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PostHeaderIcon Considerações Finais Sobre a Olimpíada do Rio

Até onde vi, e não vi muito, não tivemos uma análise mais profunda sobre o resultado final da Olimpíada do Rio. Ao menos na chamada grande mídia. Foi tudo meio na base do “ufa, não demos vexame. E tivemos o maior número de medalhas da história”. E segue o fluxo pois o Brasileirão tá rolando, tem Copa do Brasil e etc…

De fato não demos vexame. Os problemas com alojamentos, piscinas verdes e coisas do tipo não foram suficientes para manjar a imagem do evento. Também é verdade que tivemos um recorde de medalhas. Mas isso ocorre com todos os países sede. Até mesmo países sem tanta tradição esportiva, como Grécia ou Coreia do Sul. Mas o resultado ficou abaixo de esperado. Ainda mais comparando com outros países e vendo o quanto se gastou na preparação de atletas. Evoluímos muito pouco e continuamos sendo o país de resultados pontuais e sucessos efêmeros. Falta muito (e bota muito nisso) pra termos alguma relevância esportiva. O que é até compreensível já que o Brasil também não ostenta relevância em cultura, ciência, economia e outras áreas. O esporte só ratifica que somos um país grande, não um grande país.

E olhando pra frente, para um cenário de 5 ou 10 anos, o futuro não é promissor. Já existem rumores de que o investimento vai ser reduzido, ou até mesmo cortado. E este nem é o maior dos problemas. O duro é ver que não temos, e nem teremos, uma cultura esportiva. Continuaremos sem um trabalho de base, de formação e de massificação. Continuaremos com algumas poucas ilhas de prosperidade. Com bolhas esportivas. Infelizmente.

jogos olímpicos do Rio

* * * * *

Na última coluna eu critiquei a postura exageradamente passional de boa parte dos comentaristas e narradores que cobriram a olimpíada. Depois eu fiquei refletindo mais sobre o assunto. Não que seja errado torcer para seu país num evento tão importante. Mas a coisa deve ter limites. Ainda mais que 99% deles são ex-atletas. E essa postura apaixonada, chegando ao choro em muitos momentos, é algo sintomático. Explica muitos dos fracassos que o Brasil teve ao longo da história esportiva.

No esporte não vence apenas o mais bem preparado. O fator mental é quase tão importante quanto o técnico e físico. Mas poucos dão a mesma importância ao estado psicológico dos atletas. Ainda mais num momento de disputa extrema, onde um detalhe faz uma enorme diferença.

Também é interessante notar como o sentimento nacionalista explode em momentos como a Copa ou os jogos olímpicos. Ele fica represado por 4 anos e, em dado momento, transborda de maneira descontrolada. Talvez fosse o caso de repensar essa atitude. Talvez a brasilidade devesse ser um sentimento mais cotidiano. Ainda que a cruel realidade não nos ajude nesta tarefa.

* * * * *

Eu também escrevi recentemente que gostaria de ver alguns dos nossos jovens jogadores de futebol sendo avaliados numa competição oficial e sentindo a pressão e a cobrança pela tal medalha de ouro. OK, conseguimos a medalha sonhada. Mas o resultado não foi convincente. A fraqueza dos adversários, exceto a Alemanha na final, deve ser considerada. Ainda acho que a safra é potencialmente boa. Mas não vou me iludir pelo resultado olímpico. Quem quiser se enganar, que o faça por sua conta e risco.

Outro ponto relevante foi o desempenho e comportamento do nosso principal jogador durante a competição. Ficou claro que o Neymar começou a competição sem ritmo de jogo. Assim como ficou claro que ele não lida bem com pressão e críticas. Nem mesmo as críticas justificadas. E igualmente evidente foi seu despreparo para ser capitão; ou mesmo líder de um grupo. Não é a dele!

O pior de toda essa história foi a forma como o Neymar devolveu a faixa de capitão. Não foi uma atitude racional, pensando no coletivo da seleção. Foi uma atitude de birra, de quem não gosta de ser criticado e contrariado. Foi muito imaturo. E uma pessoa imatura nunca pode liderar um grupo. Mas o maior erro foi de quem entregou a faixa para ele.

* * * * *

E voltando ao futebol nosso de cada dia… É óbvio que não podemos avaliar o Tite no comando da seleção. Não jogou nenhuma partida ainda. Mas confesso que achei sua primeira convocação muito questionável. Até mais que as já feitas pelo Dunga e Felipão. Mas vou esperar o jogo ser jogado. Não vou reclamar por antecipação. Só quero registrar minha estranheza com a lista divulgada.

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PostHeaderIcon Um Verdadeiro Legado Olímpico

O período da Olimpíada causa normalmente muita comoção. Mesmo em um mundo cada vez mais multicultural e diverso em suas representações culturais e nacionais em que vivemos hoje, muitos ainda buscam uma identidade mais local e os esportes aproximam, sem dúvida alguma, as pessoas de seus países. Portanto é natural ver a torcida de muitos pela vitória dos atletas, no caso específico dos brasileiros.

Porém em muitos casos existe uma torcida de ocasião que, de fato, me incomoda. É evidente que nem todos conhecem todos os esportes, é humanamente impossível para a maioria. Tirando jornalistas que se dedicam a saber um pouco de cada modalidade (e temos bons exemplos principalmente hoje com a internet), a maioria toma contato com certas disputas apenas na hora da grande competição mundial que é a Olimpíada. Sendo assim é natural que muitos só viessem a conhecer o saltador Thiago Braz, vencedor do ouro no salto com vara, na hora da disputa decisiva.

O que chama a atenção é que a maioria das análises contemplava muito mais a possibilidade de ouro na parte feminina da competição. Fabiana Murer era muito mais citada como possível medalhista e poucos, muito poucos mesmo, falavam das chances de Thiago. Muitos não sabiam (como era meu caso, apesar dele ter sido tema de uma reportagem no Fantástico em 2013) de que ele treinava com o treinador russo que revelou ninguém menos que Sergei Bubka e Yelena Isinbaeva. Ou seja, por ele não ter obtido ainda grandes resultados em suas competições com maior visibilidade, ele era desprezado e desconhecido por aqui no Brasil para maior parte da população. thiago braz fabiana murer bola parada

Isso reforça algo que já dissemos aqui algumas vezes. O esporte principal do brasileiro é ganhar, muito mais do que acompanhar esporte. Pode-se dizer que isso acontece um pouco em todo o lugar, mas aqui é algo quase que padrão. Como disse o Marco na última coluna, vivemos de fenômenos sazonais e isso ainda não está tão perto de mudar. E ao analisar os resultados dos eventos olímpicos, não podemos incorrer no erro de colocar tudo no mesmo balaio. Existem exemplos de todos os tipos. Atletas com menos apoio, alguns com o emocional mais fraco, outros que simplesmente são inferiores aos adversários, confederações com cartolas corruptos…Têm de tudo.

Por isso não dá para dizer que todos os atletas que perdem são “coitadinhos sem investimento”. O caso da Fabiana Murer é mesmo um exemplo, ainda que, fracassando em três Olimpíadas, eu não esteja dizendo que ela seja um fracasso como atleta no geral, já que ela tem um título mundial na modalidade. Mesmo o Thiago Braz treina fora do país, como alguns atletas de natação, atletismo…Modalidades possuem hoje treinadores estrangeiros e tiveram melhorias como handebol e ginástica artística.

É inegável que o investimento no esporte aumentou do meio dos anos 90 para cá. Da Olimpíada de Atlanta (1996) para cá o número de medalhas aumentou de fato, apesar de que é pouco provável que o Brasil alcance a meta pretendida e propagandeada pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro) que era de décimo lugar no número total de medalhas ou 25 pódios, ainda que o número de brasileiros entre os 8 primeiros em variadas competições tenha sido recorde (72 até quando escrevo este texto).

Porém o que falta é uma melhora geral na base, para que o esporte não seja visto apenas como um número, um resultado em si mesmo. “Comprar” medalhas, ou conseguir resultados com algum fora de série é até fácil. Fazer com que o brasileiro, desde a escola, pratique mais esporte, seria um legado mais interessante que apenas obras não completas ou o “top 10” no ranking geral. Pode ser um pouco utópico o que estou imaginando, mas só com esse verdadeiro apoio, desde a infância e como algo para toda a sociedade, o Brasil pode conseguir algo além de uma glória passageira em duas semanas de competições.

*****

futebol feminino olímpiada 2016 bola parada Falando mais especificamente do futebol. No feminino a medalha não veio depois de uma empolgação grande no início. Esse caso específico é bem complicado de se discutir; como já falei NESTE texto anterior, o futebol feminino até hoje tem um pouco mais de atenção, longe do ideal claro, mas tem um campeonato brasileiro e uma seleção permanente. Ainda é pouco, e tem de haver uma cobrança para que mais seja feito. Mas o público também tem de dar suporte e isso, na maioria das vezes, não acontece. As pessoas que fizeram a estúpida comparação entre Marta e Neymar, precisa lembrar que a modalidade existe além das Olimpíadas.

Sobre o time feminino em si, ficou claro que, assim como no masculino, o Brasil ainda está com problemas sérios na hora de montar uma equipe taticamente. Ainda é tudo muito na base individual, sem grandes trocas de posição e mudanças que pudessem possibilitar oportunidades de mudar o quadro de uma partida. Isso ficou claro na semifinal contra a Suécia. Depois contra o Canadá, com a equipe já abatida, ficou ainda mais complicado de conseguir uma medalha.

Por sua vez o futebol masculino conseguiu ir avançando e amanhã faz a final contra a Alemanha que, obviamente, não é uma revanche da Copa do Mundo de 2014 (nem vou me estender nisso). As entradas de Wallace e Luan foram boas para o time, mas é bom lembrar que, com exceção da Colômbia, os adversários foram fraquíssimos. A Alemanha não tem uma equipe estelar, mas é bem organizada, com um treinador que conhece e trabalha a muito tempo com a equipe.

O Brasil, por jogar em casa, ter talento individual, um clima favorável e jogar contra um time menos forte em termos de nome conta com um pequeno favoritismo prévio, mas que a meu ver é bem pequeno. O esquema ultra ofensivo de Rogério Micale ainda não foi totalmente testado e a pressão de vencer a tão almejada medalha pode ser perigosa para o time nacional. E mesmo que ela venha (e se vier, não será com facilidade), não será uma redenção completa para o nosso futebol. Voltaremos ao tema.

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PostHeaderIcon Olimpíada, Resultados e a Mídia

A seleção olímpica de futebol acabou se classificando para a segunda fase da competição. Mas, apesar de estar num grupo relativamente fácil, não me convenceu. Nem mesmo na goleada sobre a fraca Dinamarca. É claro que melhorou em relação aos dois primeiros jogos, mas nada de extraordinário. Precisa melhorar taticamente, tecnicamente e jogar de forma menos individual. Ainda mais quando as individualidades não estão funcionando. Outro problema grave é a falta de opções do Micale para mudar a forma do time jogar. Só temos uma fórmula; se não estiver funcionando…

Mas não vou me aprofundar na análise da seleção olímpica. Quero é falar da imprensa esportiva e sua variação de humor diante dos baixos e altos do futebol apresentado. É o mesmo “8 ou 80” que já vimos na Copa de 14 e nas recentes Copas América. E foi isso que aconteceu, principalmente, nas transmissões da Globo. O empate com o Iraque foi o clique que acionou o senso crítico do narrador e dos comentaristas da emissora. A tal ponto que um deles voltou até a Copa de 2006 para mostrar a extensão do problema. Fato que é verdadeiro e notório. Mas que, curiosamente, só é lembrado na hora do desespero. Essa indignação, que aparece após o 7×1 ou um vexame na olimpíada, me parece mais um surto chiliquento que uma crítica séria. É coisa de quem não sabe perder, não de quem deseja uma real recuperação do futebol brasileiro.

seleção olímpica

Eu nunca seria louco ao ponto de culpar diretamente a imprensa pelos resultados e pelo baixo nível do futebol tupiniquim. Sei, e já escrevi aqui, que o problema é muito mais amplo e profundo. Vem de décadas, começa na base, passa pelos clubes, pela gestão, pelos campeonatos e deságua na seleção. O erro da imprensa é ser complacente (ou até conivente) com os problemas e só reclamar dos resultados ruins. Como se as duas coisas não fossem umbilicalmente ligadas. Ora, ora…

* * * * *

Ainda temos mais de uma semana de competições. Mas o resultado, em medalhas, deve ficar bem abaixo da expectativa almejada pelo COB. Por um lado é triste. Mas eu acho ótimo que isso ocorra. É para sepultar com as desculpas e meias verdades que os dirigentes esportivos sempre usam para justificar os maus resultados. Eles tiveram dinheiro e tempo para investir nas modalidades e nos atletas que julgavam melhores para trazer medalhas. Só que a realidade não funciona de forma tão simples. Ainda que um ou outro sucesso possa enganar quem gosta de ser enganado.

O fato real é que estamos buscando o caminho mais fácil; um atalho. Mas a estrada pavimentada é a única que leva ao sucesso. É um caminho longo e trabalhoso. E passa muito longe do jeitinho, do improviso e do amadorismo. Quem sabe, algum dia, num futuro distante, o Brasil aprenda isso.

* * * * *

Alguns slogans fantasiosos também estão sendo sepultados nestes jogos olímpicos. Começando pela emissora do esporte olímpico e sua fraquíssima cobertura nesta edição. Parece que a Record estava cumprindo uma obrigação contratual ao exibir a olimpíada do Rio. E vamos combinar, pra fazer assim, era melhor nem ter feito.

A Band, com uma equipe pequena e remendada, até que tentou. Mas a carapuça caiu quando, num dia com futebol e vôlei ao vivo, ela esqueceu da competição para exibir o reality de cozinheiros. Francamente, o Master Chef estava gravado, poderia esperar 1 dia ou 1 semana. Será que uns pontinhos na audiência justificam tanto descaso?

Mais precavida foi a Globo, que mexeu seus pauzinhos e conseguiu que o horário de jogos importantes não coincidisse com sua faixa de novelas. Ao menos evitou o constrangimento de ignorar um dos esportes coletivos.

* * * * *

mesa tática

Falando na Rede Globo, é inegável seu poderio, estrutura e o número de profissionais que colocou para a cobertura dos jogos. Nem preciso salientar o fato. Mas tivemos erros também. Começando por alguns narradores e comentaristas escalados pela emissora. Nem com muita boa vontade. Assim como está difícil de engolir o sem número de convidados e papagaios de pirata que a emissora coloca no meio das transmissões. Ela já tem dezenas de comentaristas e ex-atletas para a tarefa, não precisa juntar mais cantores, atores, humoristas, modelos e cia.

Não tenho nada contra a tecnologia, muito pelo contrário. Mas penso que os recursos tecnológicos devem ser usados de acordo com sua utilidade e a necessidade da situação. Mas alguns gênios da televisão pensam diferente. E a Globo abusou do besteirol tecnológico, com suas mesas táticas, com os jogadores virtuais e demais aparatos. Não vi utilidade alguma nisso. Não acrescentou bulhufas! Patavinas!! É pior que caçar Pokémons! Muito pior!!

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PostHeaderIcon Pequeno Resumo Olímpico – O Início

Como este texto é sobre o começo da Olimpíada ele pode ter ficado um pouco longo, mas abordo alguns temas distintos.

Além da expectativa, misturada com oba-oba que vemos no futebol masculino, antes de começarem as competições da Olimpíada, outro fenômeno aparece de forma frequente na época desta competição. A mídia brasileira, tão afeita a falar basicamente apenas e tão somente de futebol, passa a ter de comentar mais sobre outros esportes. Uma situação que resvala na hipocrisia e no desconhecimento. rio 2016 bola parada

Claro que a maioria dos analistas esportivos que possuem mais destaque na TV são formados com base no futebol, muitos deles vindo do rádio. Sendo assim a transmissão das provas de outras modalidades são feitas na base do “vai Brasil!” e em um paternalismo que quase sempre resvala na pieguice ao analisar o desempenho dos atletas nacionais.

Vemos o Brasil, país que até teria um potencial de se tornar maior do que é no segmento de medalhas olímpicas, ficar muitas vezes para trás no número de triunfos. É fato que nos últimos 20 anos houve um aumento do investimento governamental no esporte e algumas modalidades tiveram um impulso interessante como ginástica e natação. Mas isso normalmente não se traduz em medalhas olímpicas. E isso pode ter diversas causas.

Mas o fato principal nos leva a pensar: Como um país que não têm uma cultura escolar de base pode exigir resultados quase que automáticos quando os jovens de ontem se tornam atletas hoje? É evidente que existem fenômenos isolados que geram bons resultados e, como foi dito anteriormente, alguns esportes apresentaram melhorias. Mas chega a ser um pouco irrealista esperar mais medalhas de onde elas dificilmente surgirão.

Infelizmente o clima de torcida exagerada toma conta da maioria das transmissões e até o fim dos Jogos do Rio de Janeiro analisaremos aqui também a cobertura midiática feita. Mas fundamentalmente, para que as vitórias apareçam, deveríamos cuidar mais da nossa base, e essa oportunidade, pelo menos para esta Olimpíada – e sem querer ser pessimista, mas já sendo – foi perdida, tanto como legado esportivo, quanto como legado social (e aí a discussão é ainda mais longa).

*****
Sem ir muito longe em esportes que nem possuem grande repercussão durante os outros momentos, pré e pós Olimpíada, um caso de hipocrisia que vemos nas transmissões olímpicas que já começaram é a comparação, a meu ver sem sentido, do futebol masculino com o feminino. Como agora, depois dos escândalos da CBF é bem mais fácil criticar a situação lamentável da Seleção masculina, coloca-se como parâmetro algumas vitórias do time feminino. marta neymar bola parada

Que a torcida, aquela que torce muito mais para quem ganha, cultura tradicional aqui no Brasil, grite por Marta num misto de admiração pela camisa 10 brasileira e revolta pelo péssimo futebol demonstrado por Neymar e companhia, é até compreensível. Mas acho bem oportunista muitos que nem dão bola para jogos femininos fora de períodos olímpicos, reverberarem essa “comparação” bem estapafúrdia.

Ainda que o futebol feminino já tenha um calendário nacional e muitas das jogadoras da Seleção tenham bons contratos em times estrangeiros, não dá para mensurar o abismo de apoio, inclusive do público, entre homens e mulheres. Por fatores que passam desde a simples discriminação e preconceito, até financeiros e de desinteresse, o espaço do futebol das mulheres por aqui ainda continuará bem diminuto; e digo isso mesmo se a tão sonhada medalha de ouro vier agora. E eu diria que ATÉ por isso. Pois aqui pensamos primeiro no topo, na vitória “heroica” ao invés de cuidar do futuro. E também pouco se faz para se mudar, ao menos um pouco, a cultura que tanto segrega e diferencia homens e mulheres em campo.

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Sobre os jogos em si, o time feminino mostra qualidade e venceu dois jogos importantes, contra times mais fortes como China e Suécia. Precisa, além de vencer times tão ou mais representativos (EUA e Alemanha principalmente), mostrar tranquilidade para lidar com uma pressão que sempre aparece nesses momentos de maior atenção de público e mídia. E isso muitas vezes não é fácil.

A pressão também existe para o time masculino. Mas neste caso específico (e sem querer ser chato) foi dito AQUI no blog que a competição não seria o passeio que muitos diziam que seria. O Brasil possui potencial, mas nem tanto quanto muitos imaginavam. O time tem qualidade individual, mas mostrou pouca organização, além de muito individualismo. brasil iraque olimpíada 2016 bola parada

As medalhas podem vir para as duas equipes, mas o caminho é muito mais árduo do que o ufanismo de muitos possa imaginar ou sugerir.

*****
Uma palavra rápida sobre a cerimônia de abertura: Sobre as atrações com cara de programa dominical da Globo eu não falo muito. Não é do meu agrado, mas como têm gente que gosta…Penso que ficaram faltando referências maiores à pessoas da nossa cultura, mas como é uma cerimônia patrocinada, muitas limitações aparecem. Mesmo a ausência de Pelé, que foi atribuída à problemas físicos, pode ter passado por aí também, o que é algo que não deixa de ser um pouco lamentável. vanderlei cordeiro pira olímpica bola parada

Não acho que o Vanderlei Cordeiro de Lima seja a figura mais representativa para simbolizar o acendimento da pira olímpica. Mas vendo os comentários de muitas pessoas, passei a entender a sua escolha. O caso acontecido com ele na Olimpíada de Atenas em 2004 ficou na memória das pessoas e o comportamento dele, ao conseguir a medalha de bronze com um sorriso no rosto, fez com que o espírito olímpico ficasse registrado em sua atitude.

Mas o que mais me chamou atenção é, mais uma, hipocrisia. Fica difícil uma cerimônia de abertura pregar sustentabilidade ambiental, com plantio de árvores e vídeo sobre aquecimento global, numa cidade que não conseguiu despoluir a Lagoa Rodrigo de Freitas para as provas de vela. Chega quase a ser um escárnio. Por mais que a mensagem seja para todo o mundo, fica a prova de que muitas vezes é mais fácil falar dos outros do que fazer o certo dentro de sua casa.

A Olimpíada pode correr bem, mas essas falhas poderiam ser evitadas.

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PostHeaderIcon Idas e Vindas no Mundo da Bola

Antes de mais nada quero dizer que concordo com as colocações da última coluna do Alexandre, sobre a olimpíada do Rio. Mas vejo a seleção de futebol por uma perspectiva diferente. Não me importa tanto o resultado, a medalha. Me interessa mais o desempenho e a avaliação de alguns jogadores. Especialmente os novos atacantes que o Tite poderá usar num futuro muito próximo: Gabigol, Gabriel Jesus, Luan e cia. São nomes que me agradam muito mais que os últimos convocados pelo Dunga.

Penso que a olimpíada pode ser um ótimo teste para saber se estes jogadores poderão ter um futuro na seleção principal. E até mesmo a cobrança exagerada pela medalha de ouro pode ser um elemento que dificultará a aprovação nesta prova. E isto, do ponto de vista esportivo, é algo benéfico. Teste fácil não serve. Ainda mais considerando a atual situação da seleção nas eliminatórias e a proximidade da Copa da Rússia. Pena que não pensaram em usar a seleção olímpica pra mais testes. Eu gostaria disso. Muito mais que a famigerada medalha.

* * * * *

Sobre o evento em si, temo que ocorram alguns problemas indesejados. O descaso com os apartamentos da vila olímpica foi um exemplo do que pode acontecer. Mais preocupante ainda é o que pode ocorrer fora da vila e dos ginásios. Temo pelo pior!

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mano menezes

A gestão do nosso futebol é um tema recorrente neste blog. Mas não é por procurarmos por esta pauta; ela é quem teima em aparecer corriqueiramente. O caso mais recente é o do Cruzeiro. Nem culpo o clube pela saída do Mano ao receber uma proposta do futebol chinês. Mas o que aconteceu depois é de total responsabilidade da direção. Parece aquela história do sujeito que não sabe se casa ou se compra uma bicicleta. Este é o retrato da Raposa neste ano. E o resultado em campo é a consequência mais evidente.

A primeira opção do clube foi seguir com o Deivid, que era auxiliar do Mano Menezes. Era arriscado e o novo treinador precisaria de tempo e paciência. Mas ele não teve nenhuma das duas coisas. Foi demitido e trouxeram o Paulo Bento pro lugar. E, como já sabemos, um técnico estrangeiro necessita de tempo para se ambientar e conhecer o nosso particular mundo futebolístico. Só que isso não é possível quando ele chega no meio do ano. Não funciona. Técnico não é mágico. Mas a direção cruzeirense acreditou nisso. E quebrou a cara! E agora recorre novamente ao Mano para salvar o ano. E, novamente, escapar de uma ingrata posição no Z4.

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Planejamento também é uma palavra estranha ao nosso futebol. Caso do São Paulo. No começo do ano resolveram trazer dois reforços importantes por empréstimo de 6 meses. Tudo bem que a necessidade era grande e o time exigia reforços nas posições. Ocorre que o meio do ano chegou e o clube se viu diante da perda do Maicon e Calleri. Resolveram gastar muito na contratação do zagueiro e desistiram do atacante. Sem esquecer a compreensível venda do Ganso para o futebol espanhol. E agora, quase na metade do Brasileirão, o São Paulo está trazendo reforços.

Pode até ser que as contratações sejam bem sucedidas; especialmente o Buffarini. Mas não é fácil um jogador de outro país chegar aqui e render de imediato. O normal é passar um período de instabilidade. Só que o campeonato tá correndo e o clube não pode esperar. E aí, como fica?

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Como se não tivessem problemas internos suficientes, os clubes ainda sofrem com os externos. É o caso dos clubes que “cedem” jogadores para a seleção. Será que é justo o Palmeiras, Grêmio e Santos perderam seus principais jogadores para a seleção olímpica e serem prejudicados na disputa do título? Alguém vai cobrir o prejuízo técnico e financeiro que os clubes possam ter?

E mais, no final do ano, na fase decisiva do Brasileirão, será a seleção principal que vai “roubar” mais alguns jogadores. E também ficará por isso mesmo. Acho que nunca verei os clubes unidos para se defenderem desta exploração. Vão continuar aceitando tudo, bovinamente. Talvez por merecerem!

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PostHeaderIcon Oba-Oba Olímpico

Estamos perto dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Depois de 7 anos de uma preparação que ocorreu com certas polêmicas devido ao alto custo de várias obras e o não cumprimento de muitas promessas feitas pelos políticos nacionais (uma prática mais do que comum por aqui), começamos a ver a chegada de atletas de todas as modalidades. O nosso blog é mais voltado para o futebol e é sobre ele que abordarei neste texto, mas durante os Jogos poderemos ressaltar alguns aspectos a respeito das competições e dessa situação confusa que permeia a Olimpíada como um todo. Digo de antemão que até acredito que na hora das disputas tudo deve acontecer mais ou menos dentro de uma normalidade, mas o custo para que isso ocorra é muito elevado e o tal “legado” para a cidade ficará escondido por tantos problemas e equívocos. Mas de todo modo voltaremos ao tema, inclusive na análise da cobertura jornalística do evento.

Durante esse tempo de preparação já deixei claro minha posição a respeito do futebol dentro dos Jogos Olímpicos. Como a Copa do Mundo feminina não tem o mesmo peso midiático do que a competição masculina, teremos a maioria das melhores jogadoras atuando normalmente no Rio de Janeiro. Porém entre os homens temos a limitação de idade (até 23 anos, com 3 exceções), que faz com que tenhamos, ainda mais no caso brasileiro, uma seleção hibrida. É uma equipe que nunca jogou junto e que possivelmente nunca mais atuará em conjunto, já que muitos dos convocados para o Rio não deverão voltar ao time principal mais para frente. O mais lógico seria fazer um torneio Sub-20, sem atletas além desta idade, com uma equipe que não atrapalharia tanto o calendário dos times principais e serviria mais para mostrar novos talentos.

Sendo assim o torneio olímpico de futebol masculino não é tão representativo. Mas principalmente depois que o Brasil venceu duas Copas do Mundo (1994 e 2002), após longo jejum de conquistas, criou-se uma obsessão por essa medalha de ouro olímpica, muito além do que realmente vale este torneio. Porém, poucas vezes o time brasileiro foi bem preparado para, de fato, vencer a competição. Desta vez a equipe até teve alguns amistosos, comandados pelo técnico Rogério Micale, mas em nenhum deles fez um futebol de “encher os olhos”. Além disso, com a quase obrigatória entrada de Neymar na equipe, ela terá de mudar um pouco suas características.

E aí que entra o motivo deste texto. Com o destaque que conseguiram em seus clubes, Luan do Grêmio, Gabriel (Gabigol) do Santos e Gabriel Jesus do Palmeiras já chegam na equipe olímpica com muita moral, mas principalmente, cercados de um grande inimigo que quase sempre aparece nas preparações de seleções brasileiras: O oba-oba. Quase que num passe de mágica, o Brasil já se tornou mais favorito do que já é normalmente (pela sua história e tradição que devem ser respeitados). Mesmo sem vermos esse time em campo já vi alguns comentaristas exaltarem de forma empolgada o novo time canarinho. Elogiam os métodos de Micale (que ainda não ficaram bem claros, pelo menos para mim) e até mesmo propõem que o time jogue com os 4 atacantes juntos em campo!

Tenho sérias dúvidas de que a maioria dos comentaristas conheçam os times de Argentina e Alemanha, que certamente serão mais citados como “os únicos” que podem tirar o título do Brasil. Talvez nem saibam bem os destaques dessas seleções, já que nenhuma grande estrela foi convocada nos dois países. Isso sem falar em seleções como Colômbia, Portugal e Nigéria, que são poucos lembradas, mas que possuem potencial histórico para fazer bom papel por aqui. E isso me incomoda muito. Como disse no texto sobre Portugal campeão da Eurocopa, não dá para fazer o futebol apenas com base em estudos e estatísticas. Não adianta também ficar olhando números e confiar cegamente neles. Mas um pouco de cuidado na hora de falar e observar o quadro atual seria interessante. seleção olímpica bola parada

O trabalho de Rogério Micale tem bons sinais, ele parece ser um estudioso do futebol. Mas ainda tem pouca experiência em competições sob intensa pressão. Ele ficar como treinador era a melhor opção, diante da bagunça que a CBF vive a algum tempo (e também porque Tite é técnico da Seleção principal e tem de se preocupar com as Eliminatórias para a Copa do Mundo), mas também não poderia ser tão exaltado como vem sendo, só por dar boas entrevistas coletivas. O conjunto do trabalho dele só vai ser comprovado no campo, assim como o time que ele está montando. E me desagrada muito esse clima de “ninguém segura” o Brasil.”, só pelos bons atacantes que temos. Cheira arrogância e desconhecimento e o resultado dessa combinação não costuma ser positivo.

O Brasil pode vencer o ouro olímpico no futebol masculino e mesmo no feminino, tem qualidade técnica para isso. Mas estes fatos não escondem o trabalho cheio de erros e equívocos no nosso futebol, muito pela incompetência e omissão dos clubes e pelos desmandos orquestrados pela CBF. E no caso específico do futebol entre os homens, apenas o fato de termos alguns (não tantos assim) talentos individuais, não faz o time brasileiro vencedor por antecedência, como alguns já parecem acreditar. Cautela é sempre necessária.

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