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PostHeaderIcon O Não Necessário e Outros Temas

Com certo atraso vou “replicar” o texto do Marco sobre a chegada do Tite à Seleção Brasileira. Em termos de nome para o cargo de treinador do time nacional, de fato, não havia muita dúvida de que o ex-técnico do Corinthians era, no momento, a melhor opção. Porém algumas atitudes já deixam claro que mudanças mais profundas dentro da estrutura do futebol nacional não devem ocorrer tão cedo.

Sei que é um pouco demais exigir todas as virtudes do mundo em uma só pessoa e Tite é humano, passível de erros como todos. Mas se você olhasse as matérias e o tom de comentários um pouco antes da chegada dele à Seleção, a impressão que se tinha era que um novo Messias, o Salvador da Pátria estava chegando. Sendo assim a imprensa muitas vezes também ajuda no clima de “salvacionismo de resultados” que impera por aqui. Vemos isso diariamente nos clubes e a Seleção é só o aspecto mais visível disso. Assim como aconteceu em 2001 com a chegada do Felipão, já mostraram que Tite é bom filho, bom pai, uma pessoa “do bem”. E com isso a mudança que verdadeiramente precisaria acontecer no futebol brasileiro, começando pelos clubes, passando pela estrutura geral de treinos e tática, a organização de campeonatos melhores em condições mais adequadas para que os melhores jogadores e jovens fiquem ao menos por mais tempo por aqui (a “disputa” na imprensa por Gabriel Jesus é um assunto que abordarei em outro post), fica mais uma vez adiada, ainda mais se o time brasileiro melhorar seu rendimento, coisa que é bem possível de acontecer, pois agora teremos um treinador de fato dirigindo a equipe. tite del nero bola parada

Porém não tem como não criticar Tite pelo fato de aceitar o cargo de técnico do Brasil tendo, em dezembro último, assinado um manifesto pedido a renúncia e saída (mais do que justificada) do atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero. É evidente que muitos no lugar do treinador possivelmente também relevariam esse “pequeno detalhe” para poder vivenciar o sonho de ter o cargo mais cobiçado do futebol brasileiro e Tite disse que ajudaria mais o futebol brasileiro sendo o técnico da Seleção. Porém uma recusa de Tite poderia mostrar que nem todos são seduzidos por uma proposta a ponto de mudar de opinião sobre determinado assunto, ainda mais algo tão sério como o comando do futebol nacional. E ele teria o apoio da maioria da população que hoje tem certa ojeriza a tudo que a CBF representa de ruim para o esporte. (faço o adendo que o Rogério Ceni também assinou o mesmo manifesto e aceitou trabalhar como “auxiliar pontual” durante a Copa América, ou seja, incoerência idêntica). Além disso o fato dele levar seu filho Matheus Bachi, para ser seu auxiliar mostra que a meritocracia não se aplica a todos na hora de trabalhar em qualquer área por aqui. Ele pode ser competente e já o auxiliava no Corinthians, mas penso que até em nome de uma ética de trabalho numa perspectiva de mudanças, Tite poderia evitar esse ato que não deixa de ser um nepotismo.

Como disse acima, a chance da Seleção Brasileira melhorar de desempenho é grande. Em termos de currículo Tite conquistou todos os títulos possíveis e tem capacidade de organizar o time. Talvez não jogue o futebol “bonito” que muitos ainda idealizam e cobram que a Seleção Brasileira sempre jogue. Mas a eficiência e qualidade que suas equipes costumam mostrar tem de ser valorizada. Porém o futebol brasileiro, ao que tudo indica, fica refém de resultados por mais 2 anos, esperando que mais um título na Copa da Russia apague muitas sujeiras feitas por quem manda e comanda o esporte por aqui. Só que para dar tudo certo como aconteceu em 2002 o Brasil vai precisar de muito mais do que apenas sorte. Competência Tite possui, mas o trabalho será árduo.

*****

A Eurocopa que vem sendo disputada na França tem tido momentos triste com as brigas fora de campo. É uma mostra que o problema da ignorância do ser humano é global e não algo exclusivo dos “selvagens” (para alguns preconceituosos) sul-americanos. Porém não há dúvida que na Europa existe uma vontade maior de se punir os envolvidos em baderna, ainda que não seja fácil e que as confederações envolvidas, que poderiam ter sido eliminadas por causa dos brigões tenham apenas levado uma multa pelos problemas. De todo modo existe uma pré-disposição de punir, mesmo que falhas em segurança existam em todo e qualquer lugar.

A parte boa é a festa das torcida de seleções menos tradicionais como Irlanda, Irlanda do Norte e Islândia que se classificaram para as oitavas de final e mostraram uma alegria incontida nas arquibancadas e fora dos estádios também. Por um lado é legal que essa festa tenha ocorrido e mostra que o futebol tem esse lado lúdico e que ainda faz com parte da população tenha momentos genuínos de emoção. Porém é preciso dizer, no meu modo de ver, que o aumento de 16 para 24 seleções na fase final da Euro, diminui um pouco o nível técnico médio da competição. Alguns jogos foram sonolentos e times precisavam basicamente de uma vitória para se classificar (Portugal com um time limitado mais uma vez, nem precisou ganhar para avançar). Para um torneio regional, 16 seleções estavam de bom tamanho.

Dentro de campo, das surpresas citadas acima, a Islândia mostrou um time surpreendente, com bom toque de bola e maturidade; pode até complicar para a Inglaterra que possui bons valores, mas ainda se mostra incapaz de concluir e “matar” um jogo que domina, além de muitas vezes dar sustos na defesa. Alemanha e França possuem os times mais fortes, mas ainda não jogaram tudo que podem e sabem. Itália e Espanha vão se cruzar logo nas oitavas e é um jogo imprevisível, ainda que o time espanhol seja bem mais técnico. E do outro lado da chave a Bélgica pinta como favorita pelo elenco que possui, mas ainda não jogou tanto quanto a Croácia, que tem um ótimo meio-campo, e nem tem um jogador tão decisivo como Bale é para o Pais de Gales.

E é aquilo, agora que o torneio vai ficar ainda melhor, ele vai acabar mais depressa na fase de mata-mata. É uma pena, mas a política do futebol leva à esse inchaço de seleções em um torneio que poderia ser ainda mais forte.

*****

Falta ainda uma palavra sobre a final da NBA. O Cleveland Cavaliers, conseguiu virar de forma heroica a série contra o Golden State Warriors e foi campeão pela primeira vez do torneio estadunidense de basquete. O time de Oakland se desgastou demais para vencer a temporada regular batendo o recorde de vitórias do Chicago Bulls de 1996 (73V e 9D) e com isso sentiu demais o cansaço e as contusões na fase de playoffs. O time de Cleveland não contou tanto com “planejamento” para vencer o campeonato; trocou o técnico no meio do caminho e ficou com Tyronn Lue, um ex-jogador que nunca tinha dirigido um time antes como técnico principal. Mas contou com o brilho de suas duas estrelas maiores para vencer o título. kyrie lebron bola parada

Lebron James é um craque indiscutível, mas a mídia em torno dele para transformá-lo em um novo Michael Jordan é meio exageradas às vezes. Pode parecer bobagem o que estou escrevendo, mas nos EUA a condição de termos um “super-herói” para ser o carro-chefe de vendas e destaque da NBA para o mundo me parece ser uma necessidade incrível e que beira a loucura. Quando saiu de Cleveland para jogar no Miami Heat fizeram até um programa especial para mostrar Lebron indo levar os “seus talentos” para o Heat. Um exagero que fez com que ele ficasse marcado como jogador que só conseguiu ser campeão com ajuda de outros craques, como Dwayne Wade e Chris Bosh. Ou seja, pela imagem muito exposta ele pagou um preço alto por isso. Porém é inegável sua qualidade e capacidade para comandar a equipe dentro da quadra, mas sozinho ninguém vence campeonato.

As atuações de Kyrie Irving na final foram sensacionais e a companhia dele junto à Lebron foi fundamental para o título dos Cavs e merece ser MUITO lembrada, até pela cesta da vitória ter sido dele. Sendo assim o título foi merecido pela virada e pela raça demonstrada em quadra, além da qualidade dos seus craques.

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PostHeaderIcon E Agora, Adenor?

Antes de falar sobre o Tite, quero repetir o que sempre pensei sobre a carreira de Dunga como treinador. Nunca entendi! Não sei como e porque ele virou técnico da CBF. Muito menos o motivo de sua volta, após o vexame de 2014. Aliás, depois de 94, a única escolha compreensível foi a do Felipão em 2001/2002. Todos os demais foram um passo para trás, ou pro lado. Involuímos e colecionámos fracassos. Um fato notório e visível, ainda que ignorado por grande parte da mídia e dos torcedores.

Também é sabido que a CBF se comporta como um orgão separado do futebol brasileiro. Ela cuida de si, todo o resto que se dane. É uma posição confortável. Recebe o bônus, mas não carrega o ônus. Basta ver o desprezo da entidade pelos torcedores daqui ao vender seus amistosos para uma empresa árabe. Ou a diferença de tratamento que recebem os clubes brasileiros e os estrangeiros. É algo claro e indiscutível.

Também é indiscutível a rejeição, cada vez maior, que a seleção provoca na torcida. Ainda que, como disse o Alexandre, bons resultados possam reverter parcialmente essa rejeição. Só parcialmente. E se os resultados vierem. Se e quando.

Sigamos… Então, após outro desastre, descobriram que o Dunga não servia. Sério! Levaram 2 anos; e isso na 2ª passagem do Dunga. 2 anos de testes, experiências, desculpas e explicações. 2 anos que levaram a seleção do nada para o lugar nenhum.
técnico Tite
Hoje o Tite deve assinar oficialmente o contrato com a CBF. E o Rogério Micale deve ficar encarregado da seleção olímpica. Ponto!

É inegável que o Tite é muito mais técnico que o Dunga. Assim como não se discute que ele é quase unanimidade entre a mídia, boleiros e torcedores. Foi uma escolha óbvia.

Mas e agora? Certamente os futuros convocados pelo Tite serão em grande parte os mesmos que o Dunga já convocou. Talvez apareçam 3 ou 4 nomes diferentes; mas nenhum que faça uma diferença absurda. O estilo dos times do Tite é amplamente conhecido. Uma defesa sólida, linhas mais próximas, recomposição rápida, laterais acionados com frequência… E, certamente, uma boa relação com o elenco.

É 99% certo que a seleção do Tite será melhor que a do Dunga. Mas é bom avisar que o Adenor não é o salvador da pátria. E muitos estão esperando um salvador, um messias. Mas isso não existe. Quem espera um salvador vai quebrar a cara. E quem espera uma revolução também!

A verdadeira questão é saber o que se deseja. Se vocês acham que o Dunga é o único problema do futebol brasileiro, estamos perto da solução. Se pensam que o problema é mais profundo e necessitamos de uma “nova ordem futebolística”, não devemos esperar isso do Tite. Se precisamos de uma imensa revolução no nosso futebol, ela não virá pelas mãos de uma única pessoa. Não é uma mágica que acontece em minutos. Não peçam isso ao Tite!

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PostHeaderIcon A Nova Rotina

Por mais que o Brasil tenha sido eliminado da disputa da Copa América Centenário por um erro crasso da arbitragem que não viu o toque de mão na bola por parte do jogador Ruidiaz que fez o gol do triunfo peruano, não existe explicação para um treinador, num jogo eliminatório com 3 substituições disponíveis e com o time perdendo, não fazer as trocas. Só por isso o Dunga, caso a CBF fosse séria, já poderia perder o cargo no vestiário. Sem contar a não convocação de Thiago Silva, melhor zagueiro brasileiro, por pura pirraça. Pode parecer um paradoxo mas, como foi muitos lembraram instantaneamente, Dunga já fez (ou não fez, dependendo do ponto de vista) a mesma coisa acontecida ontem em 2010 na eliminação contra a Holanda na Copa do Mundo. Ou seja, não dá para dizer que ele merece crédito, pois já teve uma segunda chance de trabalhar e mostrou não ter evoluído em nada.

Dunga se mostra sendo alguém que até escala o time com alguma lógica (até porque não temos tantas opções para mudanças assim), mas não têm um chamado plano B e fica completamente perdido para mudar a tática da equipe. Uma simples mudança do técnico adversário Ricardo Gareca fez com que eu ficasse até com um pouco de pena dele na beira do campo, completamente perdido e sem saber o que fazer. Algo parecido já tinha acontecido no jogo contra o Equador. Como o Marco já disse várias vezes aqui, ele nem é treinador de fato, a dura realidade é essa. brasil peru copa américa bola parada

Obviamente Dunga nem deveria ter voltado para a Seleção, só que o problema é muito mais amplo. Não adianta acharmos que basta Tite assumir o comando técnico da Seleção o futebol brasileiro vai melhorar. A equipe pode até evoluir e ganhar títulos, mas a mudança que estamos precisando é muito mais estrutural do que qualquer outra. Um país que consegue se confundir até para montar uma seleção olímpica, que tem um técnico que treina a equipe por 2 anos, mas não dirige na época da competição, precisa começar praticamente desde o zero a mudar sua direção, com uma limpeza total na CBF e também nos clubes, que são coniventes com o que está se passando.

Sobre o time em si e voltando ao Tite, é bom lembrar que o estilo dele não é o que se exige da Seleção. Aí podemos dizer que a chamada soberba futebolística nacional, que diz que somos o país da habilidade, do futebol bonito, também está presente nessa definição, mas penso que ele, caso seja confirmado como treinador nacional, também seria criticado pelo seu estilo pragmático e também pelos conceitos quase professorais que coloca em sua coletivas. Além disso ele teria um grupo que precisa mostrar mais personalidade também nas adversidades, coisa que tem faltado ao Brasil a algum tempo. E ele, mesmo sendo talvez o nome mais óbvio que temos no país hoje, teria certa dificuldade para pôr em prática o que pensa.

Na realidade eu preferiria que Guardiola ou o Sampaoli assumissem o cargo e ficassem como condutores de um projeto que contemplasse a base, de forma a permanecer 8 anos pelo menos, pois assim teríamos ao menos uma perspectiva de mudança real e uma ideia de jogo mais próximas das tradições ofensivas brasileiras, aliada ao que se joga hoje em dia no mundo. Com uma mudança de comando da CBF poderíamos ter ideias novas dentro e fora de campo. Mas ao mesmo tempo eu penso; a imprensa por exemplo teria paciência com esse trabalho de longo prazo? As pessoas aceitariam maus resultados em amistosos? O corporativismo dos treinadores locais seria um empecilho?

Acho que tudo deve ser levado em conta e o próprio conceito de futebol por aqui, a estrutura toda, tem de ser repensada de alguma forma. Pode ser algo utópico essa mudança para agora, mas quanto mais ela demorar a acontecer, mais vexames acontecerão.

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PostHeaderIcon Seleção da Eurocopa

Amanhã começa mais uma edição da Eurocopa. Amanhã e por mais 30 dias teremos a competição que muitos chamam de Copa do Mundo sem Brasil e Argentina. Opinião que considero exagerada, mesmo sabendo da força e importância do futebol europeu. Mas, independente disso, é um torneio bastante interessante para quem gosta de futebol. (Não deve valer muito para quem só gosta de seu time). Espero que tudo corra bem dentro de campo e, principalmente, fora. Torcerei para isto.

Então, aproveitando a ocasião, eu e o Alexandre combinamos de montar a nossa seleção da Eurocopa. Tarefa ingrata. Primeiro pelo fato das edições mais antigas terem poucos registros e a maioria delas não ter sido exibida na televisão brasileira. E depois pelo grande número de craques que acabaram ficando de fora. Especialmente os de gerações mais antigas, que pouco (ou nada) vimos jogar. Mesmo entre os jogadores que vimos, muitos ficaram de fora. É o caso do Platini, Gullit, Rijkaard, Iniesta, Rummenigge e tantos outros. Espero que compreendam a nossa dificuldade.

A nossa seleção ficou formada assim:

  • Buffon – Itália
  • Philipp Lahm – Alemanha
  • Franco Baresi – Itália
  • Franz Beckenbauer – Alemanha
  • Paolo Maldini – Itália
  • Andrea Pirlo – Itália
  • Xavi Hernández – Espanha
  • Zinédine Zidane – França
  • Thierry Henry – França
  • Marco Van Basten – Holanda
  • Cristiano Ronaldo – Portugal

Mesmo que vocês discordem de alguns nomes, vamos combinar, é um super time. Ou não é?

Ainda que nossa seleção tenha um capitão nato, Beckenbauer, deixaremos a faixa com o cerebral Pirlo:

pirlo itália

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PostHeaderIcon A Culpa dos Clubes e a Ausência de Ideias

Ainda sou de uma época em que a Seleção Brasileira era uma verdadeira e indiscutível paixão nacional. Ela era tão reconhecida e respeitada que, mesmo quando um jogador do nosso time era convocado, havia comemoração e respeito pois um reconhecimento importante estava sendo feito. Porém essa situação mudou drasticamente com o passar do tempo. E agora estamos vendo uma situação que beira o absurdo total.

O campeonato Brasileiro não para e é disputado em meio à Copa América Centenário, que está sendo disputada nos Estados Unidos. Com isso jogadores de clubes importantes são cedidos à Seleção e desfalcam as equipes nacionais, causando assim uma ojeriza ao time nacional, que vem sofrendo gradativamente a algum tempo um processo de desgaste junto ao público.

Não que as pessoas não assistam mais aos jogos do Brasil. Ainda existe público, repercussão e vejo que as pessoas querem gostar da Seleção. Mas a coleção de erros, equívocos, convocações (e não convocações estranhas) e más atuações, somadas aos maus resultados recentes, diminui um carinho que era mais geral na população brasileira em relação ao time nacional. Não é incomum ouvirmos pessoas que dizem que não estão nem aí para o “time da CBF”. cartolas bola parada

Porém penso que existe um certo exagero em colocar a culpa de TODO o problema do futebol brasileiro apenas na Confederação sediada no Rio de Janeiro. O poder vigente está de pé ainda porque os CLUBES votam e elegem os atuais (e os passados) mandatários do futebol brasileiro. Inclusive muitos deles nem podem ir aos Estados Unidos com medo de serem presos por crimes diversos. Além disso, não vejo essas mesmas pessoas dizerem que torcem contra seus clubes, sendo que muitos contam com cartolas envolvidos em casos enrolados de corrupção, ou mesmo de pura incompetência.

Essa situação atual de um Campeonato Brasileiro que não para, mesmo mutilado com vários times desfalcados por termos uma competição CONTINENTAL sendo disputada em paralelo à ele, é bizarra demais para ter apenas a CBF como responsável. Os clubes dão diversas provas diárias de insensatez e falta de preocupação em fazer um trabalho planejado.

Um exemplo que, à primeira vista pode não ter tanto a ver, mas que para mim é bem ilustrativo aconteceu nessa última semana. Givanildo Oliveira, após apenas 5 rodadas do Campeonato Brasileiro, foi demitido depois de quase 2 anos no cargo de treinador do América/MG, sendo que nesse período ele conseguiu fazer com que o time mineiro voltasse à Série A do Campeonato Brasileiro e conquistasse um Campeonato Mineiro depois de 15 anos. Mesmo com todas as evidências mostrando que o time mineiro vai brigar na parte de baixo da tabela, os dirigentes preferiram jogar a culpa de tudo num treinador que têm história no clube e simplesmente desprezá-lo e trocá-lo sem cerimônia. Todo o trabalho feito no ano até agora foi jogado no lixo. E certamente veremos mais casos assim brevemente durante o “imparável” Brasileirão.

Portanto, antes de apenas xingar a CBF na hora de criticar por termos o futebol que está aí, lembre-se que os clubes têm grande responsabilidade nisso. Se a situação não muda, deve ser boa para muita gente.

*****

Sobre a Seleção em si dentro de campo depois do primeiro jogo, temos de lembrar que o time do Equador, contra o qual o Brasil empatou em 0x0, evoluiu nos últimos anos e têm qualidade. Além disso Dunga teve alguns desfalques por contusão no seu grupo inicial, algo que atrapalha qualquer treinador. Porém não dá para entender o fato dele ter desprezado o tempo atual que terá para treinar a Seleção PRINCIPAL e deixar seu principal jogador (Neymar) de fora apenas por querer ganhar o ouro olímpico. (Esse é um assunto que voltaremos a falar mais à frente). copa américa 2016 bola parada

O time mostrou alguma evolução técnica com as presenças de Casemiro e Philippe Coutinho, mas se mostra extremamente limitado de ideias. Depois de um primeiro tempo até razoável, a equipe se perdeu em uma atuação medíocre na segunda etapa e Dunga não soube como transformar o sistema tático e as funções dos jogadores em campo. E essa falta de ideias é bem sintomática dentro do atual momento do futebol nacional. Precisamos de novas soluções fora de campo. E também dentro dele e tudo indica que Dunga, na função que lhe cabe, não conseguirá trazê-las.

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PostHeaderIcon Um Título, Duas Histórias

E o Real Madrid conseguiu sua décima primeira Liga dos Campeões da Europa ao bater o Atlético de Madrid nos pênaltis em Milão na Itália por 5×3 depois de um empate de 1×1 no tempo normal e na prorrogação. Pela diferença de estilos e mesmo de vida entre as duas equipes podemos definir a final com duas histórias muito distintas.

Para o Atlético de Madrid a frustração de sentir a terceira derrota em três finais disputadas é imensa. Mas dentro de suas possibilidades o time treinado por Diego Simeone consegue ser competitivo e renasceu no cenário internacional desde que o argentino assumiu o comando da equipe em 2011. Porém é preciso ver agora se Simeone permanece ou não no cargo, pois se fala que ele pode ir para a Inter de Milão. Creio que, se ele ainda tiver força mental para manter o pique da sua esquadra, ele pode continuar e manter o trabalho admirável que vem fazendo.

Claro que dentro de campo o time do Atlético não chega a encantar pela beleza. O que é compreensível pois o clube não possui os mesmos recursos financeiros que os seus maiores rivais (Barcelona e Real Madrid principalmente. No jogo final porém até penso que a equipe entrou muito retraída e assustada em campo o que se refletiu até o gol do Real Madrid feito em impedimento (discutível, pois é aquele lance de TV) por Sérgio Ramos. Só depois de estar perdendo de 1×0 que o time colchonero foi mais à frente, inclusive com a entrada do belga Carrasco que fez o gol de empate. real madrid bola parada

Porém o Real Madrid foi mais perigoso na maior parte do tempo, muito pelo seu maior número de jogadores talentosos como Bale, Kroos e Modric, suprindo um pouco a jornada apagada de Cristiano Ronaldo. Além disso Casemiro foi muito bem na proteção da defesa, confirmando sua boa temporada, que começou com o comando de Rafa Benítez e terminou com Zinedine Zidane sentado no banco de reservas.

Nesse ponto não dá para defender o Real e sua direção. A mentalidade continua extremamente perversa e objetiva. Ganhou (principalmente a Liga dos Campeões) fica; perdeu, vai embora. O ídolo francês que nunca tinha sido treinador conseguiu unir o grupo na virada do ano e, mesmo sem ter se provado ainda como um grande tático à beira do gramado, foi importante em manter o time espanhol vivo na sua competição preferida. Mas não dá para dizer que vitória foi na base do planejamento, tirando claro o financeiro.

Já dissemos aqui que a diferença financeira entre os clubes na Champions League faz a balança pender para certos lados e temos visto isso claramente nos últimos anos. Os gigantes espanhóis e o Bayern de Munique venceram as últimas edições do torneio, além do “novo rico” Chelsea que ganhou em 2012. Então não dá para não reconhecer o esforço do trabalho mais “braçal” do Atlético de Madrid. Porém, em termos de qualidade técnica, o décimo primeiro título do Real é justo e coroa quem investe na ofensividade dentro de campo.

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