muitos, foi o jogador mais regular do time na temporada passada (excluindo Cristiano Ronaldo claro). Di Maria se sentiu desprestigiado devido a tantas especulações de mais compras espetaculares e vultosas dos merengues e pediu para ir para o Manchester United. Além disse Xabi Alonso, um pilar defensivo da equipe, também foi embora. carlo ancelotti bola parada

Com essas saídas, Ancelotti teve de remontar um time campeão. E até agora tem sido muito bem sucedido nessa tarefa. Conseguiu que o time espanhol trouxesse, além de um jogador midiático e que teve destaque na Copa (James Rodríguez), um outro que pode fazer com que o time se sinta seguro de jogar sem aquele volante protetor da zaga. Toni Kroos, sem ser muito chamativo, foi o “cabeça de área” do Real na final do Mundial. E com ele, dividindo as funções teoricamente mais defensivas, jogou Isco um jogador que era meia ofensivo na Málaga e vai se adaptando bem a uma função diferente em campo. Assim sendo a equipe é mortal na frente e não perdeu força na defesa. O time tem uma saída de bola de extrema qualidade e um contra-ataque especial com o trio ofensivo Bale, Benzema e Cristiano Ronaldo.

Não acho que o treinador deva ser supervalorizado. Quem decide as partidas são os jogadores e sem um grupo de qualidade técnica invejável fica difícil fazer com que as mudanças funcionem tão rapidamente. Mas é louvável ver um treinador que não gosta de aparecer tanto, como é o caso de Carlo Ancelotti, fazer um grande trabalho como este que vem sendo feito no Real Madrid atual.

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PostHeaderIcon Confrontos das Oitavas de Final da UEFA Champions League

Foram definidos na última segunda (15/12) os confrontos da próxima fase da UEFA Champions League. Após o fim da fase de grupos, vemos que a maioria dos favoritos continua na disputa, com destaque para Bayern d Munique e Real Madrid, os times mais fortes do mundo nesse ano que se encerra. Eles continuam favoritos para o restante da temporada. Ainda que, claro, surpresas possam acontecer, elas são equipes entrosadas e muito bem treinadas, ou seja, vai ser difícil vencê-las.

Na etapa de grupos da Champions podemos destacar como decepções a má performance do Liverpool, que com a venda de Suárez (bom dinheiro para o clube, mas que veio “na hora errada”) e a contusão do Sturridge se tornou um time comum. O Galatasaray da Turquia, mesmo com a chegada de Cesare Prandelli, não se acertou em nenhum momento (tanto que o técnico italiano já saiu do comando da equipe…) Benfica e Zenit também ficaram pelo caminho, num grupo em que as forças se equivaliam (com Leverkusen e Mônaco). O Athletic de Bilbao também poderia ter incomodado mais no grupo H. Mas no geral as melhores equipes passaram adiante.bayern de munique real madrid bola parada

Vamos então com uma pequena análise dos confrontos que vêm por aí (quem está em segundo posto no duelo faz a segunda partida em casa):

Paris Saint-Germain-FRA x Chelsea-ING: Confronto dos “novos ricos”, que contam com grandes elencos, mas que jogam futebol bem distintos nesse momento da temporada. O Chelsea com um time titular bem azeitado depois das chegadas de Fábregas e Diego Costa, mostra boa intensidade, velocidade e técnica. O PSG por sua vez tem um bom elenco, mas ainda é um time que não convence, parecendo atuar muitas vezes em baixa rotação. PALPITE: CHELSEA

Shakthar Donetsk-UCR x Bayern de Munique-ALE: O time dos “brasileiros” (do meio para a frente) se classificou sem problema em seu grupo, mas não parece ser páreo para o Bayern de Guardiola que tem uma defesa que levou apenas 3 gols em 16 jogos no Campeonato Alemão. Além disso reforçou bem seu elenco em todos os setores; Benatia, Xabi Alonso e Lewandowski foram grandes aquisições para o já fortíssimo time alemão. PALPITE: BAYERN

Schalke 04-ALE x Real Madrid-ESP: O confronto mais desequilibrado das oitavas. O Real Madrid, mesmo sem Di Maria e Xabi Alonso ficou mais forte que o da temporada passada, graças ao ótimo trabalho de Ancelotti, que faz com que o time seja ofensivo e competente no meio campo. O Schalke já trocou de técnico nessa temporada, agora está com Roberto Di Matteo, ex-Chelsea, mas não deve ser suficiente para parar o time espanhol. PALPITE: REAL MADRID

Basel-SUI x Porto-POR: O Porto conta com o técnico Julen Lopetegui, ex-treinador das categorias de base da Seleção Espanhola. Joga com 3 atacantes, incluindo o argelino Brahimi e o colombiano Jackson Martínez. O Basel é um time que já vem com uma base de outras temporadas, com destaque para o meia suíço Fabian Frei. É o confronto mais equilibrado, mas penso que o time suíço é mais organizado e tem um entrosamento maior. PALPITE: BASELbarcelona manchester city bola parada

Manchester City-ING x Barcelona-ESP: O Barcelona conta com mais talento individual; Messi, Neymar e Suárez podem decidir o confronto. Mas até agora o time não conseguiu acertar totalmente sua defesa, mesmo com algumas contratações como Mathieu e Vermaleen (que nem conseguiu estrear devido às contusões). O Manchester City não trouxe grandes reforços; o principal deles, Lampard, já deve sair para jogar nos EUA. Mas tem uma base forte e vem de uma recuperação grande no grupo E, eliminando a Roma. PALPITE (ARRISCADO): MANCHESTER CITY

Juventus-ITA x Borussia Dortmund-ALE: A Juventus continua sobrando no Campeonato Italiano, mas ainda não mostra um futebol confiável do meio para a frente. Muitas vezes têm dificuldades para definir os jogos. Mesmo com a presença de Tevez o time se ressente de outro grande atacante. O Borussia Dortmund é um time insinuante, mas sofre com as contusões e com a defesa fraca, tanto que faz uma campanha horrível no Campeonato Alemão. É um confronto equilibrado, mas pelo momento o time italiano larga um pouco na frente (pela instabilidade atual do Dortmund). PALPITE: JUVENTUS

Bayer Leverkusen-ALE x Atlético de Madrid-ESP: O time do Leverkusen é interessante, tem bons valores jovens como Calhanoglu, Son e Kiessling. Mas ainda não mostra o lastro necessário para comandar uma grande competição. Não tem conseguido nem mesmo ser uma sombra (ainda que distante) do Bayern na Bundesliga. O Atlético de Madrid se reforçou para essa temporada, tentando suprir as grandes perdas que teve, começando pelo gol com o Courtois. Continua no seu estilo de jogo, apostando na força tática. Não é bonito de se ver, mas deve garantir ao menos a vitória nesse confronto. PALPITE: ATLÉTICO DE MADRID

Arsenal-ING x Monaco-FRA: Em tese, o time inglês deu sorte dessa vez no emparelhamento de confrontos. Mas isso para um time tão irregular como é o Arsenal não significa tudo. A equipe tem dependido muito de Aléxis Sanchez e perde pontos bobos em casa. O Mônaco avançou com uma defesa forte, tomando apenas 2 gols. E tem alguns bons jogadores como João Moutinho e Berbatov. É bom os torcedores dos Gunners não contarem com a vitória antes da hora. PALPITE (COM OS DOIS PÉS ATRÁS): ARSENAL

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PostHeaderIcon Os Novos “Salvadores da Pátria”

O mercado de transferências do futebol brasileiro ainda está frio. Com os clubes tendo de lidar com suas enormes dívidas fica complicado fazer o número de contratações que o torcedor espera (e os empresários de atletas sonham…). Esses, porém, continuam fazendo a festa com suas especulações pipocando toda hora na mídia, seja na internet, na TV, nos jornais…Digamos que isso é o efeito colateral de um período sem jogos e dificilmente isso mudará.

Mas o que tem chamado a atenção ultimamente é o espaço dado para uma figura relativamente nova no cenário do nosso futebol, mas que ganhou muito espaço recentemente, inclusive com uma imagem muitas vezes de “salvador da pátria” para algumas agremiações: o diretor remunerado de futebol. Até entendo a existência desse cargo que, teoricamente, foi criado para que alguém lide com o departamento de futebol do clube de forma livre das pressões de conselheiros e diretores amadores que temos em nossos clubes (ainda que pode se suspeitar da relação de alguns desses executivos com empresários ligados à atletas…).alexandre mattos bola parada

Mas o que não dá para compreender é excesso de relevância dessas figuras, alçadas ao olímpo por alguns torcedores, como no caso do Cruzeiro, que deve agora perder o seu “CEO” Alexandre Mattos. Chegamos a ver manifestações de cruzeirenses quase que implorando para que ele permanecesse no clube azul, mas isso não se confirmou. Ele deve ser anunciado em breve pelo Palmeiras, chegando com um poder incrível e com a pecha de “sabe tudo” do futebol. Esse “cargo” até recentemente era ocupado por Rodrigo Caetano, que fez trabalhos interessantes no Grêmio e no Vasco, mas fracassou no Fluminense, que foi rebaixado no campo ano passado (só não caiu por tudo aquilo que sabemos – ou não…).

Assim mesmo Caetano continua com prestígio no mercado, já que foi apresentado com pompa e circunstância no Flamengo, isso depois de retornar ao Vasco nesse ano de 2014! Isso inclusive é outra coisa que me incomoda nesse processo do “mercado”. Basicamente vemos os mesmos nomes rodares de um clube a outro, numa ciranda muito parecida com a dos treinadores. Sobre isso Tostão em coluna recente foi preciso: “É fundamental a presença, nos clubes, de bons diretores executivos. Mas dizer que Alexandre Mattos, excelente profissional, é o principal responsável pela formação do elenco e pela conquista do bicampeonato, e que seria o salvador do Palmeiras, é um exagero, uma distorção. É a repetição da supervalorização que os treinadores tiveram, décadas atrás, que dura até hoje, quando os resultados e as análises das partidas passaram a ser feitas a partir da conduta dos técnicos. Isso fez mal ao futebol.”. Falando assim, Tostão me fez lembrar do “Super Técnico”, programa do fim dos anos 90 comandado por Milton Neves, que ajudou muitos treinadores a sentirem super(iores).

É óbvio que bons profissionais têm de ter seu espaço no futebol, inclusive para melhorar nossos clubes, tão maltratados por gestões desastrosas no passar dos anos. Mas dizer que apenas a presença deles pode mudar um time de um ano para o outro é forçar demais a situação. Se o clube não tiver estrutura, o trabalho de um diretor sozinho não se sustenta. Pode ir bem em um ou dois anos, mas não é algo duradouro para a estrutura da instituição. O Vasco e o Botafogo são exemplos disso; foram bem em alguns campeonatos brasileiros, mas não resistiram os problemas intrínsecos às suas bases e acabaram na segunda divisão.

Mais do que comemorar a chegada de um “executivo de futebol” (que certamente não chega ganhando pouco), o torcedor deve exigir que o seu clube seja reformado e melhorado não apenas para o presente, mas pensando no futuro. E claro, não se esquecer de que quem chega para dentro de campo é que é fundamental para as conquistas.

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PostHeaderIcon Perdendo a Alma (ou a ESPN descendo os degraus – parte III)

Tudo na vida é sujeito à mudanças e adaptações conforme o tempo. Algumas trocas são necessárias para a melhoria de algum fator em nossas vidas ou profissões. Mas para que isso aconteça elas devem ser feitas para melhor. Sei que isso que escrevi agora pode parecer o óbvio, mas muitas vezes isso não é feito da maneira correta por quem tem o poder para que isso ocorra.

Falo naturalmente em relação ao processo de quase desmanche pelo qual passa a ESPN Brasil. Pelo que eu me lembre nos últimos 3 anos o canal perdeu a Euroliga de Basquete, os campeonatos nacionais de handebol, os paulistas de futebol de salão e de basquete (este último foi escondido na sua última edição na ESPN +), o torneio de Roland Garros no tênis, o Campeonato Italiano de futebol, meio campeonato inglês (dividido com a FOX), e já tem de lidar com as perdas do Campeonato Alemão e a UEFA Champions League para a próxima temporada europeia. Porém nessa última segunda a emissora sofreu mais uma grande perda, mas dessa vez em termos profissionais. pvc espn bola parada

Evidentemente que nenhum jornalista, alguém que lida diretamente com o público, e ainda mais quem vive de dar opinião, pode ser uma unanimidade. Todos erram e podem se equivocar em algum momento. Paulo Vinicius Coelho, o PVC, já errou algumas vezes certamente. Tem às vezes um estilo exagerado de se ater aos números e estatísticas. Sempre procura ver os dois lados da história e isso faz com que, em algumas ocasiões, seja mais político do que o necessário com suas fontes. Mas isso não anula o fato dele ser um jornalista na totalidade da palavra e muito acima da média que temos no atual cenário da imprensa esportiva brasileira. Ele faz com muita competência o óbvio, mas que nem todos querem ou sabem fazer. É alguém que analisa o jogo, não trilha o caminho das polêmicas vazias e tenta sempre trazer algo a mais de relevante para as transmissões e programas que participa.

A saída do PVC da ESPN, depois de 14 anos de casa, significa o fim de uma era no canal, algo que já vinha se desenhando a algum tempo e já foi muito debatido aqui no Bola Parada, em alguns textos do Marco e meus também. Pelo visto estávamos certos em nossas impressões, pois está cada dia mais claro que ele não saiu da emissora da qual ele era, talvez, o principal nome, apenas por dinheiro. O clima no canal dos “fãs do esporte” não parece estar bom e as tais mudanças que falei no primeiro parágrafo vieram, mas para pior. Basta ver que alguns programas clássicos da emissora (e mesmo alguns mais recentes) foram limados sem dó nem piedade; Limite, Pontapé Inicial, Loucos Por Futebol, Segredos do Esporte, entre outros, saíram do ar sem maiores explicações. No lugar deles temos uma overdose de Bate-Bola e Sportscenter, além da presença do – também já muito discutido aqui – nefasto “jornalismo engraçadinho” em maior ou menor escala em vários momentos. Isso sem falar da entrada de algumas figuras que fizeram a qualidade do canal cair bastante nos últimos tempos.

O pior disso tudo é que João Palomino, que assumiu a direção do canal após a saída de José Trajano do cargo, não veio à público dar alguma satisfação sobre o que vem ocorrendo. Não que na época “pré-Palomino” tudo era perfeito e maravilhoso. Mas o fato é que agora, como Trajano teria dito em uma reunião da emissora, segundo relatos do blog do Mauricio Stycer no UOL, o canal vem “perdendo a alma”. Para quem assiste a emissora a tanto tempo como é meu caso, isso é a pura verdade. E recuperar a alma é bem mais complicado do que alguns pontos de audiência no ibope…

Penso que a solução, além de tentar algo junto à matriz (Disney) em termos financeiros para recuperar alguns eventos perdidos, é buscar retornar a essência do canal; variar alguns programas, recuperar a qualidade dos analistas e colocar a informação antes da piada fácil e da busca da audiência por audiência; tentar ser diferente novamente. O problema é que, mesmo desejando que isso aconteça, não vejo sinais de que isso será feito…Será que vai ser preciso mais perdas desse tamanho para que alguém por lá acorde?

*****

Por outro lado, a nova casa do PVC, o FOX Sports, nunca demonstrou essa vontade de ser um canal de JORNALISMO ESPORTIVO. Por lá, pelo menos na maioria das vezes, o que importa são os eventos, a gritaria, a musiquinha depois do gol…Isso por si só dá mostra da estranheza em que muitos podem sentir ao ver o Paulo Vinícius em algum dos programas de debate do canal da “Raposa” que, como bem diz o Marco, possui aquele “DNA” bem conhecido de programas da Record/Bandeirantes da hora do almoço…mauro beting fox sports bola parada

Porém a FOX dá nesse momento um outro sinal de que pode querer qualificar a sua equipe. Mauro Betting e agora PVC são referências em termos de conhecimento e busca de um jornalismo correto e analítico. Apesar de ser um pouco “avoado” em alguns momentos, o Rodrigo Bueno também possui talento e capacidade de analisar o futebol em um ângulo maior do que o das “bombas no Corinthians” ou do “foi pênalti ou não” da maioria das nossas mesas-redondas. Além disso Eugênio Leal, o qual eu não conhecia muito, mostra-se interessado e conhecedor de futebol internacional. Por que não fazer o óbvio e fazer um programa diário com esses quatro citados? O telespectador que não gosta de ver algum sujeito ficar gritando a cada minuto em close na tela de sua TV (algo que vemos com certa frequência em alguns dos debates do canal) agradeceria se esse salto de qualidade acontecesse a partir do ano que vem…

Mas, como vemos muitas vezes em nossas vidas, mudar para fazer o óbvio (e o mais correto), pode ser mais difícil do que parece ser… Espero que não pensem apenas em fazer “barulho” (até literalmente) com a chegada do novo reforço e que busquem fazer algo de qualidade. E também espero (e até torço) para que o PVC continue sendo o ótimo jornalista que nós conhecemos.

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PostHeaderIcon Chega de Entregadas (da Imprensa) !

Eu não tenho nenhuma simpatia pelo presidente do Atlético Paranaense, Mário Celso Petraglia. Acho-o um dirigente autoritário, que tenta se mostrar diferenciado, mas que na verdade usa métodos ditatoriais para gerir o seu clube. Mas não é por isso que eu ou qualquer um pode jogar culpa de algo que nem aconteceu ainda, nas costas de uma pessoa apenas por suposição. Sendo um jornalista que faça isso, o caso é ainda mais grave.

Falo isso em referência à ESTA matéria do site da ESPN, onde é passada a impressão (quase que com certeza) de que o time paranaense iria “entregar” o jogo contra o Palmeiras, na última rodada do Brasileirão, para prejudicar o Vitória, time com o qual trava algumas batalhas na justiça.

Porém, para quem viu o jogo foi bem claro que os jovens jogadores do Atlético/PR atuaram muito bem, foram bem superiores ao fraco time palmeirense e mereciam vencer a partida, que só ficou empatada devido à marcação de um pênalti duvidoso para o alviverde paulista. Ou seja, não teve nada de suspeito ou irregular na atuação do time do Paraná. O fato do goleiro Weverton não ter ido na bola na cobrança do penal de Henrique não é novo, a forma como o centroavante bate pênaltis faz com que ele muitas vezes desloque os goleiros; já tinha acontecido algo semelhante com o Rogério do São Paulo. palmeiras atlético paranaense bola parada

Ou seja, foi criada uma história que pode até ter um fundo de verdade (a raiva do Mário Celso Petraglia contra o Vitória). Mas daí a dizer que os jogadores, o treinador, e os demais membros do corpo técnico do time paranaense iriam facilitar a partida vai uma longa distância. O mesmo papo foi criado para dizer que o Santos iria “amolecer” o jogo contra o Vitória para prejudicar seu rival paulista. E o que vimos foi exatamente o contrário, confirmado com a vitória santista já no final do jogo, comprovando que os santistas entraram em campo para jogar de forma digna. Aliás, para quem assistiu a partida, deu para duvidar é da vontade do time baiano de escapar do rebaixamento…O Vitória nem parecia que lutava contra o rebaixamento (do qual não conseguiu escapar), tamanha a apatia demonstrada em campo. Mas não acredito em algo mais do que a grande ruindade do atual time baiano, provada durante todo o campeonato. Basta lembrar que na rodada anterior o time levou uma goleada de 4×0 do Flamengo, já longe da “zona da confusão” e praticamente de férias.

Mas o que me espanta é esse papo que surge em todo fim do campeonato, das chamadas “entregadas”. Inegavelmente tivemos casos, no mínimo, suspeitos, com times jogando com pouca vontade e para prejudicar diretamente seus rivais locais. Mas temos de lembrar que o Brasileirão tem 38 rodadas e no decorrer delas, alguma facilitação pode ocorrer bem antes da rodada derradeira. Será que os jornalistas que adoram uma “teoria da conspiração” se lembram disso? Alguém tem peito de investigar algo lá pela décima rodada?

Cito os jornalistas (e alguns palpiteiros) pois muitos adoram instigar esse tipo de situação sem a mínima base. No FOX Sports Rádio da tarde de segunda, um participante BEM desagradável do programa, chamado Mano, levou uma bolsa com a expressão “MALA BRANCA” escrita nela. Ele insinuava que o Santos, veja só, recebeu dinheiro do Palmeiras para correr mais contra o Vitória (!!!). Ou seja, os jogadores ficam sob suspeita por não se esforçarem e agora também serão “acusados” por correr demais…É muito para mim…

Não sou ingênuo a ponto de achar que não existem negociatas no futebol, como aliás devem acontecer em vários ramos de atividade profissional. Vivemos em uma sociedade com muitos, mas muitos corruptos (e corruptores) mesmo. Mas daí a achar que tudo é comprado, armado e combinado também é demais. Se as pessoas acham que tudo é assim, porque ainda acompanham jogos ou participam de programas esportivos? Se não acham, deveriam ter mais responsabilidade ao tentar formular teses conspiratórias que só fazem os campeonatos caírem em descrédito. É ruim para a competição vermos esse papo todo ano. Devemos valorizar os bons exemplos, como foram os casos do Atlético Paranaense e do Santos, que honraram suas camisas e histórias, jogando sério e deixando de lado toda essa papagaiada que não leva a lugar nenhum. Com provas, toda denúncia é válida. Sem elas, vira apenas papo de desocupados e maus jornalistas.

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