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PostHeaderIcon Clássico Clandestino

Mais uma vez a maioria dos assinantes e fãs de futebol ficaram privados, em termos de transmissão pela TV, de assistir no último domingo o clássico espanhol entre Barcelona e Real Madrid. O jogo que acabou com a vitória do Barcelona por 2×1 só foi exibido no canal Sports + que é literalmente da Sky. Não oficialmente falando, pois não assumem que o canal pertence à operadora, mas fica bem clara essa situação.

O pior é que esse canal já foi investigado pela ANCINE e já teve até seu funcionamento cassado no ano passado (veja NESTE link). Mas como muita coisa que acontece aqui no Brasil, tudo foi jogado para baixo do tapete. A “emissora” continua funcionando normalmente e assim sendo, continua sonegando o direito de muitos assistirem os eventos que ficam sendo exclusivos da operadora.

O mais bizarro disso tudo é ver o quanto a ESPN Brasil apanhou nas redes sociais com fãs irados por ela, mais uma vez, transmitir um evento e não exibir um jogo importante dele. Essa situação, justiça seja feita, já vem de antes da gestão criticadíssima do João Palomino. Em alguns anos a ESPN chegou até a ficar sem o Campeonato Espanhol. Agora consegue “meio” torneio. Melhor que nada certamente, mas fica com esse gosto amargo de não poder passar alguns jogos decisivos. sports + sky bola parada

Pensando como assinante, creio que o melhor seria que os canais chegassem a um acordo para que um jogo tão importante pudesse ser visto por todos. Mas para os diretores de programação vale mais aquele selinho de exclusivo nas chamadas do que o bem de quem paga (caro) para ter uma TV por assinatura. Sobre o canal que é (ou não) da Sky, primeiramente que eles anunciem mais as suas transmissões, pois pelo pouco que acompanho dele, parece que gosta de ser clandestino até para anunciar seus eventos. Depois que esclareçam a situação e não fique sempre essa suspeita de ser um canal irregular.

*****

Vejam que nem citei algum canal de TV aberta como um possível exibidor do clássico espanhol. O fim de semana já está cheio de “ótimas” atrações na Bandeirantes, SBT, Record…Antigamente ao menos havia a iniciativa de se transmitir algo diferente. É claro que hoje existe a concorrência dos canais pagos, mas ninguém ousa algo de diferente. A Record principalmente poderia usar o fim de semana para fazer esporte, como já citei NESTA coluna, mas pelo visto isso é mais do que ilusão; esporte para Record só a cada dois anos…Assim sendo, os campeonatos europeus ficam distante de quem não tem TV por assinatura. tv aberta bola parada

E olha que o jogo de domingo era um daqueles que a TV aberta adora promover como um “duelo” de estrelas, como existe na Liga dos Campeões. Parece que só existem Barcelona e Real Madrid, como mais uma vez veremos nas quartas de final da Champions League. Globo, Bandeirantes e Esporte Interativo continuam privilegiando os times espanhóis em detrimento dos outros; claro que pelo número de grandes jogadores que essas equipes possuem é natural que tenham jogos exibidos, mas não precisavam exagerar nessa preferência.

*****

seleção sportv bola paradaO Sportv estreou na semana passada o “Seleção Sportv” diário, para concorrer com o intragável novo formato do Bate-Bola atual da ESPN e o circo do Fox Sports Rádio. Vi um pedaço do primeiro programa com o Dunga. Achei um programa até de bom nível, pelo menos nessa edição que vi, com menos fanfarronice do que na concorrência. Porém essa ideia de querer que tudo seja “ao vivo” cria uma enorme tendência de repetição, um “deja vu” eterno. Acho que temos um exagero nas palavras, que não dizem muitas coisas, de técnicos e jogadores.

Acho importante que se escute os treinadores, mas além do dia a dia e das obviedades do pós-jogo. Mas esse excesso de programas repetitivos muitas vezes não acrescenta tanto a meu ver. As emissoras poderiam pensar em novidades informativas para tentar mudar essa mesmice.

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PostHeaderIcon Parcelando o Problema (Que Continua)

Nesta semana a presidente assinou o projeto de renegociação da dívida dos clubes de futebol. Muitos clubes festejaram o ato. E alguns comentaristas esportivos também. Dizem que será a salvação do futebol tupiniquim. Como se uma canetada fosse a solução pra todos os problemas. Como se fosse o primeiro projeto governamental para salvar clubes quebrados.

Não li o texto do projeto, só o que foi divulgado pela imprensa. Mas foi o suficiente pra perceber que pisaram na coitada da Constituição. Fato que vem se tornando costumeiro nos últimos 12 anos. Ou já era comum, só que disfarçado. Mas o fato é que o governo juntou juntou a renegociação da dívida com uma vendeta contra alguns desafetos (a CBF pra ser exato). Isso é inconstitucional, por mais que eu odeie a CBF e todas as federações; inclusive de outros esportes. Isso não justifica a ilegalidade do projeto.
administração futebol
O fato mais importante é a prática. Não sei se todos sabem, mas a Federação Paulista colocou em prática uma regra que penaliza clubes que devem salários. Vocês viram algum clube sendo punido? Mas eu sei de clubes com salários atrasados no Paulista. Então tenho sérias dúvidas sobre as sanções que o projeto federal menciona. Ainda mais por conhecer o modus operandi de nossos cartolas, que rasgam regulamentos e viram mesas com incrível facilidade.

Também não acho justo ver os clubes recebendo tamanho benefício num momento em que a presidente pede que o Zé Povinho (nós) faça sacrifícios e aumenta vários impostos. Foi criada uma nova “casta social”, a que pode tudo. E garanto que vocês não fazem parte dela. Experimentem atrasar seus impostos e vejam o que acontece. Depois tentem ir na Receita e pedir um parcelamento em 20 anos. Tentem! Pois os clubes podem; eles representam uma paixão nacional. Francamente, paixão nacional, no meu entendimento, é a Paola Oliveira.

Um outro aspecto, primordial, é que o projeto só alcança a dívida com a União. Os clubes ainda podem fazer negócios nebulosos, podem fatiar seus jogadores, podem se endividar com bancos e “investidores”, podem dar calote em fornecedores, etc… Sem falar que logo vão surgir estratégias para driblar o controle e a punição. Não duvidem da criatividade de nossos cartolas.

Um pacote de bondades pode agradar muitos. Mas não resolve muita coisa. Nosso futebol precisa é de um “pacote de maldades”. Por “maldades”, entenda-se leis rigorosas e punições severas. Nosso futebol precisa criar sua liga e se livrar de federações, CBF e governo. Precisa de uma administração profissional. Precisa tratar seus campeonatos como produto e valorizar esse produto. Precisa se organizar e evoluir. Mas estamos muito longe disso. Estamos mais perto do tempo em que patronos, bicheiros e mecenas bancavam a diversão. Só que agora o patrono atende pelo nome de Governo. E continuamos na prática do pão (com mortadela) e circo.

Merecemos um outro 7×1!!

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PostHeaderIcon Aventura Olímpica

Em agosto do ano que vem seremos inundados com anúncios, propagandas e vinhetas de toda espécie. Enfim deverá chegar por aqui a Olimpíada que será disputada no Rio de Janeiro. Não vou falar agora sobre outras modalidades (das quais não tenho tanto conhecimento) e sobre a preparação (ou a falta dela) das instalações e estádios por parte das nossas autoridades, que provavelmente vão deixar muita coisa para ser feita em cima da hora.

Isso não é uma novidade em se tratando do Brasil, pois no futebol masculino estamos vendo mais um espetáculo de improviso e da tentativa e erro na formação do grupo de trabalho para essa disputa, que para muitos é extremamente importante pois é “o único título que o Brasil não têm”. Não acho o torneio olímpico de futebol masculino tão representativo em termos de categoria futebolística, muitos times não chegam com seus melhores jogadores por problemas de liberação com times europeus. Algumas seleções de qualidade ficam de fora em seus pré-olímpicos regionais. Mas é um competição em que o Brasil poucas vezes chegou após uma preparação bem feita. Talvez a Seleção do Zagallo em 1996 foi a que teve mais jogos para se ajeitar e mesmo assim, por ter muitos problemas táticos na defesa, não conseguiu a tão sonhada medalha de ouro.

Agora, depois de uma campanha pífia no Sul-Americano da categoria Sub-20, o técnico Alexandre Gallo, que chegou à Seleção Brasileira sem currículo para tal empreitada, está com o cargo ameaçado. Só que por questões políticas da entidade ele não foi demitido por enquanto. Pelo visto estão esperando o Mundial da categoria, que será disputado entre maio e junho deste ano na Nova Zelândia para dispensá-lo. Hoje surgiu a notícia no site da ESPN de que o técnico do Atlético/MG Levir Culpi poderia ser convidado para ser técnico do time no Rio ano que vem, mas não deverá ser chamado por já ter sido empresáriado pelo coordenador técnico da entidade, Gilmar Rinaldi. dunga gilmar gallo cbf bola parada

Ou seja, temos hoje um coordenador de futebol que não inspira confiança em suas escolhas, um técnico no cargo apenas por não termos uma opção melhor. E uma Seleção que praticamente não existe para um torneio tão importante daqui pouco mais de um ano. Mais uma vez o Brasil deve ir para o torneio olímpico confiando no improviso, no acerto em cima da hora e no nosso “talento com a bola no pé”. O ideal seria um trabalho para mexer em toda nossa base, como já foi falado pelo Marco e por mim. Mas pelo visto é algo que nem é pensado para agora.

Como temos falado em outros posts aqui no blog, não estamos em condição de confiar tão cegamente assim em nossos jogadores. Não que não existam bons atletas. Dá até para montar um time bom e ser competitivo e até mesmo vencer a Olimpíada. O que não dá mais é para conviver com esse eterno improviso na hora de fazer escolhas para o nosso futebol, contando sempre com a sorte para que no final dê tudo certo. Se Gallo não é mais o técnico certo para o trabalho, que seja demitido. Que exista um consenso e vejam qual o melhor nome para a empreitada de 2016. O que não dá é vermos mais uma Seleção dependendo dos lampejos de 1 ou 2 jogadores acima da média para que só assim tenhamos alguma chance de título…

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PostHeaderIcon A Base do Erro (Ou o Erro da Base)

Já abordei esses assuntos antes e hoje retomo o tema. Falo da formação e do nível técnico dos jogadores da base e dos times principais. São dois fatos, mas totalmente interligados. Nosso futebol colhe o que plantou nos últimos anos. E o péssimo desempenho das seleções sub-20 e sub-17 (nos campeonatos recentes) indica que nada mudará nos próximos 6 ou 8 anos.

Vejam os jogadores sul-americanos que se destacaram por aqui nesta década. Isso considerando que a maioria nem é de primeira linha. Agora listem os jogadores brasileiros que têm destaque no futebol europeu. Quase só zagueiros e volantes. O Neymar é a exceção absoluta. Tanto que os principais clubes europeus andam desprezando nossos “craques” e estes acabam exportados pro mundo árabe, russo e chinês. O cenário é claríssimo!
formação de jogadores
O erro está na base, na péssima formação. Matamos a habilidade (o talento espontâneo) e não melhoramos a técnica (os fundamentos). Nossos treinadores e clubes querem jogadores fortes e aplicados taticamente. Já a Europa busca o talento e a habilidade. Ao menos do meio pra frente.

Pois eu vou contar uma história real. Um amigo meu tem 3 filhos e o do meio, com uns 10 ou 11 anos, é bom de bola. Então meu amigo botou o filho numa escolinha. Mas o garoto passa a maior parte do tempo no banco, assim como um outro garoto. O “professor” não gosta que os meninos fiquem driblando, tentando jogadas individuais. Quer que corram, passem, voltem, marquem… E eu estou falando de garotos entre 10 e 12 anos.

Outro ponto é a técnica, o passe, chute, cabeceio. Técnica é diferente de habilidade natural, exige treinamento constante. Mas os boleiros de hoje não são muito chegados nisso. Aí temos um grupo de veteranos que jogou, e joga, se segurando nesses fundamentos. É o caso do Zé Roberto, P. Baier, M. Assunção, Juninho Pernambucano, Danilo, etc… Eles seguiram, ou seguem, principalmente pela falta de reposição. Sem formação, sem reposição. Simples assim!

* * * * *

Li no Máquina do Esporte que o EI vai criar um canal novo, pra abrigar a UCL sem ferir o contrato de transmissão. Será o EI Max (santa criatividade!), somente nas distribuidoras por assinatura. Essa foi uma das possibilidades que citei quando a “Turner Esportes” comprou a UCL com exclusividade. Ainda que alguns incautos sonhassem ter a Champions na parabólica aberta. Negativo, não existe almoço grátis.

O problema decorrente desse novo canal será o enfraquecimento dos já fracos EI e EI NE. Ficarão com a sobra. Só que não tem muita coisa sobrando.

* * * * *

Cadê a turma que odeia os Estaduais? Espero que não estejam assistindo nada. Mas eu fico impressionado como acontece tanta coisa em campeonatos que não valem nada – segundo dizem. Tivemos crise em alguns clubes, como o Grêmio, times “bombando”, como o Palmeiras e Botafogo, clubes decaindo, freguesias aumentando, técnicos caindo, ídolos sendo inventados… E isso num campeonato que não vale nada. Imaginem se valesse.

Não acho que os estaduais sejam a titica da mosca do cavalo do bandido. Mas não vou embarcar nesses julgamentos apressados. Só vou definir um juízo quando começar o Brasileirão. Essa é a hora da verdade.

Mas uma coisa é evidente, 90% dos times estão mais fracos que no ano passado. Fato!

* * * * *

Sei que a Caixa subvenciona uma dezena de clubes. Já falei sobre a estranha distância entre os grandes anunciantes e o patrocínio de camisas. Reclamei do tempo enorme que o Palmeiras ficou com a camisa limpa. E agora tá lotada demais – ainda que renda uns 50 milhões por ano. Critiquei a demora do Santos, e mais recentemente do São Paulo, pra fechar um patrocínio master. Então não posso isentar o Botafogo de crítica. Exibir uma marca (ou 5) é algo que se justifica pela necessidade financeira. Mas não dá pra transformar a camisa do clube num cartaz de promoção. Não é apenas feio. É ridículo!!!

* * * * *

Vi um pouco dos torneios de tênis do Rio e de São Paulo. Foi um sofrimento. E agora tivemos uma nova decepção, na Copa Davis. Nem reclamo tanto dos jogadores. Eles tentam, lutam, se esforçam, mas… Parece aquela brincadeira que os mexicanos faziam com própria seleção de futebol: “Jogamos como nunca; perdemos como sempre”. Deu dó.

Se bem que, como diria aquele ex-presidente: “Tênis é esporte de burguês“. Então deixa a burguesia sofrer mais de 6 horas seguidas. É castigo por oprimirem o proletariado. (ironia detected)

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PostHeaderIcon Jornalismo Deixado de Lado

Na última semana, o jornalista Lúcio de Castro deu ESTA entrevista ao blog do Rogerio Jovaneli no Yahoo! em que ele analisa os rumos do jornalismo esportivo no Brasil. Pode-se discutir se Lucio é um bom analista de futebol (ou “campo e bola” como ele costuma dizer), mas ele possui méritos indiscutíveis como jornalista e repórter. Como já comentamos aqui no blog, ele foi afastado das participações ao vivo na ESPN Brasil por causa das “limitações” da sede do canal no Rio de Janeiro. Porém essa desculpa dada pela direção da emissora não foi passada para o jornalista, que disse que ainda espera explicações para o fato de ter sido tirado do ar. Além desse assunto, ele abordou algumas questões importantes sobre o que vemos hoje em nossa televisão de modo geral.

Primeiramente ele fala sobre o fato de termos um sério problema que reside na dificuldade de um canal ou grupo de comunicação criticar um evento que ele mesmo transmite. E isso a meu ver é maior do que falar que um jogo de um campeonato está ruim, ou dizer agora que os Estaduais não valem nada (o que hoje em dia é quase um lugar comum, apesar de que só não vale para quem ganha…). O exemplo que ele cita sobre Olimpíada no Rio de Janeiro, em que o campo de golfe que será usado foi escolhido por uma suposta aproximação do prefeito da cidade com o grupo que administra o lugar, mostra que a promiscuidade entre imprensa e donos do poder é bem maior do que imaginamos, pois pouco se ouve falar do assunto na imprensa televisiva. lúcio de castro espn bola parada

Assim sendo, ao invés de fazer um jornalismo mais sério e crítico, vivemos a era do “link ao vivo”. O que, na maioria das vezes, se resume a transmitir entrevista de um técnico ou jogador, onde invariavelmente vemos e ouvimos as mesmas respostas para as mesmas perguntas (ainda que alguns questionadores se esforcem na arte de ser “engraçadinhos sem graça”). Ontem por exemplo após o clássico carioca em que o Fluminense venceu o Botafogo, chegamos ao cúmulo de termos os três principais canais de esporte mostrando ao vivo, ao mesmo tempo, a entrevista do técnico Cristóvão Borges (e olha que dizem que o Estadual não serve para nada hein…).

É compreensível, como o próprio Lucio diz na entrevista, que um canal para preencher seus horários tenha que fazer uma programação voltada muitas vezes para o factual, ainda que ele possa vir a ser repetitivo. Mas fazer isso sem qualidade e apenas para “cumprir tabela” como temos visto ultimamente, principalmente na ESPN que antigamente se destacava por tentar dar um contraste às suas coberturas, é algo que desanima.

O que também desanima é ele lembrar da antiga formação do Bate-Bola do meio do dia (no tempo em que o programa tinha apenas duas edições). A queda de qualidade é evidente e o programa em que PVC, Mauro Cezar Pereira, João Carlos Albuquerque e o próprio Lucio participavam faz muita falta. Mas o pior é ter a lembrança do link, que permitia a discussão entre os debatedores mesmo com um deles estando no Rio de Janeiro, e ver que isso foi usado como desculpa, como disse no primeiro parágrafo, para que o programa fosse desfeito. Desculpa bem esfarrapada pelo visto…

Todos esses pontos são importantes a meu ver mas o principal é lembrar, como bem disse o entrevistado, que não existe o “jornalismo esportivo”. A expressão é meio que usada para descaracterizar ou mesmo rebaixar o que é feito em termos de informação esportiva. É evidente que não é necessário todo noticiário que fala de esporte se transformar em algo acadêmico. Mas o jornalismo de fato, que é tão judiado hoje em dia em nossa TV, pode sim aparecer, mesmo em reportagens esportivas.

*****

sportv bola paradaMas infelizmente o caminho para isso é longo e não parece ser fácil de ser retomado. Um bom exemplo disso acontece no Sportv, que relega para a madrugada um bom programa jornalístico (Sportv Repórter) para dar espaço a um programa que é pretensamente de humor, mas que apenas consegue ser constrangedor na maioria do tempo (o tal Extra Ordinários). Claro que existe público para um bom programa em qualquer horário, mas a definição de prioridades do “Canal Campeão” muitas vezes prejudica a exibição de boas atrações (e tê-las hoje em dia é uma raridade na TV…)

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PostHeaderIcon Brasileirão Começando Errado (De Novo…)

O Campeonato Brasileiro da Série A de 2015 vai começar no dia 9 de maio. Nesta semana a CBF divulgou a tabela de jogos. E mais uma vez teremos o início do torneio feito de forma quase que clandestina, “ensanduichado” entre o fim dos estaduais, que acontecerá na semana anterior, e com as fases mais decisivas da Libertadores, onde provavelmente teremos algum (ou alguns) brasileiros envolvidos.

Mais uma vez também não teremos uma grande festa de abertura da competição. O Joinville, campeão da Série B, estreia fora de casa contra o Fluminense, ou seja, sem a chance de se mostrar para a sua torcida que lotou a Arena local na luta pelo acesso. O atual bi-campeão Cruzeiro estréia “em casa”. Coloco entre aspas pois terá de cumprir uma pena de perda de mando graças à confusões causadas por sua torcida na temporada passada. O fato da punição ser aplicada dessa forma é passível de discussão. Será que a melhor forma para punir um clube e sua torcida é simplesmente fazer com que ele não jogue em sua casa?

Temos visto ultimamente que esse tipo de punição não tem sido lá tão eficaz, ainda que hoje exista uma certa cultura das pessoas apontarem quem, por exemplo, joga alguma coisa dentro de campo. Porém em termos de violência no entorno dos estádios a situação, principalmente nos grandes jogos, não tem melhorado significativamente. É claro que esse é um problema que envolve a segurança pública, mas o futebol não tem conseguido dar respostas claras para isso. A ideia de “torcida mista” que vimos no último domingo no Gre-Nal é interessante, mas ainda precisa causar um impacto real na sociedade para que seja totalmente efetiva. Brasileirão 2015 bola parada

Mas voltando ao Brasileiro, o fato é que ainda não conseguimos produzir um Campeonato de acordo com nossas possibilidades. O início da competição acontece em marcha lenta, muitas vezes com partidas com poucos atrativos para que o torcedor venha de fato à campo desde a primeira rodada. Os jogos em várias ocasiões são “encavalados” com partidas da Libertadores, Sul-Americana ou mesmo amistosos da Seleção Brasileira. E isso não parece que vai mudar nesse ano, o que é uma pena.

*****

A maior novidade desse anúncio de início de Brasileiro foi o chamado “Fair Play trabalhista”. Ele é inspirado em uma medida que já existe no Paulistão, mas que até agora não serviu para nada. Primeiro que ela depende de uma denúncia por parte do jogador que está sofrendo pelo atraso de salário e isso no Campeonato Paulista não surtiu efeito algum. Difícil imaginar que um jogador já consagrado, que ainda receba seu salário de carteira, mas esteja “só” com o direito de imagem atrasado, vá tentar algo contra um clube e ficar marcado com as outras agremiações por aqui. Para um jogador ainda desconhecido, a situação é ainda pior. dívidas bola parada

Segundo que a medida é algo que a CBF sempre lutou para que não acontecesse, vide a ação da Bancada da Bola no Congresso. Ao fazer algo por sua “própria vontade” a entidade tenta minimizar as leis de responsabilidade fiscal que estão em tramitação na Câmara, tentando assim fazer as regras à sua maneira. Terceiro, temos de saber qual seria a ação do STJD ao julgar as possível perdas de pontos. Com qual força e interesse o Tribunal julgaria um time de mais nome que estiver passando por uma crise financeira? Será que o rigor da lei seria o mesmo para todos?

O mais correto será a realização de uma auditoria nas contas dos clubes a cada ano. Caso algum deles não tivesse saúde financeira comprovada ele poderia sofrer as sanções, mas antes do Brasileiro começar. Fazer esse trabalho com os jogos já em andamento dá margem para a politicagem e a possíveis favorecimentos para os mais fortes.

Ainda precisamos percorrer um longo caminho para que a moralização das contas dos clubes aconteça de fato. E não será com ajuda paternal do governo (Timemanias da vidas, refinanciamento de dívidas sem contrapartida) nem com uma canetada a dois meses do início do maior campeonato do país é que resolveremos essa situação.

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