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PostHeaderIcon Temos Uma Boa Geração?

Após o baque do 7×1 foi praticamente decretado que a atual geração de jogadores brasileiros não é boa. Pior, seria uma geração limitada e sem talento, incapaz inclusive de classificar o país para a próxima Copa. No entanto, ao ver alguns jovens atuando em grandes times da Europa, temos uma outra corrente de analistas, principalmente na internet. Estes defendem que temos sim uma grande safra de atletas que na verdade não são bem treinados e preparados para render no seu máximo.

Essa discussão ganhou muita intensidade com as boas atuações de Douglas Costa em seu início no Bayern de Munique; Justo Douglas que foi tão criticado quando chamado por Dunga para a Copa América, quando ainda estava no Shakthar da Ucrânia. Para alguns as críticas vinham do desconhecimento da maioria sobre o nível de futebol do ex-atleta do Grêmio. Como não acompanham o time ucraniano e com as suspeitas recorrentes de convocações “estranhas” nos últimos tempos, era mais fácil achincalhar o treinador e o jogador. douglas costa bayern bola parada

De fato neste caso específico Douglas começou bem no time de Guardiola, mostrando qualidade jogando como um ponta-esquerda agudo, buscando sempre o drible e a jogada de linha de fundo. Porém é bom lembrar que no Shakthar ele não era O destaque da equipe. Luiz Adriano, outro brasileiro muito criticado quando lembrado para a Seleção, era a referência. Além disso, ainda estamos no início da temporada européia e temos de esperar como vai ser a evolução do jogador e do Bayern como um todo com os retornos de Robben e Ribéry. Vemos hoje quase que um movimento de “pedido de desculpas” ao jogador por ele ter sido tão contestado. Aí já enxergo um exagero, mas é algo bem típico do Brasil…

Outro nome sempre lembrado como um jogador que pode conduzir o Brasil à um momento melhor na sua Seleção é o de Phillipe Coutinho. A não-convocação do meia do Liverpool para os próximos amistosos chamou a atenção. E com isso tome mais críticas ao trabalho de Dunga e mais lembranças de que temos sim um time “quase pronto”; alguns até já nomearam uma equipe do meio para a frente com Casemiro (agora de volta para o Real Madrid), Oscar, William, P. Coutinho, Douglas Costa e Neymar.

Porém ao lermos essa escalação nos deparamos com alguns problemas. O principal é que possívelmente não veremos esse time em campo, talvez apenas quando a Seleção estiver perdendo. Com Dunga no comando essa ofensividade toda e principalmente o pensamento de controle de bola e passes parece ser algo meio utópico para imaginarmos como sendo posto em prática. E fica claro que ele não é o nome certo para fazer essa equipe jogar. Nesse ponto então podemos até ver que a nossa “matéria-prima” não é tão ruim assim, faltam ideias e treino.

Só que ao mesmo tempo que podemos dizer que o time não é tão ruim, também não podemos dizer que ele é excepcional. Tirando Neymar não temos um PROTAGONISTA real, alguém que se sinta confortável em decidir uma partida numa situação de dificuldade. Oscar e William estão a algum tempo no Chelsea e não costumam fazer isso. Philippe Coutinho pode vir a ser esse jogador, mas ainda não é totalmente regular em desempenho no Liverpool. Douglas Costa ainda, pelo menos para mim, tem de se firmar numa temporada inteira para podermos dizer que ele é confiável em termos de Seleção. Além disso não temos um nome indiscutível no gol e nas laterais, o que prova que temos carência em referências para a equipe.

É um tipo de discussão interessante, que pode nos mostrar caminhos para melhorar. Temos alguns bons nomes, o time pode jogar mais do que tem jogado, mas não temos toda essa fartura ou mesmo uma qualidade escondida que poucos viram. Antes de tudo o Brasil precisa descobrir um jeito melhor e mais definido de jogar, que privilegie a posse de bola e não apenas a correria e o resultado a qualquer custo. Fazendo isso quem é bom pode, de fato, se sobressair.

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PostHeaderIcon Sem “Santinhos”

Nessa semana tivemos a repetição de dois temas já antigos, mas que novamente veem à tona. Um dentro e outro fora de campo. A transmissão da UEFA Champions League e a demissão de mais um treinador no Brasileirão. Não temos nenhuma novidade nos fatos em si, mas chama a atenção a postura dos envolvidos.

No caso dentro de campo, a saída de Cristóvão Borges do Flamengo é mais uma daquelas provas de que a palavra “planejamento” em nosso futebol é apenas para enganar alguns iludidos. O time carioca, que tem se gabado de fazer uma “gestão profissional de futebol”, pode até estar tentando sanear suas contas (com a ajuda da benevolência do Governo Federal, sempre bom lembrar…). Mas em termos de administração de futebol, o que temos visto é aquilo de sempre. Afinal trocar de técnico 8 vezes em 32 meses não é algo que denota uma boa organização no comando do carro-chefe da instituição. Temos de reconhecer que Mano Menezes saiu porque quis em 2013, mas de modo geral a instabilidade no cargo de treinador rubro-negro é constante para todos, com todo aquele clima inflado pela imprensa, algo que já falamos aqui.

O que foi diferente nesse caso do Cristóvão é que, antes dele ser finalmente demitido “de comum acordo” (eufemismo para uma saída sem problemas na cobrança de multa rescisória), ele disse que sofreu críticas baseadas em racismo, tanto por parte de torcedores do Flamengo quanto por jornalistas (alguns deles mais torcedores do que profissionais de fato). Não sou negro e portanto não estou na posição de alguém como Cristóvão para dizer o limite de alguma ofensa ligada à cor da pele. Não duvido que ele tenha sofrido com isso, não só no Flamengo como em outros clubes. cristóvão borges bola parada

Porém não dá para dizer que o racismo no futebol seja mais burro além do que já é em outras áreas da sociedade. E não dá para dizer também que ele tenha peso maior do que a pressão por resultados.

Creio que se o Flamengo tivesse obtendo bons resultados, possivelmente o ex-treinador não estaria sendo vítima de críticas, que aliás ele já tinha sofrido em outros clubes nos quais trabalhou. O fato dele não ser ainda um treinador de “grife” para suportar pressão, no meu modo de ver, pesa ainda mais para ele ter vivido praticamente dois meses (o tempo que ele trabalhou no Flamengo) em corda-bamba. O esporte preferido de boa parte da mídia não é ver e analisar futebol e sim brincar de “tiro ao alvo” com algum treinador para conseguir mais ibope com a discussão se ele cai ou não. Ele também foi criticado por errar em substituições em alguns jogos, coisa que qualquer treinador, de qualquer raça, está sujeito à sofrer.

O racismo tem de ser combatido SEMPRE em todas as áreas de nossa sociedade. Se Cristóvão se sentiu atingido por alguém que processe esse alguém e leve o caso às últimas consequências. Mas sinceramente não creio que apenas o fato dele ser negro precipitou essa demissão. Afinal, demitir treinador é especialidade dessa direção rubro-negra. Osvaldo de Oliveira, que acabou de sair do Palmeiras e já assumiu o Flamengo, que se cuide.

E nesse caso específico temos de dizer novamente que os treinadores aceitam essa ciranda de trocas e substituições. Osvaldo criticou a direção palmeirense quando saiu, mas não hesitou em assumir o time carioca NO DIA SEGUINTE à queda de Cristóvão. Ou seja, não existem santos nessa situação. (Aliás, melhor dizendo…existem “santos” sim, só na imprensa; aquela que gosta de pedir mudanças pós 7×1 e não incentiva pressão contra técnico…não é ESPN? Vergonhoso, como tem sido o canal ultimamente…) imprensa bola parada

*****

Também não existem santos na questão da entrada do Esporte Interativo nas principais operadores (em termos de número de assinantes) do Brasil. Estando fora da Sky, Net e Claro TV (sendo que essa última que já foi parceira comercial do EI) o canal que adquiriu os direitos da Champions League se posiciona no papel de vítima e tenta fazer o seu público de massa de manobra para pressionaras operadores a receber o canal em suas grades de programação.

Essa situação lembra a do FOX Sports que também sofreu para entrar nessas mesmas operadores quando entrou no Brasil em 2012. Nessa mesma ocasião, o ex-diretor de programação da ESPN Brasil José Trajano resumiu bem essa situação (veja AQUI). “Não tem santinho nessa história”. A Globo, que muitos acusam de ser monopolista, não é grande coisa perto da FOX do Rupert Murdoch, que é um conglomerado de empresas forte no mundo inteiro. O Esporte Interativo hoje é muito mais da Turner, dona da CNN e da TNT por exemplo, ou seja, não é um “bravo destemido” em busca da justiça. Tudo é negócio. Basta lembrar que a FOX, depois de estar estabelecida no Brasil, aceitou ceder parte de sua “joia da coroa”, a Libertadores, para aquela que muitos veem como a representação do mal, a Globo.

Ou seja, são empresas que negociam e buscam o lucro. O assinante, aquele que quer ver as partidas ou outras atrações do canal, está em décimo plano para esses “cachorros grandes”. TODOS eles. A Sky e a Net poderiam facilitar a entrada do EI na grade para que todos possam ver a Champions? Sim. Mas o EI também não poderia exigir menos dinheiro para poder ser aceito nessas operadoras? Sim também. ESTA declaração do representante da NET diz um pouco sobre o “modus operandi” do EI, que não se define totalmente como canal aberto ou canal fechado. uefa champions league esporte interativo bola parada

EI que era aquele canal que dizia “amar” o Nordeste, lembram? Pois é, o EI NORDESTE já nem existe mais. Mudaram o nome de uma hora para outra para Ei Maxxxx (sei lá quantos Xis existem…). Dizem que vão manter “a programação voltada para a região”. Que na verdade se resume hoje a um programa de debate, como tantos por aí. A Copa do Nordeste eles vão mostrar pois ela é da TOP SPORTS, empresa que tem participação no canal, e não porque “amam” a região…

Resumindo. Duvide sempre das palavras oficiais e dos verdadeiros interesses de cada lado em alguma disputa. Nada é feito pelo bem da maioria e sim de cada grupo comercial. Enquanto isso, quem quiser ver a Champions sem ter de pagar na internet, que busque um site internacional (ou veja a Bandeirantes, mas com volume no mudo…)

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PostHeaderIcon Mão na Roda

O 1º turno do Brasileirão já é passado. E já podemos listar algumas características deste campeonato:

– É um campeonato com clubes mais empobrecidos que nos anos anteriores. Mesmo com uma ou duas exceções, a média recuou bastante. É inegável que a maioria precisou apertar o cinto. Quase desesperadamente em certos casos. Espero que nos próximos anos a projeção de receita X despesa seja feita com mais lucidez. E no começo da temporada (ou no final da anterior).

– Aumentou o público nos estádios; ainda que estejamos longe do ideal. A redução no valor dos ingressos, os jogos as 11 horas do domingo, o novo estádio do Palmeiras e as promoções para mais sócios-torcedores explicam, em grande parte, este incremento.

– Nossa arbitragem, mais que em qualquer outro país, está batendo cabeça com a recomendação sobre bola na mão que a FIFA lançou ano passado. Parte da culpa é da própria FIFA, que piorou uma regra já confusa. Depois a arbitragem brasileira resolveu personalizar a interpretação da regra. Cada juiz apita o toque de um jeito. E todos os clubes acabam prejudicados em algum momento. Quem interpreta é artista, não árbitro de futebol. É melhor apagar tudo e voltar ao que era antes.

– E, repetindo edições anteriores, o troca-troca de técnicos segue desenfreado. Contratam sem um motivo sólido e demitem sem qualquer coerência. Talvez, num futuro distante, aprendam.

* * * * *

Sobre o rendimento dos clubes, eu consigo separar eles em 4 grupos. Basta ver a imagem anexada. O grupo verde (até o 6º) deve lutar na ponta da tabela. Desse pessoal, só o Fluminense é surpresa pra mim. Não aposto muitas fichas no tricolor carioca.
02-classi
O 2º pelotão é o marcado em azul. São clubes sem grande elenco, verba, tradição, mas que estão arrumados e podem incomodar. Na verdade eles estão ocupando o lugar dos listados em vermelho. Em condições normais de temperatura e pressão o bloco em vermelho deveria estar em posição melhor. Mas estão devendo, e muito!

Finalmente, do Figueirense pra baixo, a briga é pra escapar do rebaixamento. Exceto pro Vasco. Sim, pra mim o Vasco já está rebaixado. Não consigo acreditar que faça 30 pontos no 2º turno e escape da degola. Mesmo que eu possa queimar a língua. Acho mais fácil que alguém vá pra Sibéria.

* * * * *

Falei sobre a arbitragem na primeira parte da coluna. E vou voltar ao tema. Igual fazem os programas esportivos. Mas não sou oportunista nem busco audiência fácil. É mais pra registrar os absurdos que tenho assistido, em praticamente todos os jogos. São erros bizarros, inacreditáveis. E tantos que dá pra pensar que há alguma sujeira por trás.

Nem quero criar mais uma teoria da conspiração. Mas parece que essa nova regra (recomendação), de mão na bola, é uma “mão na roda” pra quem deseja favorecer A ou B. Quanto mais um juiz puder interpretar, mais oportunidades para prejudicar ou ajudar um clube. Então é bom reduzir essas regras interpretativas. Ou eliminar.

Outro aspecto é que os “inventores de regras” deveriam consultar jogadores e técnicos antes de fazer bobagem. Ninguém corre com os braços colados ao corpo. Nem salta assim. Nem dá carrinho assim. Talvez um robô consiga, mas para os seres humanos é quase impossível. Qualquer pessoa que tenha jogado futebol sabe disso. É elementar.

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PostHeaderIcon Telespectador é só um Detalhe

O que eu vou escrever neste texto não é novidade alguma. O Marco, quando tinha o blog Tevezona (que faz falta aliás), já tratou algumas vezes sobre o tema. Mas ontem tivemos uma prova ainda mais concreta de uma verdade que é cada vez mais clara. Ainda que hoje em dia tenhamos “torcidas de emissoras de TV” no twitter, facebook ou outras redes sociais, as emissoras de televisão, de modo geral, estão pouco se lixando para o prezado telespectador.

Ontem tivemos o início do Campeonato Alemão que agora tem os direitos divididos entre ESPN e FOX Sports. Como o jogo de abertura entre Bayern de Munique e Hamburgo teve a transmissão feita pela FOX, tiveram a “luminosa” ideia de transmitir a peleja em praticamente TODOS os canais do grupo. Com isso o FOX Sports 2, a FOX e o FX (esses dois últimos que normalmente transmitem filmes) também exibiram a partida. Até aí podemos discutir se a ideia é exagerada (ou idiota), mas tentando ver pelo lado positivo é uma forma de valorizar o evento que adquiriram. foxsports1

Porém ao mesmo tempo em que transmite o torneio alemão, a FOX também mostra o Campeonato Inglês. E ontem havia um jogo previsto para a transmissão da “Raposa Esportes”, Aston Villa X Manchester United. Diante da decisão de mostrar o jogo do Bayern em 387 canais, o jogo inglês simplesmente não foi exibido. Foi jogado para um VT à noite, sem maiores justificativas por parte do canal. E é isso que incomoda mais.

Se alguém da FOX tivesse vindo à público e dissesse que a estreia do Alemão era importante, que a compra do torneio foi feita em escala mundial e que era importante para a empresa essa “super cobertura” não resolveria, mas ao menos daria uma noção do respeito que ela deveria ter com o assinante. Porém nem isso tiveram a decência de fazer. Ignoraram solenemente os protestos dos adeptos dos times ingleses.

Enquanto isso continuam a pedir a “claque” para que participe das transmissões e mandando abraços. No entanto essa participação do “fã do esporte” só é notada quando é para jogar confete na emissora. E aí não falo só da FOX. Todas são basicamente iguais nessa forma de desprezar toda e qualquer forma de crítica, mesmo aquela que é construtiva ou pertinente. Não dá realmente para engolir essa interatividade que só funciona quando é a favor.

*****
Em alguma das minhas última colunas aqui critiquei o Esporte Interativo por não avisar claramente que a Liga dos Campeões não será exibida pelo canal em sua forma de TV aberta. Depois disso (não sei se depois de lerem algo aqui…) finalmente fizeram um anúncio deixando mais claro o que será exibido nas parabólicas. E aí vemos que o canal conseguiu a cereja (Champions League), mas não tem o bolo. Série D (passando quase que só jogos do Remo) e alguns genéricos do UFC são muito pouco para preencher uma grade de programação no fim de semana. A coisa melhora um pouco com a volta da NFL, mas mesmo assim o vazio permanece. Talvez se (e dá para colocar alguns “se” aí…) o grupo Turner conseguir o Campeonato Inglês para a próxima temporada a coisa possa melhorar um pouco (falando aí para quem gosta de futebol…). esporte interativo nordeste bola parada

Chamam a atenção também as mudanças estéticas dos cenários do canal. E é incrível como a “criatividade” de formatos é limitada por aqui. Para os programas de pré-jogo parece que pegaram um cenário antigo do Bate-Bola da ESPN lá dos idos de 2008. Para o Jogando em Casa colocaram o já tradicional “sofá da Hebe”, também muito usado na ESPN (se inspiram bastante por lá pelo visto…) e no Seleção Sportv.

Claro que o cenário é mais um detalhe, citei apenas por curiosidade. O que chama realmente a atenção é a semelhança dos programas e aí cito as 4 principais esportivas (o Bandsports vive em estado de hibernação quase que constante…). Entrevistas coletivas (as do Tite então são quase que feitas em “cadeia nacional de transmissão”) aos montes, debates pseudo-engraçadinhos, espaço quase que somente dedicado ao futebol…E pouca discussão real sobre o esporte nacional. A Olimpíada poderia vir a ser um fator para mudar o quadro, mas não me parece ser o caso.

Mas ai do telespectador que reclamar disso. Ou será ignorado ou “bloqueado” por algum jornalista valente no twitter. São quase entidades, não aceitam críticas na sua grande maioria. O observador de casa que quer falar alguma coisa, mesmo que de forma pertinente, é só um detalhe.

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PostHeaderIcon As Velhas Ausências

Dunga convocou a Seleção Brasileira para os amistosos contra a Costa Rica e os Estados Unidos no mês de Setembro. Algumas coisas chamam a atenção na lista. As presenças de Kaká e Neymar seriam perfeitamente justificáveis pelo ponto de vista técnico. O ex-meia do São Paulo, dentro do atual cenário do futebol brasileiro ainda poderia estar jogando na Seleção, até pela falta de opções na posição. Mas o fato dos jogos serem realizados nos EUA faz muitos pensarem que a convocação se deu mais por questões ligadas aos patrocinadores. Assim como a chamada do camisa 11 do Barcelona, que ainda se recupera de uma caxumba.

Outra questão que se faz notar é que não tivemos convocações de jogadores que atuam no chamado “mundo árabe” ou mesmo na China. Penso que se tivéssemos jogadores de calibre indiscutível atuando por lá eles deveriam ser chamados mesmo atuando nesses mercados periféricos do futebol. Mas não é o caso dos atletas anteriormente convocados. Não temos nenhum “acima da média” de fora da lista, com exceção de Thiago Silva, que tem pagado o pato por alguns erros individuais, apesar de ser bem superior, tecnicamente falando, a David Luiz. As voltas do Lucas do Paris- Saint Germain e do Oscar e a primeira lembrança do Lucas Lima são boas notícias; assim podemos vir a ter meias que poderão ser úteis no futuro do time. Douglas Costa é muito mais um ponta, com temos visto nesse início dele no Bayern de Munique e não pode ser considerado nessa função de armar um time, o que muitos pensaram erroneamente durante a Copa América. dunga lista bola parada

Porém, conceitualmente falando, temos duas ausências que explicitam algumas debilidades em nossa geração. Na cabeça de área continuamos insistindo com a presença de Fernandinho e agora até com o retorno de Ramires. No entanto continua faltando alguém quem pense o jogo, que arme a equipe na saída para o ataque. Elias é muito mais um condutor de bola; não é esse jogador para organizar as jogadas e nem está em grande fase no Corinthians, em que pese o momento de liderança da equipe no Brasileiro. Continuamos dividindo a equipe em setores que muitas vezes ficam distantes entre si e não tendo tantas formas diferentes de se atuar.

Além disso mais uma vez não temos um centroavante de ofício na lista. Evidente que podemos pensar em uma equipe sem alguém fixo na área. Roberto Firmino, em que pese não ser um jogador acima da média, pode fazer essa função de ser o atacante mais adiantado, além claro do próprio Neymar. Porém chama a atenção o fato de vivermos essa entressafra incrível na posição do antigo “camisa 9”. Os melhores que temos atualmente, jogando por aqui, são os velhos conhecidos Ricardo Oliveira e Fred. Sim, o Fred, tão criticado durante a Copa, ainda é relevante jogando para o Fluminense e não temos alguém ainda tão superior à ele, o que prova o momento complicado para a função.

Durante a coletiva da convocação Dunga disse que o caminho para qualquer time, desde que quando ele começou no futebol é “jogar pelas pontas”. De fato é bom poder abrir o jogo e procurar fortalecer o lado de campo. Porém é preciso saber e poder variar de tática, além de principalmente procurar tentar controlar o jogo e não apenas correr a esmo, algo que temos visto frequentemente no atual momento do futebol brasileiro.

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PostHeaderIcon Em Busca da Fórmula Perfeita

Uma mania atual que temos visto frequentemente no futebol brasileiro é a de se criticar de forma constante aos estaduais. Atrasados, longos, não servem para nada, etc. Tudo de ruim já foi dito sobre eles, mesmo os torneios de cada estado sendo uma parte importante da história e da formação do nosso futebol. É evidente que, disputados da maneira que são feitos hoje em dia, eles estão longe do ideal, que a meu ver seria algo próximo de uma regionalização em um primeiro momento, para que depois da apuração dos melhores de cada região estes se juntassem aos grandes de cada estado.

Porém a busca por uma fórmula ideal para ocupar o nosso calendário ainda não chegou nem perto de um consenso. Nessa procura vemos o surgimento de algumas ideias boas. A ampliação da Copa do Brasil, sendo disputada por quase todo o ano é um achado. Ainda que alguns tenham dito na época de sua ampliação de que essa medida foi feita para ajudar a preencher a grade de programação do Sportv (que à época estava sem a Libertadores), o fato da competição não ficar espremida apenas no primeiro semestre é algo que ajuda a valorizá-la e aumentar o interesse por ela. Porém ainda falta implantar um mecanismo que faça com que ela tenha mais clubes. Que ela chegue ao menos próximo da Copa da Inglaterra que dá chance inclusive a times quase amadores para que tenham chance de crescer e aparecer no cenário nacional.

No entanto, algumas outras soluções pensadas por alguns apenas criam mais dúvidas e não melhoram necessariamente o atual quadro. A criação de um monstrengo como a Copa Sul-Minas, ainda acrescida da presença de Flamengo e Fluminense, que pensariam em jogar o Carioca com o time reserva, não me parece ser a saída para o nosso calendário. Ao contrário cria mais uma competição meio torta e que mais parece amistosa e sem um futuro claro pela frente. Primeiro porque temos ainda de ficar com o pé atrás com as intenções da dupla Fla-Flu, que podem voltar a ficar “de bem” com a FERJ. Segundo porque, se pararmos para pensar…Rio, Minas, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina jogando um torneio…Não era melhor ampliar o Campeonato Brasileiro? calendario-2014

Não é fácil conseguir e descobrir uma fórmula perfeita para qualquer disputa. Ela na realidade nem existe. Na Inglaterra temos um calendário sonhado por muitos aqui, mas para que tenhamos a Copa da Liga (que também existe na França e em Portugal, para ficarmos só em grandes campeonatos) temos aqueles jogos espremidos no fim do ano (um pouco pela tradição da rodada de 26 de dezembro, mas também para ajeitar as datas). Na Alemanha, tão decantada pela sua organização, o antepenúltimo colocado da Bundesliga tem a chance de ficar na primeira divisão jogando contra o terceiro da segundona, uma clara oportunidade para que times grandes não caiam num eventual ano de má campanha, algo discutível. Ou seja, problemas temos em todos os lugares. Citei esses dois campeonatos, que hoje são os melhores em termos de ligas nacionais, para mostrar que nada é perfeito.

Sendo assim, ainda estamos no caminho de descobrir o que é melhor para fazer por aqui. Acho que a ampliação do Brasileirão, começando em fevereiro e indo até o fim do ano pode, assim como aconteceu no caso da Copa do Brasil, desinchar um pouco os estaduais, que permaneceriam e, com os grandes entrando em fases mais decisivas, poderiam ter mais apelo novamente. Poderiam ser criados mecanismos para que os clubes menores possam ir subindo de divisão (a ideia de quinta divisão proposta pelo Bom Senso é interessante). O problema aí seria analisar se pode ser possível realizar 5 divisões nacionais com jogos em ida e volta em pontos corridos. A série C conseguiu um espaço hoje com sua fórmula regionalizada e com mata-matas.

Quanto às competições regionais penso que, se forem para serem realizadas, que respeitem a geografia das regiões brasileiras de fato. Que se faça Copa Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte. com os 5 vencedores poderíamos ter um campeonato nacionais regional, num hexagonal com, por exemplo, o estado mandante. Poderia ajudar a revitalizar um pouco o futebol tanto do Norte quanto do Centro-Oeste, que normalmente são os mais esquecidos do país. É uma ideia, mas estou longe de achar que são perfeitas. Para muitos locais os estaduais não podem simplesmente sumir. É algo para se pensar caso a caso, até porque sempre haverá quem pode pensar em algo novo para ajudar a melhorar.

E a meu ver é isso que falta. Alguém que pense não apenas no próprio umbigo e sim na melhora como um todo do nosso futebol. Pena que, pensar nessa melhoria vinda dos clubes é algo quase sem chance de se realizar, infelizmente…

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